Do 'ano zero' a 'Donos Disto Tudo': o golpe de estado do FC Porto que está a humilhar os rivais
Há pouco mais de um ano, diziam-nos que o FC Porto estava em ruínas. Entre Vítor Bruno e Anselmi, falava-se de um «ano zero», de cofres vazios e de uma era Villas-Boas que tardaria a dar frutos. Pois bem, se isto que hoje se vê é estar em ruínas, o que dizer de quem está a ver o fumo passar?
O futebol português acordou em 2026 sob uma ditadura de azul e branco que não dá tréguas nem espaço para respirar. O domínio é total, absoluto e... quase insultuoso para a demais concorrência.
O FC Porto lidera a Liga portuguesa com o conforto de quem passeia no Olival. E a ironia suprema? No último domingo, os adeptos dos dragões deram-se ao luxo de celebrar os golos do Benfica frente ao Sporting. É a humilhação final: o líder agradecer ao eterno rival para carimbar, de forma oficiosa, um título que já tem o champanhe no gelo.
Mas desengane-se quem possa pensar que este sucesso é mero fruto do acaso ou apenas da mão de ferro que se vai vendo na equipa principal. Não. O buraco é muito mais fundo.
Se não, vejamos... Temos de recuar 28 anos — sim, leu bem, 28 anos! — para encontrar um FC Porto com este apetite voraz. Desde 1997/98 que a formação portista não produzia tantas dores de cabeça em Lisboa. Porquê? Simples! Com abril a chegar ao fim, o FC Porto comanda os três principais campeonatos dos escalões jovens. Na fase de apuramento de campeão dos Sub-19, ou Juniores, o Benfica está já a uns distantes 10 pontos. Nos Sub-17, ou Juvenis, o SC Braga é o perseguidor mais próximo, mas já a nove pontos, com águias e leões a verem a placa de proibido ultrapassar a dez de distância. E nos Sub-15, ou Iniciados, o golpe de misericórdia veio no domingo: 3-2 ao Sporting e liderança isolada, com vantagem de três pontos.
É o triplete jovem a desenhar-se no horizonte azul e branco, algo que não acontecia desde o século passado, desde os tempos em que o FC Porto, com Pinto da Costa no comando, ainda construía o caminho mítico rumo ao único penta da história do futebol português.
Mas há um detalhe que faz estremecer os rivais e o torna o cenário ainda mais negro para quem não viaja pela A1 rumo ao Norte: tal como nessa época, também agora o FC Porto acrescenta aos primeiros lugares nos três escalões jovens, a liderança na Liga. É o pleno. Uma razia.
O que mudou? Onde está a crise financeira que ia deitar o clube abaixo? Pelos vistos, a competência não precisa de extratos bancários recheados quando há uma estrutura que sabe o que faz. Enquanto o Sporting de Rui Borges se desmorona sob o peso da responsabilidade e o Benfica se contenta em ser o fiel da balança de um título alheio, o Dragão devora tudo o que lhe aparece à frente. Dos Iniciados aos Seniores, o FC Porto não joga só para ganhar; joga para mostrar que, no futebol português, há quem mande. E, neste momento, Lisboa está de joelhos.
Se isto não é um murro no estômago do centralismo, não sei o que será. Preparem as faixas, porque o azul vai tingir o mapa de lés a lés e Villas-Boas pode conseguir o que nem Pinto da Costa logrou alcançar.