Enquanto houver estrada para andar…
A gente vai continuar. Recupero aqui o tema de Jorge Palma e, no mesmo sentido, aproveito para mencionar e parabenizar os responsáveis pelo brilhante tifo exibido antes da receção ao Betis na passada quarta-feira.
O arranque após a derradeira pausa de seleções levou o SC Braga a Moreira de Cónegos, onde a vitória foi conseguida com qualidade e justiça, pecando por escassa a vantagem mínima com que o jogo terminou. Sem Rodrigo Zalazar, a equipa foi capaz de se exibir a bom nível e confirmar a superioridade teórica. Já no domingo passado, em casa, frente ao Arouca, foi conseguida nova vitória por 1-0.
Desta vez, além de Zalazar, estavam ausentes também Lagerbielke, Niakaté e Diego Rodrigues, a somar à baixa prolongada de Barisic. Carlos Vicens optou, ainda, por gerir a condição física do plantel, com vista à visita a Sevilha. Aproveitaram a deixa Tıknaz, médio turco nascido em 2004 que se exibiu a bom nível e deixou água na boca para tempos vindouros, e Pau Víctor, que regressou aos golos e assim recuperou confiança no que diz respeito à finalização. A exibição foi de ritmo baixo, mas pautada por superioridade e justiça no seu desfecho. Apenas Cláudio Pereira, com o nível de arbitragem a que já nos habitou, podia ter complicado o cenário, tendo a sorte do Arouca esbarrado na trave.
Pelo meio disto, a receção ao Betis, com um sublime golo madrugador de Grillitsch, que rubricou mais uma exibição de relevo. Seguiu-se um período de alguma superioridade dos espanhóis, que esbarrou no muro checo do Braga. Hornicek é um guarda-redes tremendo, pleno de qualidades e com um futuro que poderá estar ao nível dos maiores da posição.
Apesar da recuperação do controlo das operações, o Braga não foi capaz de ampliar a vantagem, que acabou anulada na sequência de um penálti cometido por Gorby, numa abordagem infeliz. Globalmente, reside em Braga a sensação e a crença de que a passagem à próxima fase é possível.
O coletivo de Sevilha não parece ser marcadamente superior ao de Braga, apesar das suas valiosas individualidades. Nunca será fácil, sobretudo se considerarmos as indisponibilidades, mas é este o nível que a competição exige. Os desempenhos competentes e a capacidade de superação dos Gverreiros de Carlos Vicens insuflam as almas braguistas de crença e vontade de continuar este já longo percurso na estrada europeia. Para tal, será necessário enfrentar e superar os mais de 50 mil béticos no La Cartuja. À semelhança do que se fez em Berlim e Atenas em 2023, em Anfield em 2011 ou… em Sevilha em agosto de 2010.
Que neste regresso ao sul de Espanha se possa escrever mais uma página dourada no livro de conquistas europeias deste clube. É com isto em mente que milhares de braguistas se farão ao caminho. E enquanto houver estrada para andar…