Ex-Man. United alvo de campanha de intimidação: «Vai acabar no cemitério!»
Nemanja Vidic foi uma das maiores figuras no futebol sérvio no século XXI. As dezenas de internacionalizações e as 15 temporadas ao mais alto nível, ao serviço de Manchester United e Inter, entre outros, justificam o estatuto do antigo defesa central... que não se coibiu de criticar a própria seleção.
A Sérvia falhou a qualificação para o Campeonato da Europa de 2020, Vidic criticou, em carta aberta, um «sistema corrupto» liderado por pessoas «com um histórico questionável»... e precipitou um caso de polícia. De acordo com uma investigação conjunta entre o projeto de investigação de crime organizado e corrupção e o jornal sérvio KRIK, o então presidente da Federação sérvia, Slavisa Kokeza, orquestrou uma campanha de intimidação para calar o antigo capitão.
A investigação sérvia descobriu uma cadeia de mensagens trocadas entre Kokeza e uma rede de contactos com ligações a hooligans e a crime organizado, num serviço de mensagens encriptadas desativado pela União Europeia em 2021. O objetivo? Calar Vidic e dissuadi-lo de uma eventual candidatura à presidência através de ameaças à integridade física, tanto do antigo defesa central como de apoiantes.
A posição de Vidic, que foi partilhada por antigos colegas de equipa como ex-Benfica Nemanja Matic, enfureceu o dirigente: «Neste momento, o que mais preciso é de ajuda para eliminar Vidic, Lazovic e Matic.» O objetivo era que o antigo defesa central se afastasse publicamente da concorrida à Federação e «garantir» que os apoiantes «se assustassem e percebessem que podiam perder a cabeça».
De acordo com a investigação, o dirigente considerou que Vidic devia ser aconselhado a «afastar-se da política, senão ia acabar numa valeta». Caso o antigo defesa central continuasse com as críticas, «iria para o cemitério».
«Precisamos dar algum dinheiro, se possível, para que o ameacem fisicamente, que o assustem e digam que podem matá-lo», ordenou Kokeza a um contacto responsável por localizar Vidic em Milão, onde vivia. Os familiares também foram ameaçados: «Não pode acontecer tudo ao mesmo tempo. Tem de ser um de cada vez.»
As mensagens não sugerem que as ameaças foram concretizadas, mas refletem um plano detalhado. Tudo começou a cair por terra em dezembro de 2020, quando Kokeza pediu aos contactos para suspenderem as ameaças. Meses depois, demitiu-se após acusações de corrupção e de ligação ao crime organizado.
Vidic frisou, em declarações à imprensa sérvia, que não tinha conhecimento do plano orquestrado: «Isto é devastador, para a sociedade, para todos nós. A maior responsabilidade recai sobre a polícia, o Ministério Público e as pessoas que colocam indivíduos como esses em posições de poder.»