De pedreiro a goleador na Premier League: a incrível história de Igor Thiago
O nome de Igor Thiago pode estar apenas agora na ribalta — o ponta de lança do Brentford fez história esta quarta-feira, ao tornar-se no brasileiro com mais golos numa edição da Premier League (16) — mas a história do avançado de 24 anos começou a ser conhecida em 2023/24, quando protagonizou uma grande época no Club Brugge.
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— Brentford FC (@BrentfordFC) January 7, 2026
Foi depois dessa campanha assinalável, na qual apontou uns impressionantes 29 tentos, que despertou o interesse dos bees. Após uma época inicial (bastante) apagada em Inglaterra, com apenas oito jogos. (e zero golos), Thiago tem voado sob o comando de Keith Andrews e surpreendido em terras britânicas.
Em entrevista ao Daily Mail, o atacante recordou a infância difícil em Gama, perto de Brasília, e a altura em que chegou a trabalhar como pedreiro para ajudar a família, após a morte trágica do pai.
«Comecei a trabalhar muito jovem. Os meus primeiros empregos foram a remover ervas daninhas de terrenos quando tinha cerca de 11 ou 12 anos. Via o meu pai e o meu avô a fazer isso nos campos e queria ser como o meu pai, então também comecei a remover ervas daninhas. Às vezes, os vizinhos pediam-me e eu ganhava cerca de 50 reais (cerca de oito euros) por isso.
Valter, pai de Igor, morreu com apenas 39 anos, quando o avançado tinha apenas 13: «Foi um período muito difícil para nós, as coisas em casa começaram a ficar realmente complicadas. O meu pai era uma pessoa muito importante para mim, porque era o meu sistema de apoio. Normalmente não falo muito sobre ele nas entrevistas, não gosto de o fazer, mas acho que chegou a altura de falar um pouco sobre ele. Perdê-lo foi muito duro para mim.»
Pouco depois da morte do pai, começou a distribuir panfletos de supermercados às sextas-feiras, às vezes faltando à escola para o fazer, e a ser pago para levar as compras das pessoas do mercado para casa num carrinho de mão, das 6h30 às 15h30 aos sábados, tudo para ajudar a mãe: «Às vezes, não tínhamos dinheiro para a comida.»
«Também ajudava o meu tio, que era pedreiro. Sempre que ele tinha trabalhos de construção, eu ia com ele. Esses trabalhos, quando eu era criança, foram muito importantes para o meu crescimento. Ensinaram-me a valorizar as coisas, a apreciar o trabalho árduo e motivaram-me a perseguir o que tenho hoje», frisa o dianteiro.
Depois, começou a dedicar-se ao futebol e acabou por ingressar nos juniores do Cruzeiro, em 2019, proveniente do modesto Verê FC. No emblema de Belo Horizonte, chegou até à equipa principal, de onde saiu para aos búlgaros do Ludogorets em 2021.
Os 20 tentos apontados em 2022/23 valeram-lhe uma mudança para a Bélgica, onde a aventura durou apenas um ano antes da desejada mudança para a Premier League, no verão de 2024, a troco de cerca de 33 milhões de euros.