Matthew Freese, guarda-redes dos Estados Unidos do Mundial 2026
Matthew Freese, guarda-redes dos Estados Unidos do Mundial 2026 - Foto: IMAGO

Cometeu erro que ditou eliminação do Mundial 2026 e atira: «Doeu, foi devastador...»

Matt Freese, guarda-redes dos Estados Unidos, confessou que não tem sido fácil digerir o terceiro golo sofrido diante da Bélgica nos oitavos de final, em que admite culpa

A eliminação dos Estados Unidos nos oitavos de final do Campeonato do Mundo, frente à Bélgica (1-4), ficou marcada por um erro crasso do guarda-redes Matt Freese, que originou o terceiro golo belga e sentenciou a partida. O guardião descreveu o momento como «devastador», em conversa com o The Athletic, mas procura agora seguir em frente, agarrando-se às memórias positivas da competição.

Apenas cinco dias antes da desilusão em Seattle, Freese e a seleção norte-americana viviam um momento de euforia. Em Santa Clara, na Califórnia, os EUA venceram a Bósnia por 2-0 nos 16 avos, naquela que foi a primeira vitória da equipa masculina numa fase a eliminar de um Mundial desde 2002. O guarda-redes recorda a celebração no relvado, com os jogadores de braços dados a cantar Country Roads com o estádio esgotado, como o seu momento favorito do torneio. Contudo, o contraste não podia ser maior no jogo seguinte.

Contra a Bélgica, os Estados Unidos foram claramente superados, perdendo por 1-4. O momento que quebrou em definitivo a equipa aconteceu aos 57 minutos. Freese saiu da sua área para tentar cortar uma bola longa, mas falhou o alívio com o pé esquerdo. Na tentativa de emendar com o direito, a bola ressaltou no avançado belga Charles De Ketelaere e sobrou para Hans Vanaken, que não desperdiçou a oportunidade, quase de baliza aberta. O erro foi agravado por uma tentativa falhada de bloqueio do defesa Tim Ream, e o resultado passou de 1-2 para 1-3, acabando com as esperanças norte-americanas.

«Doeu. Foi devastador», confessou. «Naquele momento. Nas horas e dias que se seguiram». Apesar da exibição ter sido a pior da equipa no torneio, a eliminação foi um choque pela forma como aconteceu, especialmente depois de uma fase de grupos inspiradora que uniu os adeptos. Freese admitiu que a ambição do grupo era genuína: «A primeira coisa que me vem à mente é o quanto eu queria e o quanto nós queríamos como grupo. Sempre dissemos que queríamos ganhar o Campeonato do Mundo. Não era uma resposta falsa para a imprensa. Era genuíno!»

Após o apito final, o selecionador Mauricio Pochettino reuniu os jogadores no relvado, pedindo-lhes que usassem a dor como motivação para o futuro. Freese recordou a dificuldade de assimilar as palavras no momento. «Na altura, é difícil sequer ouvir, porque significa que a nossa jornada terminou, mas esse discurso é algo em que pensamos seis meses depois, quando precisamos de motivação. Daqui a dois anos, quando nos estivermos a preparar para o verão de 2028», disse.

Apesar do sabor amargo da derrota, Freese prefere focar-se nos aspetos positivos, como a união sentida durante a fase de grupos e a vitória sobre a Bósnia. «Não tinha realmente assimilado as outras vitórias. As emoções eram de gratidão e orgulho. Jogar perante aquela multidão, ganhar um jogo e saber que havia mais de 33 milhões de pessoas a assistir. Num momento como aquele, o país está unido. Estar em campo para isso foi incrível», admitiu.

A vida continua para Matt Freese, que regressa à competição na MLS pelo seu clube, o New York City FC. Para o guarda-redes, há mais para recordar deste Mundial do que apenas um momento de devastação. «A minha esperança para este torneio não é apenas continuar o crescimento da modalidade ao mesmo ritmo, mas sim impulsionar esse crescimento e catalisar um novo amor pelo desporto neste país. Ver camisolas e cartazes a inundar as ruas das cidades onde estivemos, ver vídeos da mesma coisa a acontecer por todo o país, são cenas que recordarei para o resto da minha vida», concluiu.

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