Abel Ferreira irritado
Abel Ferreira irritado

«Eu vivo intensamente, não vou mudar isso»

Abel Ferreira fala do momento do Palmeiras e aborda novo processo na justiça desportiva

O treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, garantiu que a equipa não irá dar prioridade a nenhuma competição, apesar de se manter em três frentes: Taça/Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão. A declaração surge após o apuramento para as meias-finais da Taça do Brasil, conseguido com um empate a zero frente ao Santos.

«Estamos em todas, não vamos abdicar de nenhuma. Vamos arriscar tudo o que temos para arriscar», afirmou o técnico português, sublinhando que a chave para o sucesso é o equilíbrio. «São poucos os que estão a disputar todas as competições a este nível. O treinador procura sempre o equilíbrio entre ataque e defesa. Adoro quando dizem que o Palmeiras não é bom em nada, gosto assim. Quero não ser bom em nada, mas ser equilibrado em tudo».

Adoro quando dizem que o Palmeiras não é bom em nada, gosto assim. Quero não ser bom em nada, mas ser equilibrado em tudo

O técnico abordou também a recente denúncia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), após ter pontapeado um microfone no jogo contra o Mirassol. O treinador foi denunciado por conduta antidesportiva e pode levar até 6 jogos de suspensão, sendo ouvido a partir de sexta-feira. Abel comparou a sanção com uma situação semelhante na Conmebol. «Eu vivo intensamente, não vou mudar isso. A minha intenção é só uma: melhorar o futebol brasileiro. Na mesma ação na Conmebol, eu pontapeei o microfone e fui multado. Não me suspenderam por um jogo, fui multado. Já fui julgado pelo STJD e levei oito jogos. Eu não matei ninguém. Já disse, eu vivo o futebol intensamente».

Apesar de ser um crítico da arbitragem, Abel Ferreira fez questão de elogiar o árbitro do encontro com o Santos, Davi de Oliveira Lacerda, mesmo depois de ter visto um cartão amarelo. «É deste tipo de árbitros que o futebol brasileiro precisa. Jovens com caráter, que não se deixam afetar por um ambiente vibrante. Ele deu-me um amarelo e eu protestei, porque o Neymar chutou a bola para fora e não levou amarelo, depois o Giay chutou e levou. O árbitro explicou e eu pedi desculpas, porque o meu protesto não foi correto», admitiu.

Por fim, o treinador comentou a fase menos positiva de Vitor Roque, que tem tido dificuldades desde que recuperou de uma lesão. «Sabem o que ele aguentou nas costas em dez jogos no ano passado? Quando me criticavam a mim e à direção, sabem quem suportou e matou no peito? Sou treinador e professor; educação é dizer qual o caminho», disse.

«Ele é um miúdo que precisa de muito carinho e estamos a cuidar dele. Agora, quem tem de fazer pela vida é ele. Se este tipo de atitude ajuda, quem tem de o dizer é ele. Os capitães, a equipa técnica e a direção estão a cuidar dele», rematou.

Abel Ferreira descartou ainda a necessidade de ir ao mercado por reforços, mesmo com as dificuldades causadas por lesões no plantel. «Não vamos buscar por buscar se não há jogadores que se enquadrem no critério da nossa presidente. Se não há, vamos apostar no que temos. O maior risco na vida é não arriscar. Foi o que fiz quando atravessei o Atlântico para o Brasil», reforçou.

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