Da 3.ª divisão ao (quase) título: clube de Fehér à beira do sonho na Hungria
Há histórias no futebol que parecem escritas para um regresso em grande e a do Gyori ETO é uma delas. A formação húngara está a poucos passos de voltar a conquistar o campeonato, algo que não acontece desde 2013, e pode mesmo quebrar a hegemonia recente do Ferencváros, vencedor das últimas sete edições.
A recente vitória por 1-0 sobre o rival direto, orientado por Robbie Keane, deixou o Gyori ETO em posição privilegiada, com três pontos de vantagem na liderança e apenas duas jornadas por disputar. Um cenário impensável há uma década.
Em 2015, o clube viveu um dos momentos mais negros da sua história. Problemas financeiros graves levaram à descida administrativa ao terceiro escalão do futebol húngaro. Longe dos grandes palcos, o ETO teve de se reinventar praticamente do zero. Apostou na formação, reorganizou a estrutura e começou uma longa caminhada de regresso.
Ano após ano, o clube foi reconstruindo a identidade. Apostando numa base jovem, sustentada pela formação, o ETO foi crescendo de forma consistente até garantir, em 2023/24, o regresso à primeira divisão, após terminar no segundo lugar da segunda liga. Desde então, a equipa tem vindo a afirmar-se entre a elite, dando sinais claros de evolução e chegando mesmo a ficar a um passo das competições europeias, ao cair à porta da fase de liga da UEFA Conference League já esta temporada.
Agora, à beira de um novo título, este percurso ganha um significado ainda mais especial. Não se trata apenas de ganhar, mas de provar que é possível cair… e voltar mais forte.
O Gyori ETO tem, aliás, uma história rica no futebol húngaro, com quatro campeonatos conquistados (1963/64, 1981/82, 1982/83 e 2012/13), mas este eventual triunfo poderá ter um sabor único, pelas dificuldades superadas ao longo dos últimos anos.
Para os adeptos portugueses, o clube carrega também uma ligação emocional especial: foi aqui que despontou Miklós Fehér, antigo avançado que viria a brilhar em Portugal — com passagens por FC Porto, Salgueiros, SC Braga e Benfica — antes da sua trágica morte em 2004.
Hoje, com uma nova geração a dar cartas e um título no horizonte, o Gyori ETO está perto de escrever uma das páginas mais bonitas do futebol europeu recente — a de um regresso improvável, mas plenamente merecido.