(Foto: Liga Portugal)
(Foto: Liga Portugal)

«Dia negro para o futebol português»: proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade chumbada

Paulo Lopo, presidente da SAD tricolor, elogia postura dos Grandes, em contrapartida com uma visão «visão egoísta e de curto prazo» de clubes que não especifica. Assembleia Geral extraordinária foi suspensa.

Paulo Lopo, presidente da SAD do Estrela da Amadora, lamentou o chumbo da proposta de distribuição mecanismo da solidariedade da UEFA pelos clubes da Liga 2, que foi discutida e votada em Assembleia Geral Extraordinária da Liga. Hoje é um dia negro para o futebol português. Na Assembleia Geral de hoje, a proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA não foi aprovada, por não ter alcançado os 75% de votos favoráveis exigidos. Dos 18 clubes da Primeira Liga, faltou um voto para a aprovação, quatro clubes votaram contra e um optou pela abstenção», começou por contar o dirigente em publicação na rede social facebook.

Paulo Lopo criticou «visão egoísta e de curto prazo» que culminou no chumbo da proposta, antes de visar «alguns dirigentes» por «não terem tido a coragem de votar olhos nos olhos dos seus pares, refugiando-se covardemente no voto secreto». O representante do Estrela da Amadora elogiou a posição dos Grandes durante a discussão da matéria: «Importa sublinhar que os clubes grandes foram verdadeiramente grandes no sentido do seu voto. Demonstraram, uma vez mais, que a grandeza também se mede pelas atitudes e pelo compromisso com o todo.»

«Os clubes da Segunda Liga não mereciam esta facada nas costas por parte de clubes irmãos que, ainda há poucos anos, eram igualmente reféns dessa mesma solidariedade. Clubes que hoje, inebriados pelos milhões dos seus investidores, deixaram de olhar para o lado e de reconhecer aqueles com quem, no passado, lutaram juntos contra as mesmas dificuldades e adversidades, e que hoje se encontram fragilizados», frisou.

Paulo Lopo defende que o futebol português «ficou mais pobre, antes de frisar que o Estrela da Amadora «não se revê no dinheiro que irá receber neste contexto». Os trabalhos da Assembleia Geral foram suspensos, já depois da saída de vários presidentes.

Nota completa de Paulo Lopo
Declaração do CF Estrela da Amadora sobre a não aprovação do mecanismo de solidariedade da UEFA Hoje é um dia negro para o futebol português. Na Assembleia Geral de hoje, a proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA não foi aprovada, por não ter alcançado os 75% de votos favoráveis exigidos. Dos 18 clubes da Primeira Liga, faltou um voto para a aprovação, quatro clubes votaram contra e um optou pela abstenção. Quebrou-se, de forma grave, uma regra basilar do futebol: a solidariedade. Uma solidariedade que sempre foi o cimento do nosso ecossistema competitivo e que hoje foi colocada em causa por uma visão egoísta e de curto prazo. Mais grave ainda é o facto de alguns dirigentes não terem tido a coragem de votar olhos nos olhos dos seus pares, refugiando-se covardemente no voto secreto. Falamos de um futebol onde os valores garantidos não permitem, sequer, assegurar o pagamento do salário mínimo a um plantel de 25 jogadores e respetiva equipa técnica. Num contexto destes, a solidariedade não é um favor: é uma necessidade estrutural. Importa, por isso, sublinhar que os clubes grandes foram verdadeiramente grandes no sentido do seu voto. Demonstraram, uma vez mais, que a grandeza também se mede pelas atitudes e pelo compromisso com o todo. Os clubes da Segunda Liga não mereciam esta facada nas costas por parte de clubes irmãos que, ainda há poucos anos, eram igualmente reféns dessa mesma solidariedade. Clubes que hoje, inebriados pelos milhões dos seus investidores, deixaram de olhar para o lado e de reconhecer aqueles com quem, no passado, lutaram juntos contra as mesmas dificuldades e adversidades, e que hoje se encontram fragilizados. O futebol português ficou hoje mais pobre. A ganância individual sobrepôs-se ao interesse coletivo, em claro detrimento da parte mais frágil do sistema. O Estrela da Amadora não se revê no dinheiro que irá receber neste contexto. Não se revê neste novo paradigma de milhões sem responsabilidade social, nem numa lógica de indiferença perante o próximo. Da nossa parte, tudo faremos para repor a justiça solidária e defender os nossos clubes irmãos, porque acreditamos que só com equilíbrio, respeito e cooperação é possível construir um futebol verdadeiramente sustentável. Bem-haja a todos os que votaram favoravelmente, em especial aos clubes grandes, porque acreditamos que juntos conseguiremos construir uma liga mais forte, mais justa e mais solidária. Espero que esta decisão seja suspensa a bem do futebol português!