Sintonia entre Francesco Farioli e Villas-Boas decisiva para o sucesso dos dragões — Foto: FC Porto
Sintonia entre Francesco Farioli e Villas-Boas decisiva para o sucesso dos dragões — Foto: FC Porto

Convicção de Villas-Boas fez a diferença

Presidente esteve sempre ao lado de Francesco Farioli. Acreditou nele sem hesitações. Deu-lhe toda a confiança e isso acabou por ser decisivo na conquista do campeonato. Este é o 'Livre sem barreira', espaço de opinião de Hugo do Carmo

O FC Porto já fez a festa de campeão e com a justiça. Foi, sempre, a melhor equipa e cedo se percebeu que os azuis e brancos estavam de volta. Depois da frustrante época de estreia como presidente, Villas-Boas foi o primeiro a perceber que muito teria de mudar no reino do dragão. O dececionante Mundial de Clubes funcionou como alarme e, hoje, acredito, todos os portistas dão graças a Deus pela campanha nos Estados Unidos.

Martín Anselmi, um claro erro de casting, foi despedido e tudo começou de novo. Com outra aposta de risco: Francesco Farioli. O italiano tinha acabado de deixar fugir de forma dramática o título de campeão dos Países Baixos, com o Ajax a ser ultrapassado sobre a meta depois de ter alcançado uma larga vantagem, mas Villas-Boas acreditou nele. Sem hesitações. Deu-lhe toda a confiança e essa convicção acabou por fazer toda a diferença no campeonato.

O futebol é cada vez mais uma indústria e compreendo que os clubes invistam declaradamente em estruturas profissionalizadas, de forma a protegerem-se dos resultados. Todo o reconhecimento para a importância para os departamentos de scouting ou performance, mas continuo a acreditar que a comunhão de ideias é fator decisivo para o sucesso.

O projeto pode até só durar uma época, mas sem uma simbiose perfeita entre presidente e treinador os resultados só por acidente surgem. O FC Porto acabou de demonstrá-lo.

Acredito que Farioli não seja o único responsável por todos os reforços para 2025/2026, mas não há dúvidas que muitas das contratações têm o carimbo do italiano. O mercado de inverno então foi paradigmático, com o treinador a fazer chegar ao Dragão jogadores que já conhecia, como Fofana ou Moffi. O faz-tudo de extrema utilidade Pablo Rosario é só outro bom exemplo.

Depois de uma primeira volta fantástica, com 16 (!) vitórias em 17 jornadas, o FC Porto soube gerir a vantagem na segunda. Sempre com Villas-Boas ao lado de Farioli. Até no discurso. Uma parceria fundamental para a conquista do título.

Benfica e Sporting correm agora pelo segundo lugar, cada vez mais importante financeiramente, dada a possibilidade de permitir o acesso à UEFA Champions League. Uma corrida ombro a ombro, com os encarnados em vantagem por só dependerem deles próprios. Como já se percebeu, o que terminar na vice-liderança vai festejar.

Considero que o 2.º lugar não salva a época, mesmo que seja o Sporting a conquistá-lo e a este junte a Taça de Portugal. Creio que Frederico Varandas pense da mesma forma e é assim que analiso a renovação de contrato com Rui Borges.

Pelo discurso do presidente dos leões fiquei com a convicção que percebeu que tem de dar mais e melhores condições ao treinador. É um bom indicador para a próxima época. Como seria se Rui Costa e José Mourinho terminassem de uma vez com o tabu do fica ou não fica do special one.

Depois de segurar e logo despedir Roger Schmidt, depois de segurar e logo despedir Bruno Lage, o que o Benfica não necessita é de mais uma hesitação…   

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