O penálti de Ricardo Horta - Foto: Hugo Delgado/LUSA
O penálti de Ricardo Horta - Foto: Hugo Delgado/LUSA

Concerto europeu de SC Braga e Famalicão teve direito a 'encore' perto do fim

Penálti no último suspiro a favor dos bracarenses repôs justiça face ao que aconteceu durante mais de 90 minutos de alto nível em que a bola nunca foi maltratada. Arsenalistas lutaram contra ressaca europeia e ambição do rival

SC Braga e Famalicão tocaram hino à alegria na Pedreira, que só podia terminar com dois êxitos para cada um dos conjuntos (2-2). Os artistas Rodrigo Zalazar e Gustavo Sá não marcaram presença, mas o espetáculo tinha de continuar. Carlos Vicens trocou quatro elementos da banda que tocou uma melodia inesquecível em Sevilha, na quinta-feira, mas os bracarenses encontraram o ritmo certo logo no segundo minuto.

Vítor Carvalho, cada vez mais defesa central, descobriu Fran Navarro nas costas da defesa do Famalicão com um passe delicioso. O matador espanhol fintou a marcação de Ba e atirou a contar pela 12.ª vez na temporada.

O único representante português nas competições europeias deu o primeiro golpe, mas o aspirante à primeira qualificação da história do clube não caiu. Gil Dias ensaiou um remate em jeito aos 7', mas Hornicek respondeu com mais uma parada característica. Não deu golo, mas o extremo luso prometeu voltar.

O SC Braga sentiu a exibição discreta de Pau Victor e procurou capitalizar a inspiração de Navarro. Horta e Grillitsch tentaram servir o avançado espanhol, mas Ba e De Haas transbordaram segurança. De um corte da defesa do Famalicão saiu o segundo single da noite.

Grillitsch caiu na grande área do Famalicão, David Silva mandou seguir e o Gil Dias aproveitou. Se aos 7' Hornicek agigantou-se, aos 40' o remate em jeito só parou no fundo das redes do SC Braga.

Gil Dias e Sorriso encabeçavam o cartaz do festival ofensivo do Famalicão que capitalizou o golo marcado. O extremo brasileiro fez a cabeça em água a Victor Goméz, mas nunca encontrou parceiro para um dueto que colocasse os visitantes em vantagem.

A primeira parte terminou com um coro de assobios para o árbitro da partida, David Silva, que não atendeu a nenhum dos inúmeros pedidos de penálti. O regresso às cabines antecedeu 45 minutos mais mornos.

O SC Braga regressou com maior mobilidade, capacidade de circular a bola e de servir os avançados em zonas interiores. João Moutinho aproximou-se do último terço, Grillitsch continuou a criar superioridade numérica na construção e Navarro, Horta e Pau Victor elevaram os níveis de harmonia.

Os bracarenses namoraram a baliza adversária em três ocasiões entre os 59' e os 65', mas a falta de inspiração no momento da finalização e a segurança do muro do Famalicão seguraram o nulo. Diz o ditado que quem não marca sofre e Gil Dias quis prová-lo. O autor do primeiro golo dos visitantes ligou a mota pela direita, penetrou na grande área adversária e encontrou, com a ajuda de Moscardo, Rafa Soares desmarcado ao segundo poste.

O lateral esquerdo foi frio e festejou pela primeira vez esta época aos 65'. Carlos Vicens refrescou o meio-campo e colocou a carne toda no assador nos 20 minutos finais, enquanto Hugo Oliveira acrescentou um central para a reta final da partida.

Os bracarenses dominaram em larga escala a posse de bola, mas esbarraram em Carevic. O montenegrino mostrou porque é que pertence à prateleira de cima dos guarda-redes da Liga com uma grande parada a cabeceamento de Tiknaz, aos 85'.

O SC Braga lutou, deixou toques perfumados e foi recompensado no último suspiro. Justin de Haas, com o lance controlado, foi imprudente e acertou com o cotovelo em Victor Gómez, no interior da grande área do Fama, aos 90+6'.

Ricardo Horta, tal como em Sevilha três dias antes, assumiu a responsabilidade e resgatou um empate com um grande remate. O SC Braga, quarto classificado com 53 pontos, manteve distâncias para o Famalicão, quinto com 48, que ganhou um ponto ao Gil Vicente nesta jornada.

A figura do SC Braga: Fran Navarro (7)

Enquanto teve gás, foi importantíssimo na manobra ofensiva bracarense, especialmente na primeira parte. A relação íntima com o golo refletiu-se no remate certeiro aos 2', pleno de frieza e instinto. Mais fresco do que os colegas de ataque, caiu de quando em vez nos corredores e baralhou marcações.

As notas do SC Braga

Melhor em campo: Gil Dias (8)

A toda a velocidade. O extremo luso, a rubricar uma das melhores épocas da carreira, foi sempre o mais esclarecido ofensivamente. Gil Dias testou Hornicek aos 7', antes de transformar as intenções em festejos aos 40'. A defesa subida bracarense sofreu com as arrancadas do antigo jogador do clube que na segunda parte libertou-se do domínio dos homens de Vicens, correu até ao último terço e serviu Rafa Soares. Adulto, matreiro e decisivo

As notas do Famalicão

Carevic (6); Rodrigo Pinheiro (5), Ba (6), De Haas (5) e Rafa Soares (6); Van de Looi (6) e Mathias de Amorim (6); Gil Dias (8), Pedro Santos (5) e Sorriso (6); Elisor (5). Realpe (5), Garcia (-), Abubakar (-).

Carlos Vicens: «A equipa nunca deixou de acreditar»

«A equipa nunca deixou de acreditar, não vi ninguém a baixar os braços nem a cabeça. Isto diz muito deste grupo ambicioso e que quer acabar a época da melhor forma. Não senti que estivéssemos desconfortáveis. Naquela jogada [golo do Famalicão aos 40'] há contacto e com dez elementos em campo durante 15 segundos acabámos por sofrer. Na segunda parte, penso que marcaram na única vez que ultrapassaram a linha do meio-campo com a bola controlada. Senti que era injusto, controlámos melhor a segunda parte do que a primeira. Mas tens duas opções: ou te lamentas pelo que está acontecer e encontras desculpas ou tentar encontrar soluções. Procurámos o golo e marcámos tarde.»

Hugo Oliveira: «O resultado é frustrante»

«O resultado deixa-nos frustrados, no último minuto sofremos um penálti e empatámos num jogo em que trabalhámos tanto com dedicação e competência. Começámos o jogo a perder contra uma equipa muito boa, reagimos bem, podíamos ter marcado e empatámos no final de uma primeira parte equilibrada. O SC Braga começou a criar mais situações de perigo, mais associações. Acabámos por fazer o golo como achámos que íamos fazer na segunda parte e depois fomos competentes. Defender também é uma arte. As defesas do nosso guarda-redes são em lances de bola parada, o SC Braga praticamente não agrediu e o golo caiu do céu. O orgulho não é de hoje, é da caminhada. é isto que nos alimenta, estes jogos contra estas equipas boas nestes estádios. Às vezes dói, hoje doeu. É futebol. Foi um jogo do gato e do rato. Um bom jogo de futebol, bom espetáculo, mas o resultado é frustrante. Não quero que os adeptos vão para casa tristes e frustrados, devem estar orgulhosos desta equipa.»