Marco Silva no Benfica-Gil Vicente (foto: Miguel Nunes)
Marco Silva no Benfica-Gil Vicente (foto: Miguel Nunes)

Caso Durán, posição de Rafa e... Luís Pinto: tudo o que disse Marco Silva

Treinador do Benfica explicou gestão «muito fácil» da situação do avançado colombiano na preparação para duelo da Taça da Liga, garantiu que percebeu «frustração» do treinador adversário. E se os papéis estivessem trocados?

Marco Silva analisou vitória do Benfica diante do Gil Vicente (3-1) em conferência de imprensa, no Estádio da Luz.

— Jogue quem jogar a identidade da equipa está solidificada. Esta é a primeira conquista da época?v

—Estou muito satisfeito. É um objetivo claro nosso enquanto equipa técnica termos uma identidade clara e jogando o jogador A, B ou C conseguirmos manter. Hoje foi importante percebermos isso também. Em algumas questões, um pouco diferentes, construímos muito mais a quatro quando estávamos com o nosso bloco um pouco mais alto. Libertamos sempre mais um lateral de um corredor do que o outro que chega depois já numa segunda linha. Até pela questão de jogarmos com dois laterais de perna esquerda e pelas características do El Karouani construímos mais a quatro num primeiro momento e depois há liberdade em cada corredor para cada um deles se incorporar de uma forma mais clara. Uma questão estratégica pontual, de resto a identidade esteve lá. Foi um jogo equilibrado num primeiro momento. Nós sempre mais em meio-campo ofensivo como nos competia, mas com o Gil sempre a dar uma réplica muito boa. Nós com uma ou outra boa oportunidade para fazer o golo, não fizemos e depois há um momento também muito importante do Trubin com uma grande defesa a manter a baliza a zeros. Depois  do 1-0 a equipa soltou-se ainda mais, os jogadores começaram a expressar muito mais aquilo que é o nosso futebol, as combinações começaram a aparecer com muito mais fluidez e a partir daí tivemos momentos muitos muito bons, boas combinações por dentro. Acabámos por fazer uma exibição boa e alcançar uma boa vitória para nós. O objetivo claro era estar na final four, de uma forma merecida fizemos quatro golos. Mais um resultado expressivos, os jogadores estão de parabéns por isso mesmo. O objetivo era claro e conseguimos.

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— O que é que sentiu quando o Sudakov colocou aquela bola dentro da baliza?

— Satisfeito. É sempre importante perceber que ele é capaz de definir, de fazer golos e ser feliz neste tipo ações. Ele precisa disso, não vamos estar a dizer que não porque qualquer jogador precisa e ele tem de acrescentar isso ao jogo dele. Grande finalização e um bom jogo também numa posição mais recuada, no momento defensivo, porque com bola é precisamente igual, não há não há grandes diferenças.

— O treinador do Gil Vicente disse que ganhou quem queriam que ganhasse. Ficou admirado por poder contar com Durán para este jogo?

— Não sabendo de todos os timings tentei informar-me de reuniões e de quando saem os castigos, não fazia a mínima ideia antes deste jogo. É óbvio que após o Santa Clara tentei saber e a partir do momento que sabíamos que havia uma reunião a tempo, tive sempre muita esperança que o Jhon Durán pudesse estar no jogo. Se não fosse o Durán ia jogar o Pavlidis. Percebi todas as declarações do Luís e a frustração dele porque muito do que ele disse não tem a ver com este jogo em particular. Ele até fala da forma como os jogos estão emparelhados e acaba por dar os parabéns pela forma como é organizada a final four. Pareceu-me que falou muito da forma como está preparado para se chegar lá. Eu não sou a pessoa indicada para falar sobre isso. O calendário está feito desta forma e não vou fazer nenhum comentário sobre isso. Tinha muita esperança que o Durán fosse despenalizado porque não fez absolutamente nada. Eu percebo a frustração, mas se queremos a verdade desportiva... Se o Durán não pudesse jogar hoje esqueçam a verdade desportiva porque não existia, foi um erro ter sido expulso quando não fez nada para ser expulso.

— O Rafa entrou muito bem na partida, construiu praticamente sozinho o golo do Durán. Se o Rafa a jogar no corredor central pode recuperar a influência que teve na equipa no início de temporada? 

— O Rafa teve e vai continuar a ter influência e a jogar. O Rafa quase nunca esteve no corredor em quase todos os jogos que fez este ano, no papel está, mas com bola nunca. Quem está sempre ou quase sempre lá em organização ofensiva é o lateral direito. Hoje foi um pouco mais à esquerda porque entrou para aquela posição. O jogo estava mais aberto, o Gil estava com uma postura diferente, começou a organizar a três, começou a libertar os laterais. Estava um jogo mais partido, com muito mais espaço. O Rafa, o Dodi, o próprio Durán são jogadores que, com este tipo de espaço, são muito perigosos. O Rafa teve uma entrada muito boa no jogo e importante no momento que o Claudio já estava completamente sem energia. Era o momento de colocar um jogador com características do Rafa que pode jogar por fora e por dentro. É bom tê-lo e é bom poder usá-lo da forma que a equipa precisar, ele está preparado para isso.

— Como é que geriu a situação do Durán ao longo do dia. Só decidiu o 11 depois de saber que podia contar com ele, teve de dizer a outro ponta de lança que afinal já não ia jogar?

 — De forma muito fácil. Convocámos os jogadores que queríamos convocar, convocámos um jogador a mais na perspectiva dele poder estar ou não estar. Preparámos com a equipa toda a estratégia para o jogo. Ainda hoje no treino de manhã fizemo-lo com os jogadores e depois quando anunciei o onze à equipa tínhamos a informação de que o Durán podia jogar.

— Como é que reagiria ao caso Durán se estivesse no lugar do Luís Pinto? 

— Não consigo dizer porque não estou no lugar dele, já disse que percebo a frustração dele, mas tenho de responder desta forma. Está-me a perguntar se tivesse no lugar do Luís Pinto, mas não perguntou ao Luís Pinto como é que reagiria se estivesse no meu lugar. Não perguntou ao Luís Pinto que se tivesse um jogador do expulso sem fazer nada depois do jogo e como é que preparava no meio lugar. Ele foi muito abrangente da forma como falou, referiu-se muito à questão de como estaria calendarizada a Taça da Liga. Percebo a frustração, não sei dizer como é que me iria sentir se estivesse no lugar dele.

—O Benfica vai marcar encontro com o FC Porto nas meias-finais. É uma oportunidade de mostrar algo diferente daquilo que foi mostrado no campeonato?

—Estamos a falar de janeiro, temos tantos jogos até lá. Será uma meia-final, um jogo a decidir. Não vou estar a entrar nesse jogo, temos muito tempo falar sobre ele quando chegar a altura.

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