Ex-FC Porto termina a carreira: «Muitos sonhariam viver 10% do que eu vivi...»
Aos 35 anos, Eliaquim Mangala decidiu colocar um ponto final na carreira, esta sexta-feira. Um ano depois de deixar o Estoril para representar o Oriente Petrolero na Bolívia, o central pendurou as chuteiras e comunicou a decisão através de um longo vídeo nas redes sociais. Bicampeão pelo FC Porto (2012/13), o defesa também passou por Standard Liege, Manchester City, Valência e Saint-Étienne, somando oito internacionalizações pela França e outros 10 títulos (três Supertaças pelos dragões e uma Premier League pelos citizens).
«Vou terminar a minha carreira. É o momento. Acabou. A maioria das minhas grandes decisões, e falo não apenas do futebol, quando chegam estes momentos em que sinto que é preciso passar para outra coisa, eu sinto-o. Por isso, não penso durante muito tempo, na verdade. Muitas vezes, é um pressentimento e percebo que é o momento. E pronto, acaba», começou por dizer, admitindo que nunca imaginava ter chegado ao patamar em que esteve.
«Estou orgulhoso. Acho que isso é o mais importante. Porque, na verdade, começas com um sonho. És criança, és inocente, sonhas, mas não sabes realmente se vais conseguir concretizá-lo. É um sonho, estás a perceber? E no final, quando olhas para a história, percebes que houve imensas coisas que fiz, consciente e inconscientemente, com que chegasse onde estou hoje, que me permitiram passar etapas, jogar jogos importantes, chegar à seleção, estar em clubes de alto nível», explicou, recordando uma razão especial para não desistir.
«A minha primeira missão foi em relação ao meu irmão, porque o meu irmão teve um acidente e não pode jogar futebol. E quando teve o acidente, ele jogava futebol no bairro, e o meu irmão sempre quis ser jogador. Por isso, sempre disse que, quando estou em campo, jogo por duas pessoas. Tive sempre esse lado em relação ao meu irmão», contou, sendo questionado se cumpriu aquilo que desejou.
«Sim, e até mais. Claro que podemos sempre fazer melhor, porque no futebol não há limites, mas em relação ao que eu imaginava em determinado momento quando era criança, vivi muito mais do que alguma vez pensei. Independentemente do que tenha acontecido - as lesões, os títulos conquistados, uma descida de divisão -, estive em vários países, conheci pessoas, aprendi línguas. É uma mistura de muitas coisas que, no final, acho que é lindíssimo. É uma sorte, é magnífico. Há muita gente que sonharia viver 10% do que eu vivi», atirou, deixando uma nota final.
«Acabou. Obrigado ao futebol, obrigado por tudo. Obrigado a todos os treinadores que tive, a todas as pessoas que me ajudaram no meu percurso, a todos os meus colegas com quem partilhei momentos difíceis e os melhores momentos, porque somos uma grande família no final. Partilhámos coisas incríveis em ambos os sentidos e, para os que vêm a seguir, que têm o desejo e a ambição de se tornarem profissionais ou que acabaram de começar... o mais importante é acreditarem em vocês mesmos. O futebol não é fácil, é um mundo que muda muito, mas algo que nunca deve mudar é o facto de acreditarem em vocês», concluiu.