Bubista, selecionador de Cabo Verde
Bubista, selecionador de Cabo Verde

Bubista deixa reparo a Bielsa e exulta Cabo Verde: «Equipa é a identidade do povo»

Empate com Uruguai deixou aberta porta do apuramento para a próxima fase

Cabo Verde continua a espantar o mundo. Na sua primeira participação num Mundial, conseguiu dois empates notáveis, com a Espanha (0-0) e o Uruguai (2-2), duas antigas campeãs mundiais.

O selecionador Bubista, manifestou-se orgulhoso, sublinhando a bravura e a ambição de um grupo que terminou o jogo com vários atletas a sofrerem de cãibras.

Galeria de imagens 34 Fotos

«Quero felicitar a equipa e todo o nosso povo pela forma como jogámos, com o coração», afirmou Bubista, destacando a coragem da sua equipa. «A nossa equipa foi corajosa, procurou sempre ganhar o jogo e isso deixa-nos muito felizes», acrescentou, reforçando a confiança em todo o plantel.

Desde o início da competição, o objetivo de Cabo Verde tem sido claro: «Competir ao mais alto nível». Para Bubista, a equipa tem demonstrado a sua «identidade, força, união e resiliência», mais do que apenas os resultados. Após os desempenhos frente a «duas seleções de top mundial», como a Espanha e o Uruguai, o selecionador considera legítimo sonhar com a passagem à fase a eliminar.

«Viemos para tentar um novo sonho, que é a qualificação para a fase a eliminar. Penso que é legítimo pensar dessa forma», declarou, assumindo a ambição da equipa. «Estamos num ponto de dizer claramente que vamos lutar pelo apuramento».

«Bielsa ensinou a ter fair-play»

Bubista abordou ainda um momento de tensão no jogo contra o Uruguai, relacionado com uma alegada falta de ‘fair play’ no lance do 1-1 sofrido, quando Telmo Arcanjo estava em dificuldades no chão, mas Cabo Verde não colocou a bola fora e a jogada de ataque continuou. Até Viña, que estava a ajudar Arcanjo, lhe soltou o pé para s juntar ao ataque:

«Sim, fiquei um pouco irritado, incomodado nesse caso, até porque o Marcelo Bielsa nos ensinou a ter fair play. Mesmo nas suas conferências de imprensa e nos próprios jogos, aprendemos a ter fair play com Marcelo Bielsa. Por isso, obviamente, tive de ficar um pouco frustrado com a situação, mas faz parte do jogo e do crescimento da nossa equipa, porque acredito que nós próprios também deveríamos ter evitado aquela situação. Também poderíamos ter colocado a bola fora e não o fizemos. Digamos que foi uma conjugação de erros, mas nós tentamos fazer as coisas à nossa maneira, com fair play. Por vezes, também é normal que os jogadores, em determinados momentos, se sintam um pouco pressionados e, neste caso, estou a falar da equipa do Uruguai, e por algum motivo não interromperam o jogo. Mas, para nós, isto faz parte do jogo, vamos crescer com a situação.»

A Arábia Saudita também tem hipóteses de qualificação, lembrou, pelo que o último embate será muito complicado: «Temos de ter os pés no chão, sabendo que o próximo jogo será difícil. Sinceramente, não vejo nenhuma vantagem para nós. Pelo contrário, temos de ter o respeito necessário e a atitude correta para encarar a partida com a máxima seriedade e desportivismo. Devemos isso a todos os nossos adversários. Queremos que as pessoas fiquem a conhecer Cabo Verde pelo que somos. Esta equipa é a identidade do nosso povo.»

O selecionador cabo-verdiano deixou uma mensagem de esperança. «Estamos a demonstrar que um país pode ser pequeno e ter dificuldades financeiras, mas, se tiver resiliência e capacidade de sofrimento e trabalhar com organização, consegue ombrear com as grandes seleções», concluiu.

A iniciar sessão com Google...