Nemanja Matic em 2006 (IMAGO)
Nemanja Matic em 2006 (IMAGO)

Ex-Benfica foi lenhador no início de carreira: «Recebia 75€ por mês»

Nemanja Matic subiu a pulso pelas divisões inferiores da Sérvia, deixando fortes reparos à fraca qualidade futebolística do seu país. Critica também ambiente em torno do Man. United

Matic mostrou-se ao mundo do futebol com as cores do Benfica, após uma passagem menos feliz pelo Chelsea na época 2009/10. Mas antes de chegar a Portugal ou a Inglaterra, o percurso do médio, hoje no Sassuolo, foi tudo menos fácil, isto porque na Sérvia ninguém parecia apostar no seu talento.

«Ninguém me queria. Jogava na terceira divisão e o meu salário era de 75 euros por mês. Não conseguia viver do futebol e trabalhava como lenhador com o meu pai», confessou em entrevista à Gazzetta dello Sport. A carreira profissional só arrancou na Eslováquia, ao serviço do Kosice, onde conquistou a Taça em 2008/09 antes de se transferir para o Chelsea.

Os motivos da crise do Man. United

Já recordando a passagem pelo Manchester United, onde esteve de 2017 a 2022, o jogador identificou a pressão como uma das causas para a longa crise do clube. «Para o ambiente, foi difícil perceber que o United não era a equipa mais rica de Inglaterra, nem a mais forte», explicou.

«Lembro-me que, quando jogava lá e fazia a bola circular para trás para mudar de flanco, os adeptos resmungavam. E se Old Trafford resmunga, os jovens podem ressentir-se». Além disso, Matic acredita que a direção «não estava sintonizada com a mentalidade e as expectativas dos adeptos», focando-se demasiado em aspetos como o marketing, que chegava a ocupar duas horas semanais dos jogadores. No entanto, o jogador vê uma luz ao fundo do túnel: «Algo mudou: Carrick foi uma excelente escolha, têm de lhe dar um par de anos para reconstruir a equipa».

«Sérvia não tem qualidade»

Relativamente à seleção sérvia, que representou pela última vez em 2019, o diagnóstico é claro: «Não temos qualidade. Há demasiado tempo que a nossa escola produz jogadores menos fortes do que no passado. E a política entrou no futebol, com péssimos resultados».

Por fim, e apesar dos 37 anos, a paixão pelo futebol mantém-se intacta. «Divirto-me imenso e, em comparação com quando era mais novo, agora tenho mais vontade de treinar e jogar. Talvez por saber que não me resta muito tempo para o fazer», explicou.

Relativamente ao futuro, o caminho parece já estar traçado, com a ambição de passar para o banco de suplentes, mas mantendo a sua identidade. «Serei treinador. Tentando ser eu mesmo, com as minhas ideias e as minhas convicções. Depois veremos se serei capaz», concluiu.