Noruegueses receberam e venceram o Inter, por 3-1, somando a terceira vitória consecutiva na competição, algo nunca alcançado, até hoje, na prova por um clube da Noruega. #DAZNChampions

Como um piloto da Força Aérea ajudou a mudar o Bodo/Glimt

Em 2017, com a descida de divisão, o então adjunto e hoje treinador principal contratou um ‘mental coach’ que iria fazer toda a diferença no futuro

Conto de fadas, milagre, surpresa. A Europa continua de boca aberta face ao que o Bodo/Glint tem vindo a fazer na Liga dos Campeões. Um clube de uma cidade de apenas 53 mil habitantes, um estádio para 8.270 espectadores e um plantel maioritariamente formado por jogadores noruegueses que teve de esperar 104 anos para ser campeão pela primeira vez, representa uma das melhores histórias do futebol da era contemporânea.

Há muitos casos de emblemas de pequena dimensão que atingiram picos de felicidade, mas poucos com esta consistência: porque foi sempre a subir desde que caíram de divisão, em 2017, um ano que acabou por se tornar fundamental. Uma das decisões, então por aconselhamento do então treinador-adjunto e hoje técnico principal, Kjetil Knutsen, foi a contratação de um oficial da Força Aérea que viria a ajudar a equipa a ganhar um foco nunca antes visto.

Bjorn Mannsverk nem sequer gosta muito de futebol. Passa 75 por cento do seu tempo a trabalhar para o Fundo Soberano de Pensões da criado com a venda de petróleo da Noruega, mas formou-se em treino mental depois de passar mais de 20 anos como piloto de caças. Em entrevista à Sky Sports, revelou que ensinou os jogadores separar as emoções e sentimentos das ações. «Quando deixamos cair bombas e vemos um inferno em chamas, isso provoca-nos um sentimento», afirmou. Saber o que fazer a seguir é a chave

Nesse ano de 2017, quando o clube tinha caído para o segundo escalão, Mannsverk identificou os jogadores que precisavam de maior apoio. Ulrik Saltnes foi um deles. «Queria desistir do futebol, estava farto de falhar, a dor era muita», revelou o avançado, hoje com 33 anos. Bastaram seis meses com o mental coach para recuperar. Nos 30 jogos seguintes marcou 15 golos.

Todos os jogadores, sem exceção, ganharam uma frieza típica dos ventos do Ártico. Disciplina em campo e fora dele, o primeiro título em 2020 e outros que seguiram em 2021, 2023 e 2024, roubando o protagonismo ao Molde onde jogaram, por exemplo, Haaland e Aursnes.

José Mourinho foi uma das primeiras vítimas, ao ver a sua Roma goleada por 1-6 na Liga Conferência, depois o FC Porto de Vítor Bruno na Liga Europa e nesta Champions os poderosos Manchester City (3-1), Atlético Madrid (2-1) e Inter (3-1 e 2-1), todos de seguida, o que torna o Bodo/Glimt a primeira equipa norueguesa a vencer quatro jogos seguidos na principal competição da UEFA.

O Bodo/Glimt não disputou qualquer jogo nas provas nacionais nos últimos 87 dias, tendo passado a pausa invernal na Noruega no sul de Espanha, entre Marbella e Benidorm. Por ali deve continuar à espera do próximo adversário da Champions… que pode ser o Sporting. Para o oficial da Força Aérea e mental coach, os jogadores continuam a ser os grandes heróis. Como dizia ao El País: «É mais difícil ser futebolista do que piloto de caças.»