Equipa nigeriana que iniciou a partida diante de Moçambique
Equipa nigeriana que iniciou a partida diante de Moçambique - Foto: IMAGO

CAN-2025: quando o resultado não engana

A crónica diária de Acácio Santos, ex-adjunto de José Peseiro na seleção da Nigéria

Nigéria 4, Moçambique, 0. Este foi daqueles jogos em que o resultado não engana. A Nigéria não deu qualquer hipótese a Moçambique. A diferença foi clara em intensidade, qualidade individual e maturidade competitiva. A realidade é simples: a Nigéria, se quiser, é a mais forte candidata ao título. Olhando para o jogo, para o momento da equipa e para os argumentos individuais,

Olhemos para alguns dos jogadores influentes — parte 2.

Bright Osayi-Samuel, lateral direito. Ex-Fenerbahçe. Foi treinado por Jorge Jesus e José Mourinho, e é evidente o quanto cresceu com treinadores portugueses. Quando chegámos, víamo-lo como extremo direito, mas rapidamente ganhou espaço como lateral e nunca mais perdeu essa posição. Evoluiu muito na leitura defensiva e na consistência competitiva.

Semi Ajayi, central de pé direito. Fez toda a carreira no futebol inglês. Não é exuberante, mas é fiável. Forte no jogo aéreo, calmo no momento do 1x1, simples nas decisões. Fala pouco. Muitas vezes tinha de o procurar para perceber como estava, o que sentia e do que precisava. Um jogador de equilíbrio silencioso.

Wilfred Ndidi, o capitão. Quando chegámos, estava lesionado. Recuperou, ganhou forma, consistência e assumiu um papel fundamental como construtor e equilibrador da equipa. A semanas da CAN voltou a lesionar-se. Perdemos nesse momento uma referência para todos. Precisámos dele em vários momentos da competição, mas fomos obrigados a equilibrar com outras opções e até com ajustes no sistema.

Frank Onyeka, o médio com maior passada e tranquilidade da equipa. Raramente dá mais de dois toques na bola. Decide, quase sempre, muito bem. Quando chegámos, vinha também de lesão, o que nos preocupou. Sabíamos o valor que tinha antes. Analisámos bem o perfil, acompanhámos o processo de recuperação e, com o apoio do clube, voltou ainda melhor.

Paul Onuachu, o avançado gigante. Quando chegámos, estava na Bélgica, melhor marcador. Fazia golo de todas as formas: de cabeça, com o pé esquerdo, direito, penálti, de longe. Com 2,01 metros, a altura é proporcional à humildade. Um bom rapaz, sempre disponível, sempre ligado ao grupo.

Moses Simon, o extremo inteligente e capitão natural. Um craque. Dentro e fora de campo. Mesmo quando o jogo não corre bem, está sempre disponível para ajudar a equipa. Extremo rápido, inteligente e com enorme sentido coletivo.

São apenas alguns dos jogadores influentes de uma seleção que, neste momento, depois de quatro vitórias consecutivas, incluindo o 4–0 nos oitavos de final, e pela exibição apresentada, surge como a equipa em melhor forma e com mais argumentos individuais da CAN.

Mas já sei como isto funciona nas competições curtas e de seleções. O que acontece hoje tem de ser rapidamente esquecido. O nível competitivo aumenta, as responsabilidades também, e o detalhe passa a decidir tudo.

Nesta fase, talento ajuda.

Mas gestão, maturidade e decisão continuam a ser determinantes.