Esse tão estranho caso Jonas...
Rui Vitória diz que não espera nem desespera por Jonas. Não sei se é verdade. A ser assim, não se entende que o Benfica tenha feito, ao brasileiro de 34 anos, uma proposta de renovação para ganhar o dobro daquele milhão e meio que já ganhava para jogar e fazer golos.
É verdade que o preço do golo anda pela hora da morte, em todas as longitudes e latitudes. Porém, o caso de Jonas é enigmático. O que levará um clube, como o Benfica, a querer continuar a ser dependente de um jogador que, muito previsivelmente, já não poderá voltar a ser aquele que foi?
Eu acho que não pode, a menos que essa coisa da idade seja, como o fair play, uma treta e, se assim for, até que não estou em situação etária de me incomodar com isso.
Mas há mais: Jonas é aquele jogador que tinha, na época passada, uma arreliadora doença crónica, que lhe causava dores nas costas e o impediu de jogar jogos importantes, jogos, até, fundamentais.
Curou a doença ou encontrou, o corpo clínico do Benfica, um novo antídoto infalível? Alguma coisa terá acontecido para que haja tanta insistência e, ao que se diz, uma proposta de três milhões de euros de salário por um jogador de 34 anos, que não raras vezes não jogava por ter dores nas costas.
Jonas vacila e, pelo que as fontes revelam, está a inclinar-se por aceitar a proposta do Benfica. Para não ter dito já que sim, é porque Jonas se está a fazer caro. Algo que, aliás, a crer nas notícias que correm, é uma evidência.
A alternativa para Jonas seria um outro clube, que lhe oferece quase o dobro desses três milhões. Tinha, porém, um problema: viver na Arábia Saudita. Nada que Jorge Jesus, que se julgava não conseguir viver longe de um qualquer restaurante com cabeças de peixe fresco, não tenha aceite.
Na Arábia, é mais fácil comer churrasquinho gaúcho do que cabeças de peixe e, quanto ao calor excessivo, Jonas ganharia o suficiente para pagar a conta de eletricidade, mesmo com o ar condicionado sempre ligado.
Mas Jonas inclina-se para dizer não aos árabes e regressar à Luz. É o entusiasmo na administração do Benfica, que adora que as telenovelas de compras de jogadores acabem em bem.
Uma pechincha: Jonas, com 34 anos, com contrato até aos 36, apenas pelo dobro do que recebia antes, algo que certamente o irá ajudar até no combate às arreliadoras dores nas costas.
Pergunta que não ofende: e se Jonas vier, onde o meterá Rui Vitória? A resposta parece fácil: logo atrás e pertinho de Ferreyra. E joga com doze? Claro que não, um terá de sair. Quem? Salvio ou Cervi? Pouco provável. Fejsa, nem pensar. Defesas, não faria sentido. Então, Pizzi ou Gedson. E destes? Fosse quem fosse, como resistiria a equipa do Benfica, quando em processo defensivo?
Jonas, a regressar, regressa para marcar golos e não para andar a correr, sem bola, atrás de adversários com bola. O que elevaria o grau de dificuldade da equação que Rui Vitória teria de resolver.
No entanto, impensável seria, depois desta aventura e deste imenso esforço financeiro, que Jonas viesse para se sentar no banco. Isso nunca poderia acontecer.
Talvez que a declaração do treinador, que afirma não sentir especial angústia pela vinda de Jonas, ainda tenha alguma coisa a ver com estas questões mal resolvidas. Não se sabe. Como também não se sabe se o Benfica já pensou que um dia, algures neste século, vai ter de aprender a jogar sem Jonas e vai ter de pedir ao seu famoso scouting para descobrir um craque para aquele lugar, mais novo, sem dores, menos caro e ainda capaz de oferecer mais valias.