Entrevista de José Francisco Neves a A BOLA decorreu no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, onde se joga a 'final four' da Taça da Liga - Foto: Teófilo Afonso
Entrevista de José Francisco Neves a A BOLA decorreu no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, onde se joga a 'final four' da Taça da Liga - Foto: Teófilo Afonso

Taça da Liga? «Competição muito importante»

José Francisco Neves, diretor executivo da Allianz Portugal, reforça elogios ao troféu. Os méritos da parceria que já vai longa e as projeções: «Enquanto quiserem a Allianz cá...»

A Allianz tem inegáveis méritos no crescimento que a Taça da Liga tem tido nos últimos anos e continua a ser um parceiro de excelência da Liga Portugal. O responsável pela conceituada marca de seguros congratula-se com esta relação e promete tudo continuar a fazer para ajudar a melhorar um produto que, defende, é muito valorizado pelos adeptos do futebol.

— Estar onde os portugueses estão. Esta expressão diz-lhe alguma coisa?

— [risos] É uma frase que nos acompanha já há muitos anos. Estamos cá desde o início e estar onde os portugueses estão é claramente uma vontade da Allianz, porque a Allianz é uma companhia de seguros, como todos sabemos, e é importante estar junto dos nossos clientes, dos nossos consumidores. Obviamente que é importante estar no momento em que as pessoas têm um problema, um sinistro, uma situação qualquer para resolver, mas também é importante estar nestes eventos, para darmos alguma coisa à sociedade. Nós temos essa visão muito clara. Não é só receber da sociedade, mas também é dar alguma coisa em troca à sociedade, tanto no desporto como na cultura. E nós estamos cá também com essa marca bem clara de devolver à sociedade aquilo que ela nos dá.

— Quais são as bases desta relação entre a Allianz e a Liga Portugal, que já dura há tantos anos?

­— Isto foi um desafio muito interessante há oito anos, quando nos fizeram este desafio de sermos naming sponsor. Há realmente uma grande diferença, e todos sabemos, entre ser amigos, sponsor ou ser mais um patrocinador. Mas no momento em que nos fizeram este convite foi muito claro uma situação: nós não sabemos ser naming sponsor, nós não sabemos ser patrocinadores. Para estarmos aqui temos de ser parceiros.

— O que é que isso quer dizer?

— Ser parceiro, na verdade, é importante para nós. Obviamente que não entramos ali na parte verde, não entramos no relvado, não temos nada a ver com essa parte. Mas há muita coisa que nós trabalhamos em conjunto. A forma como a competição é preparada, como o público é recebido... Tudo isso faz parte de uma parceria. Nos bastidores, exatamente nos bastidores. E aí nós podemos ajudar. Não somos experts de futebol, obviamente somos experts de seguros, mas já andamos aqui há alguns anos e, portanto, podemos trocar essas impressões, termos essa partilha de ideias. Sou suspeito, mas acho esta competição muitíssimo importante no panorama do futebol português. E mais do que ser patrocinador, é ser realmente parceiro.

— Estão preparados para uma parceira de mais 8 ou 16 anos?

— Na verdade já é há mais de oito anos, porque nós já cá estávamos antes de sermos naming sponsors. Como começaste a entrevista, estamos onde os portugueses estão. É o que nós queremos, independentemente de todas as polémicas que podem existir. A verdade é que os estádios estão cheios. Relembro que no ano passado o jogo entre clubes mais visto na televisão foi a final da Allianz Cup entre o Benfica e o Sporting. O que quer dizer que esta é, realmente, uma competição apetecível. Ainda nestes dias dizia ao Reinaldo [Teixeira, presidente da Liga] que enquanto quiserem que a Allianz esteja cá, estaremos. É uma vontade da Allianz estar cá.

— Mesmo com algumas polémicas que aflorou, a verdade é que a Taça da Liga tem mexido com as cidades todos os anos...

­— Precisamente. Acontece isso em Leiria, tal como já aconteceu em Braga, em Coimbra e por aí fora. Durante vários dias, e não apenas nos dias de jogos, as cidades fervilham de emoção, com as famílias em festa nas fan zone e com toda uma temática envolvente. Há sempre polémicas como noutras latitudes desportivas.

— O que é que a Allianz e a Liga podem fazer no futuro para melhorar ainda mais a Taça da Liga?

— Eu tenho uma visão muito clara sobre isso. A competição por si só, marca uma posição e a posição que a competição tem marcado nos últimos anos é a de uma marca de proximidade ao público, proximidade ao consumidor. Não há outra competição assim e portanto pode haver polémica, com alguma franja de adeptos a poder anunciar um boicote aos jogos. Mas os adeptos estão cá na mesma. Não sei exactamente quem são esses adeptos, nem importa muito. Importa é estes que vêm cá. E, tal como se costuma dizer, faz falta quem está. O que podemos fazer? Melhorar todos os dias, melhorarmos a experiência que o consumidor tem, seja no futebol ou nos seguros. E nós fazemos muito por isso ou tentamos fazer muito por isso. As pessoas aderem. Há uma relação muito próxima entre o público e a competição.

— É comum receber elogios, ou críticas, dos clientes Allianz sobre esta parceria com a Taça da Liga?

­— Todos nós somos consumidores. Certamente que gostamos de ver, de vez em quando, alguma marca que nós compramos envolvida em momentos interessantes, em momentos bons, sejam eles culturais, desportivos, de solidariedade, ou outros. As pessoas tendem a gostar de ver a Allianz associada a um espetáculo bom.

— O presidente da Liga já demonstrou abertura para que a final four continue a ser em Leiria. A Allianz também tem essa visão?

— Sim, é muito importante dizer que estamos muito bem em Leiria, mas também estivemos muito bem em Braga. Leiria está aqui no meio e, portanto, é bom para todos. Mas Braga também foi, até porque, em bom rigor as acessibilidades são boas para todas as cidades.

— Reinaldo Teixeira sucedeu a Pedro Proença na presidência da Liga. Como foi esta mudança nas relações institucionais?

— É óbvio que a nossa relação começou na presidência de Pedro Proença e, como tal, a relação era ótima. Nós, na Allianz, não conhecíamos bem o presidente Reinaldo, mas obviamente que a relação vai manter-se e não há nada que me mostre que não. Os indicadores são muito positivos. Somos parceiros da Liga, sentíamos isso com o Pedro [Proença] e já sentimos com o Reinaldo [Teixeira] também.

— O atual líder do organismo disse recentemente que «o futuro da Taça da Liga vai ser ainda mais risonho» e admitiu alteração do modelo competitivo. O que acha?

­— Durante estes oito anos da Allianz houve algumas mudanças do quadro competitivo, mas a nossa parceria não vai ao ponto de entrar nessa discussão, obviamente. Estaremos cá para colaborar, para sermos parceiros. É evidente que o momento da final four tem um ou outro impacto. Mas quanto mais presença existir da Allianz, mais vezes é falada e noticiada.

— Ainda não foi nesta edição que foi possível a venda de bebidas de baixo teor alcoólico no estádio. Que visão tem sobre esta matéria?

­— Há entidades que são, obviamente, muito mais competentes para julgar essa situação. A Allianz está sempre do lado da mais-valia para o espetáculo. Como adepto, se me permite, acho que essa proibição não faz sentido. Não se compadece com o século XXI.