Estirpe de hantavírus em cruzeiro ao largo de Cabo Verde é transmissível entre humanos
O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, confirmou que a estirpe de hantavírus detetada num passageiro do navio de cruzeiro Hondius é a andina, a única conhecida por se transmitir entre pessoas. O navio encontra-se atualmente fundeado ao largo da cidade da Praia, em Cabo Verde.
Entretanto, esta quarta-feira, três pessoas com suspeita de infeção foram retiradas do navio para receberem tratamento nos Países Baixos, e um outro já retirado e transportado para a Suíça testou positivo.
A confirmação surgiu após a transferência de dois passageiros do navio neerlandês para um hospital em Joanesburgo, na África do Sul. Um deles acabou por falecer, enquanto o outro permanece hospitalizado.
«Os testes iniciais mostram que se trata, de facto, da estirpe andina. Esta é a única estirpe, entre as 38 estirpes conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra», explicou o ministro numa comissão parlamentar.
Recorde-se que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já tinha reportado no domingo a ocorrência de três mortes associadas a um possível surto de hantavírus a bordo da embarcação. Os sintomas relatados entre 6 e 28 de abril incluíam febre e problemas gastrointestinais, que evoluíram rapidamente para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
O navio, com 149 pessoas a bordo, das quais 88 passageiros de 23 nacionalidades, partiu de Ushuaia, na Argentina, a 20 de março. A viagem tinha como destino as ilhas Canárias, com paragens previstas no Atlântico Sul para observação da vida selvagem.
Apesar da gravidade da situação a bordo, a OMS considera que o risco para a população global é, para já, baixo, mas garante que continuará a monitorizar a evolução epidemiológica do surto.
O hantavírus pode causar uma doença grave conhecida como síndrome pulmonar por hantavírus, uma infeção que afeta sobretudo os pulmões e pode evoluir rapidamente para situações fatais.