Carlos Vicens e o dérbi com o Vitória: «Teremos de oferecer a nossa melhor versão»
- O SC Braga tem a hipótese de conquistar o primeiro troféu da época e o Carlos Vicens pode vencer o primeiro título enquanto treinador principal. Por ser um dérbi minhoto, que desafios espera que o Vitória de Guimarães apresente amanhã e que SC Braga vai entrar em campo?
- Vai ser um jogo muito difícil. O Vitória vem com uma dinâmica positiva, creio que é uma equipa que está em crescimento e que, tal como vimos recentemente, não se rende, é uma equipa solidária, trabalhadora e que também sabe jogar. Obviamente que vai jogar as suas cartas para tentar ganhar e nós temos de ser uma equipa capaz de contrariar tudo isso. O SC Braga que teremos amanhã será um SC Braga com muita personalidade, capaz de impor o seu jogo e de ter o caráter necessário para viver os momentos do jogo que não estiverem a nosso favor. Teremos de saber sofrer com as adversidades que possam surgir e ter uma mentalidade muito forte para oferecermos a nossa melhor versão. Somos, obviamente, um SC Braga muito motivado, com energia muito alta para tentarmos conseguir uma vitória que nos deixe felizes.
- O SC Braga já conquistou por três vezes a Taça da Liga, o Vitória nunca ganhou. Além disso, o SC Braga também já ganhou mais vezes a Taça de Portugal e no campeonato tem ficado quase sempre à frente do Vitória, Atualmente, também está à frente, tem mais dois pontos na classificação. Todos estes dados dão algum favoritismo ao SC Braga para a final de amanhã?
- Não. É um jogo diferente, com uma energia especial, é uma final, um dérbi e tudo o que tem acontecido não serve para nada. Inclusivamente o nosso último jogo contra o Benfica. Amanhã começa tudo 0-0 e temos de ganhar o direito de conquistar a partida, através do esforço, do espírito competitivo, de sermos uma equipa e de sabermos sofrer. Temos de ter muita personalidade, sermos solidários com cada um dos nossos companheiros de equipa. É isto que nos poderá dar a vitória e não as vezes em que o clube já chegou a finais ou as que ganhou.
- O facto de para a generalidade dos adeptos de futebol o SC Braga ser considerado favorito pode alterar a forma como os jogadores vão encarar este desafio?
- Não, penso que não. Acho que os jogadores vão encarar a partida de amanhã tendo muito claras as dificuldades que o nosso adversário nos vai apresentar. Vamos preparar o jogo sabendo o que de muito bem fizemos há três dias, mas isso não nos dá nada. Teremos de ganhar direito a conquistar o título, com esforço, sacrifício, personalidade e a saber sofrer, sem nunca dar uma bola por perdida e com muito foco. Assim, oferecendo uma boa versão de todos os jogadores que tivermos em campo, estaremos mais perto de conquistar o troféu.
- Não gosta de individualizar, mas nota-se muito a diferença na equipa quando jogam o Lagerbielke e o Zalazar. As características dos jogadores para a escolha inicial da equipa?
- Obviamente que temos jogadores que estão aqui porque os quisemos. Ninguém está a descobrir agora o Zalazar, porque já é conhecido e porque já desfrutam dele há algumas temporadas, o Gustaf [Lagerbielke] é mais recente. Preparamos cada jogo tendo em vista muitas coisas e também as condições físicas de cada um. Pensamos sempre nos perfis dos jogadores e de quais precisamos mais naquela posição. Na posição do Gustaf [Lagerbielke] já temos visto o Vítor [Carvalho], o Sikou [Niakaté], o Paulo [Oliveira]... Vamos pensando, dentro dos que estão disponíveis, quem nos dá o quê em cada posição. Em relação ao Rodrigo [Zalazar], no outro dia também jogou o Pau Victor nessa posição um pouco mais recuada, algo que nos dá outras coisas. E temos tido versões brilhantes. A equipa está muito bem coletivamente. Em qualquer equipa os jogadores acabam por sobressair graças ao sustento coletivo. As interações que há em campo entre os diferentes jogadores permite que cada um aumento o seu rendimento individual. Mas há mais, como por exemplo o trabalho às vezes mais invisível de outros jogadores.
- Vai apresentar um onze semelhante ao que jogou contra o Benfica, ou, por ter tido um jogo há dois dias, está a pensar fazer alterações?
- Fazemos avaliações médicas e físicas para sabermos a condição dos jogadores e em função disso, do pouco trabalho de campo que temos, vamos tomar decisões. Depende dos níveis de energia e de recuperação dos jogadores. Eles têm de nos dar muitas informações sobre quem poderemos utilizar de início amanhã.
- Já se imaginou com a Taça? Acha que esta noite vai dormir bem? E o facto de o SC Braga ter menos 24 horas de recuperação relativamente ao Vitória de Guimarães pode pesar?
- Isso só iremos descobrir amanhã. Podemos imaginar que este ou aquele está mais ou menos recuperado, mas talvez na primeira meia hora de jogo vamos saber se aquela recuperação que imaginávamos aconteceu com o jogador, o tal nível de energia. E nós teremos de estar também muito atentos a estas situações durante o jogo de amanhã. Taça na mão? Tento que não. Teremos que enfrentar a partida de amanhã dando a informação necessária à equipa. O meu foco está muito nisto. Ver muitos jogos e informação do nosso adversário, ver também o nosso jogo [com o Benfica] e perceber algumas coisas que às vezes em direito nos escapam, e tentar ajudar o melhor possível a equipa.
- É impossível escapar ao tema do boicote das claques a estes jogos. Tem-se visto, ainda assim, muita procura de bilhetes. Acha que os adeptos do SC Braga vão responder e que a equipa vai ser fortemente apoiada?
- Sim, não tenho dúvidas. Em primeiro lugar, respeito a opinião dos adeptos. Estiveram a apoiar-nos no jogo com o Benfica e estando presentes ou não na final, dão-nos o seu calor, seja de forma presencial ou até espiritual, se quiser. Sei que vão estar com a equipa, isso é percetível na cidade e ao nosso redor. Estou seguro de que, apesar de podermos não ter essa fação de adeptos, as nossas claques, a equipa vai ser muito apoiada, desde logo a partir da saída do autocarro para Leiria. Essa energia vai sentir-se na equipa e tentaremos fazer o melhor possível ganhando amanhã.
- Mesmo sendo um treinador estrangeiro, já se apercebeu, certamente, da importância dos denominados três grandes em Portugal. O facto de esta ser uma final entre duas equipas que não fazem parte desse grupo, que importância é que isso pode ter para o futebol português?
- Penso que vamos descobrir depois, com a cobertura e a importância dada ao jogo. Eu estou focado em preparar o melhor possível o jogo. Veremos que transcendência será dada ao jogo. Penso que poderá ser positivo. São duas equipas que estão nesta final por mérito próprio e creio que isso demonstra o nível que há no futebol português. Como pode também ver-se o que o SC Braga está a fazer nas competições europeias. Penso que há que dar esse valor, mas não sou eu que tenho de o fazer, a minha missão é ajudar a equipa a conquistar a vitória.