Ex-Benfica entre os acusados de comprar relógios de luxo de contrabando
Um juiz de Andorra acusou sete jogadores, incluindo nomes como Dani Carvajal, David Silva e Santi Cazorla, de envolvimento num esquema de contrabando de relógios de luxo. De acordo com o El Diario, magistrado pretende interrogar os jogadores sobre «a compra, entrega e transporte» de peças de marcas como Rolex e Patek Philippe, adquiridas a uma empresa do principado que alegadamente não declarava os impostos devidos.
A investigação, liderada por Joan Carles Moynat, já solicitou a colaboração das autoridades espanholas para interrogar os atletas na qualidade de arguidos. Além do lateral-direito do Real Madrid, do médio do Oviedo e do já reformado criativo ex-Manchester City, a lista de jogadores residentes em Espanha inclui nomes como Giovani Lo Celso (Betis), Thomas Partey (Villarreal), César Azpilicueta (Sevilha) e o ex-benfiquista Juan Bernat (Eibar).
O caso centra-se em Diego G.C., principal arguido, que se encontra em prisão preventiva em Andorra desde outubro de 2025, enfrentando acusações de contrabando e branqueamento de capitais, crimes puníveis com até oito anos de prisão no principado. Os futebolistas surgem como figuras secundárias, mas relevantes no processo.
Segundo a investigação, o método consistia em importar os relógios para uma sociedade em Andorra, evitando assim o pagamento do IVA em Espanha, antes de os vender aos jogadores. O objetivo, segundo o auto judicial, era «iludir as suas obrigações aduaneiras».
De acordo com a resolução judicial, Partey foi quem mais gastou, desembolsando 415.000 euros por três modelos Patek Philippe entre 2020 e 2022, quando representava o Arsenal. Segue-se Bernat, que terá adquirido quatro relógios (três Patek Philippe e um Rolex) por 367.000 euros entre 2023 e 2025 — recorde-se que o lateral-esquerdo vestiu a camisola das águias em 2023/24 por empréstimo do PSG.
David Silva, por sua vez, terá pago 295.000 euros por quatro modelos Patek Philippe em 2020 e 2021. César Azpilicueta gastou 115.000 euros num Audemars e num Patek Philippe em 2022, enquanto Giovanni Lo Celso comprou dois relógios por 83.000 euros entre 2020 e 2021.
Já Dani Carvajal, que numa entrevista à revista Esquire mencionou que o primeiro [relógio] que comprou foi um «Rolex Daytona de aço», terá adquirido um modelo idêntico à empresa investigada por 64.800 euros em 2021. No caso de Santi Cazorla, o juiz constatou uma transferência de 58.000 euros, mas não foi encontrada qualquer fatura correspondente na contabilidade da empresa.
Fontes próximas do caso indicam ao jornal espanhol que a Guardia Civil espanhola já terá contactado alguns dos futebolistas investigados. Além dos sete jogadores, o juiz pediu para interrogar sete outras entidades espanholas que venderam os relógios à empresa andorrana. Os clubes dos jogadores contactados não prestaram declarações até ao momento da publicação da notícia.
O ex-futebolista David Silva viu-se implicado numa investigação em Andorra sobre contrabando de relógios de luxo, após a autoridade tributária espanhola lhe ter reclamado o pagamento de IVA por um relógio adquirido a uma empresa andorrana sob suspeita. O principal investigado no caso é o empresário Diego G.C., acusado de liderar um esquema de evasão fiscal.
O caso remonta a dezembro de 2020, quando Silva, na altura jogador da Real Sociedad, comprou um relógio Patek Philippe por 120.000 euros à empresa de Diego G.C. em Andorra. Cerca de um ano e três meses depois, a Agência Tributária espanhola notificou o jogador para pagar o IVA em falta, que ascendia a 25.200 euros, acrescidos de 1.079,63 euros de juros de mora.
Após negociações, em março de 2022, o empresário e o futebolista chegaram a um acordo. Diego G.C. assumiu a responsabilidade por não ter declarado nem liquidado o IVA na alfândega espanhola e comprometeu-se a pagar não só o imposto reclamado a Silva, mas também «o valor equivalente a qualquer sanção de natureza tributária» que o jogador pudesse vir a enfrentar.
Um detalhe crucial deste acordo, que não passou despercebido ao juiz andorrano, é a admissão de ambas as partes de que o relógio «foi transportado de Andorra para San Sebastián» por um funcionário da empresa de Diego G.C. Esta informação contrasta com a declaração do empresário em tribunal, onde afirmou não se recordar a quem, onde ou como os relógios eram entregues. Perante esta contradição, o magistrado pretende agora interrogar os futebolistas que compraram os relógios.
A investigação aponta que o esquema visava o lucro através da dedução indevida do IVA. O método consistia em transportar fisicamente os relógios para Espanha sem a devida declaração de exportação na alfândega. A caixa e a documentação eram transportadas noutra viagem, separadamente do produto, para iludir as autoridades.
O principal investigado, Diego G.C., e um sócio foram intercetados por agentes aduaneiros em 5 de setembro de 2025 com dois relógios nos pulsos, avaliados num total de 104.000 euros. A venda tinha sido efetuada da empresa espanhola do arguido para a sua congénere andorrana, mas sem ser declarada como exportação.
As autoridades judiciais atribuem a Diego G.C. a importação de 38 relógios para Andorra, no valor de 1,35 milhões de euros, cuja posterior exportação não foi declarada. Alguns destes relógios ultrapassavam os 100.000 euros, um valor que, segundo o Código Penal andorrano, agrava a pena por contrabando.
O juiz suspeita ainda que o empresário utilizava os lucros não declarados para adquirir veículos de luxo, estando a investigar «numerosos e repetitivos» depósitos na sua conta bancária e a descoberta de 220.490 euros em numerário num cofre bancário.
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