Calor, o calcanhar de Aquiles de Jannik Sinner
O colapso físico de Jannik Sinner em Roland Garros, esta quinta-feira, voltou a acender o alerta sobre uma fragilidade que há muito persegue o tenista italiano: a sua notória dificuldade em competir sob calor extremo. O número um mundial cedeu em Paris frente a Juan Manuel Cerundolo, num encontro pautado por altas temperaturas que lhe provocaram cãibras e dificuldades em manter-se de pé.
Este, porém, não foi um episódio inédito. Recorde-se que, no Open da Austrália, Sinner enfrentou uma situação semelhante no embate da terceira ronda contra Ethan Spizzirri. Na altura, as cãibras deixaram-no praticamente imóvel, mas o fecho do teto do court no momento mais crítico permitiu-lhe recuperar e garantir a vitória. «Tive sorte com o fecho do teto», reconheceu o próprio.
O incidente na Austrália já tinha levantado o debate sobre se esta vulnerabilidade às altas temperaturas teria uma origem física ou até genética, uma discussão que agora ganha novo fôlego. O italiano, por sua vez, prefere não tirar conclusões precipitadas, embora admita ser uma área que está a trabalhar para melhorar.
«Não sabemos. Fisicamente sinto-me bem, mentalmente também, e às vezes a única coisa que posso fazer é lutar. É algo em que gostaria de melhorar. Vou ao ginásio todos os dias para isso, mas cada jogador tem os seus pequenos problemas e talvez este seja o meu», explicou.
Consciente do problema, a equipa do atleta procura ativamente soluções. Uma das estratégias passa por realizar parte da pré-época no Dubai, de modo a adaptar o corpo a condições mais exigentes. «Vamos ao Dubai pelo clima. Às vezes sinto que não há uma explicação real. Não dormi bem e talvez isso também tenha influenciado», comentou.
Curiosamente, apesar de se sentir mais confortável a jogar em sessões noturnas e de ter dificuldades evidentes sob sol intenso, a Austrália continua a ser um dos seus palcos de maior sucesso, onde soma 17 vitórias e dois títulos consecutivos.
Para já, Sinner evita falar de um problema concreto ou de um diagnóstico médico. Contudo, o episódio em Paris reabriu a discussão sobre as razões que levam o tenista a sofrer mais do que os seus adversários quando o termómetro sobe.