Especialista de arbitragem de A BOLA disseca lance polémico no FC Porto-Moreirense

Expulsão perdoada: a análise de Pedro Henriques ao FC Porto-Moreirense

VAR deveria ter ajudado, no lance onde Zaidu tinha de ser expulso, aos 58 minutos, por uma falta grosseira. No resto das decisões de Carlos Macedo e respetivos auxiliares, tudo certo

Carlos Macedo dirigiu o jogo entre FC Porto e Moreirense, da 26.ª jornada da Liga. O juiz da Associação de Futebol de Braga teve como assistentes Luís Costa e João Macedo, sendo Vítor Lopes o quarto árbitro. O VAR foi Cláudia Ribeiro, assistido por Pedro Felisberto. Vamos à apreciação ao seu trabalho na vitória por 3-0 dos azuis e brancos sobre os cónegos.

14’ Legal. Em dois momentos na construção do golo dos dragões não há nenhuma infração à lei do fora de jogo: primeiro, no passe para Pietuszewski e, depois, quando este remata e a bola é defendida por André Ferreira, sobrando para Gabri Veiga, que recarrega e finaliza.

22’ Quando um guarda-redes se sai em salto para intercetar a bola, o facto de chegar primeiro e de lhe tocar atenua sempre o contacto posterior com os adversários, que também tentam saltar e disputar o lance. É normal que haja choque. Ainda assim, os guarda-redes devem evitar ir com os pés à frente, esticados, e ter cuidado para não falharem a bola e acertarem com mãos ou punhos na cara ou cabeça do opositor. Neste caso concreto, André Ferreira soca primeiro a bola e o contacto posterior com Alan Varela e Kiwior é normal e fruto do movimento de defesa.

Positivo
O tempo útil de jogo, acima de 60%. Os assistentes ao nível do fora de jogo. As decisões técnicas. Boa condição física.
Negativo
A análise que árbitro e sobretudo o VAR fizeram no lance entre Zaidu e Travassos. A gestão do tempo extra no fim de ambas as partes.

25’ Sem falta. No início da jogada que origina o segundo golo dos dragões, Pepê recupera a bola sem cometer qualquer infração sobre Landerson, que a tinha adiantado; o brasileiro do FC Porto recupera o esférico com o pé direito.

45’ O árbitro não deu tempo extra, mas, tendo havido dois golos na primeira parte, justificava-se a adição de dois minutos.

58’ A Lei 12 (faltas e incorreções), página 118, define falta grosseira — sancionada com cartão vermelho — como «uma entrada que ponha em perigo a integridade física de um adversário ou envolva o uso de força excessiva ou brutalidade». Aqui, com a bola a distância jogável, Zaidu estica a perna direita e, com a sola e os pitons, acerta em cheio, pisando a zona acima do tornozelo esquerdo de Travassos. Entra com impetuosidade, velocidade e alguma malícia, usando força excessiva e pondo em causa, de forma clara, a segurança e integridade física do adversário. O árbitro mostra apenas amarelo, vendo a ação como negligente, mas as repetições sucessivas deixam claro tratar-se de falta grosseira, exigindo intervenção do VAR, que, de acordo com o protocolo, deve intervir em situações de eventual vermelho direto. Decisão disciplinar incorreta, com responsabilidade repartida entre árbitro de campo e videoárbitro.

81’ Sem impacto. No golo de William Gomes, no momento do remate existe um colega em fora de jogo posicional, Borja Sainz, mas sem qualquer interferência ou impacto sobre os adversários. Terceiro golo dos dragões é legal.

89’ Fora de jogo. Borja Sainz cai na área e queixa-se de penálti de Gilberto Batista, mas a jogada é bem anulada: o avançado espanhol parte de posição irregular. Bem o assistente na indicação.

90’ O árbitro deu três minutos de compensação, insuficientes face às incidências: um golo, um amarelo, uma assistência a Travassos em campo e seis paragens para substituições, com entrada de nove jogadores. O tempo mais adequado seriam seis minutos.

90+4’ Cartão amarelo bem exibido a Miguel Silva, que, vindo por trás, agarra e puxa Victor Froholdt com o objetivo de travar e destruir a jogada. Falta tática corretamente sancionada disciplinarmente.

NOTA DO ÁRBITRO CARLOS MACEDO: 5

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