Daniel Bragança não atira toalha ao chão (com o tri na mira)
O episódio 25 da Betano Mag teve como protagonista Daniel Bragança, com o Estádio José Alvalade como pano de fundo, cujo relvado será palco do dérbi com o Benfica do próximo domingo, referente à 30.ª jornada da Liga.
E foi mesmo o dérbi que serviu de mote para a primeira pergunta, com o médio a ser desafiado a avaliar o percurso da equipa leonina e o impacto que este jogo pode ter na luta pelo título. «O percurso até agora tem sido muito bom, apesar de não ter sido perfeito, se não estaríamos em primeiro lugar. Mas, claro que o dérbi é sempre um jogo importante para todos os sportinguistas e também para os benfiquistas, é um dérbi onde se joga muita coisa», respondeu.
Quanto ao facto de o Sporting jogar em casa, o camisola 23 não esconde que é uma vantagem: «O fator casa faz a diferença nestes jogos e sem dúvida que vamos jogar com isso.»
Instado a divulgar, como um dos capitães de equipa, que mensagem transmite antes destes jogos importantes, Bragança delegou essa tarefa. «Normalmente é o treinador que a dá, nós falamos entre jogadores, mas acima de tudo serenidade. Já temos muitos jogadores que já jogaram alguns dérbis, têm essa experiência, o mister certamente passará a mensagem e os jogadores fazem o seu trabalho a nível mental, principalmente, para estarem preparados para este tipo de jogos.»
Após o empate na Luz, a um golo, no encontro da primeira volta, agora é para desempatar? «Claro que sim, o nosso objetivo passa sempre pela vitória, como do outro lado também, e vamos dar o nosso melhor para tentar vencer o jogo aqui em casa», realçou.
E a equipa está confiante na obtenção do tri? «É obrigatório não baixar os braços até o campeonato acabar, portanto, enquanto houver estrada para andar vamos tentar», disse, cauteloso.
Questionado sobre que posição prefere ocupar, o médio mostrou-se disponível para as necessidades da equipa técnica: «Identifico-me mais na posição de médio, ali a 8, que é a minha posição desde sempre, mas também tenho vindo a jogar mais avançado, já no final da minha formação e também na Liga 2 [quando esteve cedido a Farense e Estoril], e aqui no Sporting, também já fiz esse papel, mas estou sempre disponível para jogar onde o mister quiser. É dar o meu melhor.»
'Remontada' deu mais confiança
Daniel Bragança conta com cinco golos marcados e uma assistência feita nos 17 jogos que já cumpriu esta época, em que, recorde-se, começou lesionado. E perante a pergunta se tenta ser um elemento que cria oportunidades para a equipa ou prefere marcar, a resposta foi esta: «Tento ambas. É claro que fazer golo é sempre um sentimento especial, mas assistir também é bom.»
A remontada na receção ao Bodo/Glimt (5-0), após derrota na Noruega (0-3), foi um dos momentos altos dos leões, que Bragança reconheceu que «dá mais confiança ao grupo, porque a união já vem de anos passados, o que está bem assente neste grupo é a união».
'Mister' já mostrou qualidade
Daniel Bragança foi desafiado a revelar como tem sido trabalhar com Rui Borges e a resposta foi perentória: «Tem sido muito bom. Ele já mostrou a sua qualidade, temos lutado por títulos, já ganhámos a Taça de Portugal e o campeonato, temos feito história na Champions, lutamos pelo campeonato mais um ano, ainda estamos na Taça de Portugal, já jogámos uma meia-final, portanto estamos a lutar por títulos. O mister tem dado uma excelente resposta, jogo após jogo, daquilo que é a sua qualidade e nós também temos correspondido às ideias do mister, que também é importante. E as coisas têm corrido bem, eu acho.»
Chegou ao Sporting com tenra idade, em 2007, e desde então em apenas duas épocas não jogou de leão ao peito, por força dos empréstimos a Farense (2018/2019) e Estoril (2019/2020), um percurso que o enche de orgulho. «Uma sensação incrível, desde pequeno que me lembro que este era o meu sonho, chegar à equipa principal do Sporting, jogar em Alvalade e fazer isso durante tanto tempo dá-me prazer e um orgulho enorme naquilo que eu tenho conseguido. É um sonho o que estou a conquistar e já alcancei aqui alguns títulos, se calhar quando era mais novo nunca imaginei ganhar tantos títulos pelo Sporting, mas a verdade é que consegui e sinto-me muito honrado e muito feliz por isso.»
De regresso após longa paragem, devido a rotura total do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, Bragança diz-se a cem por cento: «Estando fora, dentro, já conheço o plantel bem, já estou aqui há bastante tempo, portanto nunca me senti fora, sinto-me sempre dentro. Claro que é diferente estar no relvado ou nas bancadas a ver os jogos, mas sinto-me cem por cento integrado e agora estou a jogar e estou todos os dias com eles nos treinos e sinto-me bem.»
E a pergunta que se impõe: a Seleção é uma ambição? «Claro que sim, acho que para todos os jogadores a Seleção é sempre uma ambição. A realidade é que a nossa Seleção é muito forte, tem grandes nomes, grandes jogadores espalhados pelo mundo, mas nunca descartamos essa hipótese, é trabalhar para um dia talvez lá chegar», realçou.
Irmandade leonina
Desafiado a revelar quem são os jogadores referência na posição que ocupa, tanto a nível nacional como internacional, Daniel Bragança justificou as escolhas. «O meu top-3, neste momento, é Vitinha, Pedri e Bruno Fernandes, acho que são os três médios que melhor atuam na atualidade. A nível nacional, vou dar uma moralzinha ao meu capitão [risos], vou dizer o Morten [Hjulmand]. Identifico-me muito com o jogo do Bruno, porque tem feito épocas excelentes no United e este ano então está absurdo. Este ano, para as pessoas que não olhavam tanto para o Bruno, não davam o reconhecimento que ele merecia, acho que é óbvio o que ele fez. Já conheço o Vitinha há algum tempo, mas o que tem feito nestes últimos anos também tem sido absurdo, acho que para mim talvez seja o meu top-1. E o Pedri também pela sua qualidade, pelo que mostra todos os jogos nestas épocas também tem sido absurdo. São três jogadores que para mim são mesmo muito bons.»
E num plano mais pessoal, Bragança revelou como ocupa os tempos livres e ainda quem são os melhores amigos: «Gosto muito de estar em casa, não sou muito de sair. Também gosto de jogar ténis. Anda por aí, a gente está fora, aproveitar o tempo com a família, ando muito à volta disso. Aqui no Sporting a minha base começou desde 2020/2021 e mantém-se grande amizade com os que ainda estamos cá, Pote [Pedro Gonçalves], Inácio, Edu [Eduardo Quaresma] e Nuno Santos.»