Lance entre Fede Valverde e Samuel Dahl era merecedor de cartão vermelho direto, segundo o especialista de arbitragem de A BOLA

Dois vermelhos por mostrar: a análise de Pedro Henriques ao Benfica-Real Madrid

Valverde agrediu Dahl e Vinícius deveria ter visto segundo amarelo. Tempo extra dado foi escasso.

45+3’ Sem mão. Na área encarnada, Otamendi, após baixar a cabeça e cabecear a bola, acaba por cair, apoiando ambas as mãos no solo, mas em nenhum momento tocou no esférico, nomeadamente com a mão esquerda, que era a que estava mais próxima. Tudo certo, sem qualquer infração.

Positivo
Poucas faltas do jogo, apenas 15. Um árbitro que procura sempre deixar jogar e privilegiar o contacto e a fluidez de jogo.

46’ Fora de jogo. No momento em que Prestianni passa a bola para Rafa, este estava em posição de fora de jogo, o que anulou automaticamente a jogada entre Rudiger e Pavlidis, que, ao cair na área, ficou a pedir infração para pontapé de penálti.

48’ Simulação. Carreras deveria ter visto cartão amarelo, por uma simulação grosseira, quando Otamendi esticou a perna direita mas não tocou no lateral dos merengues. Carreras projetou-se claramente para o solo para ludibriar o árbitro.

Negativo
A gestão disciplinar do árbitro, nomeadamente em relação aos jogadores do Real Madrid. E o racismo que não pode entrar nunca em campo.

49’ Após o golo de Vinícius Júnior, ao minuto, o jogo esteve interrompido dez minutos, depois da queixa que Vinícius fez de Prestianni, que alegadamente teria proferido palavras de natureza racista. O árbitro, sem ter a certeza da circunstância, não pode expulsar Prestianni, que alegadamente teve esse comportamento, mas o jogo tem de estar parado e demorar até ser recomeçado, para marcar e sinalizar bem essa situação. Em situações nas quais a equipa de arbitragem tenha a certeza de que haja mesmo palavras, sons ou gestos de racismo, tem de seguir o protocolo de combate ao racismo da FIFA que estabelece três passos obrigatórios para árbitros:
1. Paralisação do jogo e aviso no sistema de som;

2. Suspensão temporária da partida com equipas no balneário;

3. Encerramento definitivo do jogo.

O protocolo inclui um gesto específico — braços cruzados no peito — para sinalizar a ocorrência.

François Letexier — nota 3

78’ Prestianni, na área do Real Madrid, assim que sente o contacto lateral, projeta-se claramente para o relvado na tentativa de ganhar penálti. O árbitro, bem, mostrou amarelo pela simulação. Mas caso houvesse penálti este seria anulado pelo VAR, pois a bola tinha saído pela linha lateral.

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83’ Agressão. Valverde arma o braço direito e agride com estalo/murro Dahl na cabeça. O árbitro assinalou apenas livre direto, indicação do assistente, mas houve uma conduta violenta, não sancionada. Por ser clara e óbvia deveria ter merecedido a intervenção do VAR.

85’ Ataque prometedor. Vinícius, na tentativa de tirar a bola a Richard Ríos, tocou na perna direita armada para rematar do médio colombiano. Falta clara à entrada da área, que corta jogada de perigo, ou seja, ataque prometedor. Segundo amarelo por mostrar. 

86’ José Mourinho que tinha visto cartão amarelo, por protestos, persistiu e acabou por ser expulso, provavelmente pelas palavras proferidas. O treinador dos encarnados reclamava junto do árbitro o segundo amarelo para Vinícius, após falta que tinha sido assinalada à entrada da área.

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87’ Na marcação de um pontapé livre a favor dos encarnados, Mbappé viu cartão amarelo por não respeitar a posição e a distância a que deveria estar.

90’ Foram dados 12 minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido, que foi pouco para as incidências do segundo tempo. O jogo esteve parado 10 minutos por causa da questão do racismo. Depois tivemos um golo, três amarelos, a expulsão do treinador encarnado, as substituições (três paragens onde entraram cinco jogadores) e os três minutos que foram perdidos na execução do pontapé livre ao minuto 84. Por tudo, isto o tempo adicional deveria ter sido no mínimo de 16 minutos.

90+2’ Amarelo para Sudakov que, em ato de interceção de bola, acaba por pontapear com o pé direito o joelho esquerdo de Vinícius, entrada negligente que travou uma saída em conta-ataque.