Luvo Manyonga sagrou-se campeão mundial em 2017 (IMAGO)
Luvo Manyonga sagrou-se campeão mundial em 2017 (IMAGO)

Campeão do Mundo conta história de vício em drogas: «Só me restava a morte»

Retrato arrepiante de Luvo Manyonga, que também ganhou uma medalha nos Jogos Olímpicos

Luvo Manyonga, atleta sul-africano que conquistou o ouro mundial no salto em comprimento em Londres, em 2017, está prestes a competir nos Campeonatos Mundiais de Atletismo em Pista Coberta desta semana, em Torun, na Polónia, marcando um regresso extraordinário à elite da modalidade.

O caminho de volta do atleta de 35 anos surge após anos de vício em metanfetaminas: Manyonga já tinha cumprido uma suspensão de 18 meses em 2012, após testar positivo para tik, uma forma de metanfetamina comum nos bairros sul-africanos. Mas um segundo castigo, desta vez de quatro anos, foi aplicado no final de 2020, por falhar repetidamente a comunicação da sua localização para os controlos antidoping. A suspensão foi levantada em dezembro de 2024, abrindo a porta para este regresso.

Durante os anos afastado do atletismo, o vício consumiu Manyonga por completo, que recorreu a roubos, assaltos a casas e roubo de telemóveis para financiar a dependência. «Eu vivia apenas para a próxima dose. Foi a esse ponto que cheguei», confessou em entrevista ao The Guardian.

Em 2023, chegou o momento mais baixo e igualmente perigoso. Após roubar um telemóvel perto da cidade sul-africana de Paarl, Manyonga foi brutalmente espancado com um taco de basebol, ficando uma semana sem conseguir andar.

Vi a minha vida a passar-me à frente dos olhos enquanto aqueles homens me batiam. A única coisa que me restava era a morte, porque essa é a vida de um toxicodependente.

Após a agressão, o atleta mudou-se para a província do Cabo Oriental, no país-natal, afastando-se das drogas. Desde esse dia que se mantém limpo, afirmando que qualquer recaída seria o equivalente à morte.

Regresso às pistas

Com o fim da suspensão em dezembro passado, Manyonga começou a treinar em Joanesburgo sob a orientação do treinador Herman Venske. A sua primeira competição em quase seis anos foi num pequeno evento em Stellenbosch, onde conseguiu a marca de 7,31 metros, que nem se aproximava do seu recorde pessoal de 8,65 metros, estabelecido em 2017. No entanto, no mês passado, alcançou os 8,11 metros, garantindo a sua qualificação para a Polónia.

Manyonga reconhece que o sucesso chegou demasiado depressa para um jovem de um pequeno bairro, sem uma rede de apoio para o orientar: «Fiquei com a mania e pensei que era o dono do mundo, enquanto o meu consumo de drogas era algo que estava prestes a explodir.»

Apesar de tudo, o antigo medalhista de prata olímpico, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, que será o competidor mais velho na prova de salto em comprimento, mostra-se otimista quanto às suas perspetivas na Polónia. «Sei, com toda a certeza, que ainda tenho grandes saltos e medalhas de ouro no meu corpo. Sou como um carro que esteve parado durante quatro anos. O motor V12 vai começar a deitar fogo em breve», atirou.