Euro 2026: Portugal empata com a Noruega
Herning assistiu a uma primeira parte mais tática do que emocional num jogo que valia a sobrevivência no Europeu para Portugal e Noruega e que chegaram ao intervalo separados por um golo (17–18), num duelo que começou rápido, quase despido de defesas, mas que rapidamente perdeu intensidade e risco.
Portugal abriu o marcador por António Areia, com os irmãos Costa a assistirem no banco. Uma decisão surpreendente de Paulo Pereira, apesar de João Gomes desde cedo ter mostrado que está numa excelente forma.
A Noruega respondeu com facilidade no ataque e cedo encontrou em Patrick Anderson a sua principal arma: cinco golos sem falhar nos primeiros minutos, aos quais August Pedersen juntou eficácia semelhante. Com Robin Haug a negar algumas bolas importantes na baliza, os nórdicos chegaram aos 6–4 e depois aos 9–7, a maior vantagem da primeira parte.
Paulo Pereira mandou Diogo Valério render Capdeville e a decisão viria a revelar-se muito acertada. O guardião entrou bem no jogo, deu confiança à equipa, que passou a defender melhor e a explorar o contra-ataque.
Cheeky assist from Salvador Salvador 😍🇵🇹#ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/tZSKOPJRpc
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Martim Costa, lançado depois dos 15 minutos, trouxe velocidade e soluções imediatas, assinando golos importantes para manter o marcador equilibrado (12–12, 15–16), quando Rui Silva liderava e fazia com Luís Frade uma dupla excelente no ataque.
No meio do equilíbrio, destaque para eficácia de Patrick Anderson, que terminou os primeiros 30 minutos com oito golos em oito remates, e uma inacreditável situação no banco de Portugal.
Victor Iturriza foi excluído dois minutos devido a uma substituição irregular e obrigado a falhar a entrada na segunda parte.
The Olympiacos goalkeeper Diogo Valério 🇵🇹 is delivering at the right moment! 🤩🔥#ehfeuro2026 #puregreatness @AndebolPortugal pic.twitter.com/1hwwyKhpUM
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O reinício trouxe energia renovada. O marcador manteve-se colado nos primeiros minutos, mas foi a Noruega quem aproveitou melhor uma fase de maior desperdício português e os nórdicos fugiram para três golos de vantagem (20–23).
Mas Portugal não quebrou. Pelo contrário.
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Diogo Valério respondeu na mesma moeda e, a partir daí, o jogo mudou de dono. Cada defesa do guarda-redes português serviu de gatilho emocional para a equipa, que recuperou terreno com paciência. Francisco Costa entrou e precisou de segundos para marcar, voltando a fazê-lo em contra-ataque e colocando Portugal, pela primeira vez, com dois golos de vantagem (29–27).
Os últimos 10 minutos foram de nervos, com poucos erros forçados e muitos não forçados, mas a Seleção Nacional chegou a 31–29 e depois a 34–32, muito sustentado por Valério e Rui Silva. Mas a Noruega usou da frieza necessária para voltar a empatar (34-34).
A 90 segundos do fim, Kiko Costa voltou a colocar Portugal na frente (35–34), mas um livre de sete metros de Pedersen, após exclusão de Luís Frade, voltou a igualar o marcador.
2⃣ saves from both sides concluded the game. 🇵🇹🤝🇳🇴#ehfeuro2026 #puregreatness @AndebolPortugal pic.twitter.com/5qbu1mEW7G
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Já no último minuto, Paulo Pereira pediu desconto de tempo, com 37 segundos para jogar, mas Bergerud negou o golo a Martim Costa. Do outro lado, Jonas Wille fez o mesmo — e Valério respondeu com a defesa que selou o empate (35–35).
A segunda parte ofereceu ao público a intensidade que faltou na primeira parte, mas nem por isso um desfecho melhor.
Mais agressividade defensiva, mais velocidade na transição e, sobretudo, dois guarda-redes a assumirem o jogo como protagonistas. Portugal e Noruega empurraram-se mutuamente até ao limite e terminaram empatados, num desfecho justo pelo equilíbrio, mas cruel para as ambições de ambos.
O problema é que o empate pouco resolve. Com a Alemanha destacada e Dinamarca e França à frente, o sonho das meias finais fica ainda mais seriamente comprometido para ambos. Um jogo de alto nível, decidido nos detalhes — e que deixou a sensação de oportunidade perdida.
Luís Frade, autor de 11 golos em 13 remates, foi eleito MVP e Diogo Valério terminou com a melhor eficácia entre os guarda-redes (32%), decisivo para manter Portugal vivo até ao último segundo.