Ex-Tondela que sofreu enfarte leva equipa abertamente 'Antifa' a subida histórica
A Unión Esportiva Sant Andreu garantiu este domingo a subida à Primera RFEF, a 3.ª divisão de Espanha, ao vencer o Reus por 2-1 em casa, no estádio Narcís Sala. Os golos de Marcos Mendes e de Josep Señé, este último de penálti aos 80 minutos, selaram um regresso aguardado há 11 anos a esta categoria.
Em Espanha, afirma-se que o grande arquiteto deste sucesso foi o treinador Natxo González, ex-técnico do Tondela que não pôde estar no banco no jogo decisivo por ter sofrido um enfarte recentemente, embora o seu estado de saúde seja considerado estável. Curiosamente, a última vez que o Sant Andreu subiu ao terceiro escalão, há 18 anos, foi também sob o comando de González, na sua primeira passagem pelo clube (2007-2011), com Joan Gaspart (ex-presidente do Barcelona) como presidente.
Forte índole política
Localizado no bairro Sant Andreu, em Barcelona, o clube é abertamente antifascista e antirracista. No jogo que garantiu a subida de divisão, havia bandeiras da Antifa, assim como da Palestina e da Catalunha, na bancada, mostrando este ser um clube que se preocupa com muito mais do que aquilo que acontece dentro das quatro linhas.
#Catalonia — UE Sant Andreu achieved a major success by earning promotion to Primera Federación (3rd Division).
— Antifa_Ultras (@ultras_antifaa) April 19, 2026
The club has a great ultras group called Desperdicis, known for its anti-fascist and anti-z*onist stance. During today’s final match, Antifa, Palestine, and Catalonia… pic.twitter.com/DBewn4nORA
O Sant Andreu colabora com a Proactiva Open Arms, organização em Barcelona que acolhe refugiados que chegam de barco à cidade, e com a Avisgol, um projeto destinado a integrar os idosos no mundo do futebol: estes são alguns exemplos da índole política e extradesportiva levados a cabo pelo clube.
Uma das figuras de referência da claque antifascista do emblema é Marina Ginestà, uma militante comunista que morreu aos 94 anos em 2014.
Investimento japonês
Foi com a chegada do proprietário japonês Taito Suzuki há dois anos, que a ambição do clube cresceu exponencialmente. José Manuel Pérez, diretor-geral do Sant Andreu, descreve o clube como «um dos projetos mais ambiciosos no mundo do futebol» e revela que a massa associativa, atualmente com 5.300 sócios, poderá ultrapassar os 6.000 após a subida.
🫂 “SI EM VEUS, AIXÒ ÉS TEU”
— Esport3 (@esport3) April 19, 2026
💛❤️ Jaume Delgado, segon entrenador del Sant Andreu, emocionadíssim, envia un missatge a Natxo González#SantAndreuReusE3
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Foi o próprio Pérez, ligado ao clube desde os 15 anos, quem convenceu Suzuki a investir. «A nova propriedade era um dos patrocinadores do Maioorca, clube com o qual temos boa relação. Suzuki veio ver o Sant Andreu há dois anos contra o Espanhol B. Viu o ambiente do Narcís Sala, apaixonou-se por ele e quis comprar o clube», recorda o diretor-geral.
A subida de divisão não é vista como um ponto de chegada, mas sim como um passo em direção ao futebol profissional. A direção inspira-se em modelos como o Eibar e o Rayo Vallecano. «O Eibar é um referente de como um clube pequeno chegou à Primeira Divisão. Quem sabe se podemos ser um Eibar na Catalunha», afirmou Pérez no passado, que também sonha com um futuro confronto na primeira divisão com o Rayo Vallecano, clube com o qual os adeptos do Sant Andreu têm uma relação de proximidade.