Defesa de Casillas nega pagamento de €1,5 milhões pela seguradora
Os representantes legais de Iker Casillas vieram a público esclarecer que o antigo guarda-redes do FC Porto não recebeu qualquer indemnização da seguradora Fidelidade, na sequência do enfarte agudo do miocárdio que sofreu em maio de 2019. A defesa sublinha que a seguradora se recusa a efetuar qualquer pagamento por não considerar o incidente um acidente de trabalho.
Os advogados do ex-internacional espanhol explicam que o valor de 1,5 milhões de euros, mencionado no processo que decorre no Tribunal de Trabalho do Porto desde outubro de 2021, corresponde apenas ao vencimento anual que o FC Porto comunicou à seguradora para delimitar a responsabilidade contratual. «De modo algum significa que tenha sido transferido pela Fidelidade para o Sr. Iker Casillas», afirmam, pois tal pagamento implicaria o reconhecimento de um acidente de trabalho, que é precisamente o que está a ser disputado em tribunal.
Recorde-se que Casillas pretende que o enfarte, sofrido durante um treino ao serviço do FC Porto, seja legalmente qualificado como acidente de trabalho. Na petição inicial, o antigo futebolista exige à Fidelidade um total superior a 2,2 milhões de euros, repartidos entre 750.821,91 euros por incapacidade temporária absoluta e 1.521.780,82 euros por incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual (IPATH).
Adicionalmente, Casillas reclama que o FC Porto assuma a parte das indemnizações que considera não estarem cobertas pelo seguro, pedindo ao clube o pagamento de 491.570,32 euros (incapacidade temporária) e 996.324,50 euros (IPATH). O ex-guarda-redes requer ainda o pagamento de futuras despesas médicas e do capital de remição da pensão anual a ser determinada pelo tribunal.
Durante a segunda sessão do julgamento, a cardiologista Natália António, perita nomeada pelo Conselho Médico-Legal, considerou que o treino de alta intensidade realizado por Casillas na manhã do incidente pode ter funcionado como «gatilho» para a rutura de uma placa aterosclerótica. No entanto, a especialista frisou que a causa primária do enfarte foi uma doença coronária pré-existente e não o exercício em si.
A perita acrescentou que, após o evento cardíaco, Casillas passou de um baixo para um muito alto risco cardiovascular, o que o impede de regressar à alta competição. A sua condição acarreta agora um risco acrescido de arritmias, morte súbita e limitações funcionais.
Na primeira sessão do julgamento, o próprio Casillas relatou ter sentido dores no peito, dificuldade em respirar e cansaço extremo durante o treino, antes de ser hospitalizado. O enfarte, segundo o antigo jogador, pôs fim à sua carreira e deixou-lhe sequelas permanentes. «Não posso correr, consigo uns 20 ou 50 metros. Não dá para mais», afirmou em tribunal.
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