Schjelderup continua a destacar-se entre as águias. Foto Miguel Nunes
Schjelderup continua a destacar-se entre as águias. Foto Miguel Nunes

Confirma-se: o segundo lugar está mesmo a ser discutido ao centímetro (crónica)

O Benfica foi melhor, mas quase perdia este jogo. Dois golos (bem) anulados por centímetros terão feito a maior diferença, também justificada pela solidez do SC Braga, que garante o 4.º lugar

O Benfica foi mais perigoso que o SC Braga, mas não conseguiu vencer um dos jogos mais difíceis da época e acaba por ver fugir o segundo lugar a uma jornada do fim.

Aos 4 minutos, foi por 4 centímetros que não se colocou na frente do marcador, na sequência de um canto batido para a meia-lua que deixou pelo menos 4 jogadores bracarenses mal plantados na área e Ivanovic finalizou após passe de Schjelderup. No Canadá, onde se aplica experimentalmente a lei Wenger, teria sido 1-0, mas as linhas oficiais da FIFA são quem ordena, e contra matemáticas pouco há a dizer.

Aos 64 minutos, terá sido por mais ou menos 4 centímetros invalidado um segundo golo aos donos da casa, o que daria então o 2-1. Acabado de entrar, Pavlidis respondeu presente a cruzamento (mais um!) de Schjelderup, mas a bola tinha ultrapassado a linha de fundo antes do toque do norueguês.

O lance aos 4 minutos não era, curiosamente, o primeiro sinal dos donos da casa, que ainda antes de cumprido um minuto de jogo já se tinham aproximado da baliza de Hornicek pelo suspeito número um de quase todas as ofensivas. Esse mesmo, Schjelderup, quase serviu Prestianni, valeu a atenção de Gabri Martínez.

Passado o ímpeto inicial, foi a vez de o SC Braga estabilizar o seu jogo e, ainda antes da dezena de minutos, mostrar que não tinha viajado até Lisboa para facilitar. Sem criar grande perigo, o visitante foi tendo cada vez mais bola e equilibrando a partida, mostrando-se, acima de tudo, muito ciente da forma como deveria proteger as suas linhas mais atrasadas. Zalazar, um dos homens do momento, estava no banco devido a amigdalite e a acutilância ofensiva teria de ressentir-se, mas a qualidade dos centrocampistas e dos alas minhotos conferia muita estabilidade.

O Benfica jogou a primeira parte bastante descaído para a esquerda, por força do já referido Schjelderup e de um afoito Dahl, que foi aparecendo cada vez mais pela frente. Saíram da criatividade dos dois — e dos passes de rotura de Aursnes — os melhores momentos do primeiro tempo. Sim, se é verdade que o Braga queria a bola, a verdade é que o Benfica lha foi roubando à medida que os minutos passavam e chegou-se ao intervalo com a clara ideia de que a haver alguém em vantagem teriam de ser os donos da casa. Nenhuma oportunidade gritante, mas muito mais aproximações sérias à baliza adversária, onde mora um senhor guarda-redes chamado Hornicek.

Galeria de imagens 33 Fotos

O checo foi para o descanso sem defesas de elevada dificuldade, mas foi mesmo de Rafa, aos 34 minutos, o melhor remate até ao momento, e a esse o número 1 bracarense respondeu com nível.

A segunda parte começou com duas improbabilidades que colocaram o Benfica na frente: um passe errado de João Moutinho e uma jogada vinda do lado direito encarnado, de onde Prestianni serviu Rafa para o 1-0. Quase tão improvável, após este golo servido a frio, foi a reação bracarense, com a sociedade espanhola Víctor Gomez-Pau Víctor a restabelecer a igualdade menos de dois minutos depois.

Coube aos donos da casa, que precisavam de mais que um ponto, correrem atrás da vantagem. E eles correram, sempre sob a batuta de Aursnes e a acutilância de Schjelderup. Criaram algumas ocasiões, não muitas, e tiveram o tal lance do segundo golo anulado.

Perto do final, o SC Braga mostrou ser equipa muito madura e reequilibrou o texto. Num lance de inspiração pura de Gorby chegou ao 2-1. O Benfica ainda encontrou forças para empatar, de penálti. Mas já o jogo ia na compensação e a força anímica que agora sobrava de um lado já faltava do outro.

A iniciar sessão com Google...