Relatório da UEFA aponta prejuízo de 148 milhões nos clubes da Liga
Os clubes do principal escalão do futebol português acumularam um prejuízo de 148 milhões de euros em 2024, o que dá um resultado negativo de 8,2 milhões de euros por clube, em média. Só França (-10M€) e Bélgica (-14M€) fazem pior, dentro das 10 principais ligas.
Este dado consta de um relatório da UEFA, sobre o panorama das finanças e dos investimentos dos clubes do continente, apresentado esta quinta-feira. Um documento que apresenta as contas fechadas de 2024, em vários parâmetros, e que apresenta também as respetivas estimativas para 2025. Na perspetiva global, o principal destaque vai para a receita global dos clubes dos principais escalões, que no último ano terá atingido o patamar recorde dos 30 mil milhões de euros.
Em 2024 esse valor ficou fixado nos 28,6 mil milhões, conforme indica o documento, que prevê um crescimento de 9,7%.
«Após uma década que incluiu um dos períodos mais difíceis que o nosso desporto e a nossa sociedade já enfrentaram, o futebol europeu emergiu para uma posição sólida», refere o presidente da UEFA, na nota introdutória. «As tendências sugerem que o ecossistema mais amplo do futebol europeu está a funcionar bem, com benefícios sentidos em todos os países e competições», acrescenta Aleksander Ceferin.
O relatório indica que, na última década, as receitas cresceram em todas as principais ligas dos membros da UEFA, mas também é reconhecido que a maior fatia continua muito concentrada nos principais campeonatos e nos principais clubes.
Ao olhar para as origens da receita, a UEFA destaca uma tendência da última década: as receitas televisivas até cresceram de forma significativa, 59%, mas abaixo de todas as outras, considerando prémios da UEFA (+153%), receitas comerciais de patrocínio (+82%) e bilheteira (+75%). As receitas com transferências aumentaram 211%, mas não são incluídas em receitas operacionais.
Embora veja com bons olhos quando os clubes procuram novas fontes de rendimento, a UEFA alerta para o aumento significativo de custos operacionais.
«A parte da receita absorvida pelos custos operacionais não salariais está a aumentar constantemente: de 30% em 2021 para uma previsão de 36% em 2025», detalha Andrea Traverso, Diretor de Sustentabilidade Financeira e Pesquisa da UEFA.
«Está bastante claro que não existe espaço para complacência. Algumas tendências, relativas aos custos operacionais, aos números de staff, e aos salários de não-jogadores, vão requerer muita atenção da nossa parte», avisa Ceferin.
De referir que, apesar do valor recorde de receita, os clubes europeus não estão em terreno positivo. Em 2024 foi registado um ponto de equilíbrio (break-even), com a expectativa de que os lucros voltem no próximo relatório.
618 milhões de receita em Portugal
O relatório da UEFA indica que, em 2024, os clubes do principal escalão de Portugal acumularam 618 milhões de euros de receita, o que dá 34 milhões por cada um, em média. Um valor superado não só por Inglaterra (média de 372 milhões), Alemanha (217 milhões), Espanha (194 milhões), Itália (146) e França (140), mas também Rússia (64), Turquia (46), Países Baixos (41) e Bélgica (36).
Na receita de bilheteira a Liga portuguesa surge apenas na 11.ª posição de 2024, com um valor total de 78 milhões de euros, o que dá 4,3 milhões por equipa.
No que diz respeito a receitas comerciais surge na 10.ª posição, considerando o valor total, com 145 milhões de euros, o que dá uma média de oito milhões por equipa. De referir que, nesta análise em pormenor, a UEFA destaca que o Real Madrid foi o primeiro clube a ultrapassar os 500 milhões de euros de receita, objetivo que o Benfica quer alcançar nos próximos cinco anos (o Barcelona ficou a um milhão).
Já quando o dinheiro vem dos prémios da UEFA, aí a liga portuguesa é apenas superada pelas big 5. Os clubes lusos receberam 167 milhões de euros em 2024, o que deu uma média de 28 milhões por clube, quase ao nível da Ligue 1 (29). A diferença para Inglaterra (51), Alemanha (59), Espanha (67) e Itália (50) não deixa de ser considerável, mas a uma escala menor do que noutros parâmetros.