Eustáquio, na foto com Messi, está cedido pelos portistas ao Los Angeles FC - Foto: Imago
Eustáquio, na foto com Messi, está cedido pelos portistas ao Los Angeles FC - Foto: Imago

Bolo recheado de milhões: quanto podem render os cedidos do FC Porto (fotos)

De Eustáquio a Iván Jaime, passando por Namaso, Samuel Portugal e Tomás Pérez, há ativos que, em breve, podem forrar os cofres com muitos euros

Enquanto a época avança no campo, o FC Porto prepara, fora dele, manobras financeiras mais discretas — mas também potencialmente lucrativas. No mercado de verão e na janela de transferências de inverno, a SAD desenhou uma teia de empréstimos que se estende do continente americano à Europa, com potencial para gerar até 26 milhões de euros.

Jogadores que não eram titulares podem transformar-se em ativos capazes de garantir liquidez e folga salarial. Gerir um plantel não é só contratar estrelas, é também saber valorizar quem sai. Neste capítulo, André Villas-Boas e a sua equipa têm sabido encontrar um equilíbrio entre a vertente desportiva e a financeira.

Uma grande parte dos empréstimos contempla cláusulas de compra que podem tornar-se obrigatórias, casos de Danny Namaso, no Auxerre ou de Iván Jaime, que evolui na MLS, nos canadianos do CF Montréal. Só estes dois podem valer aos cofres dos azuis e brancos um encaixe de mais de 11 milhões de euros.

No caso de Namaso, o Auxerre detém uma opção de compra de 60% do passe por 5 milhões de euros (acrescidos de 700 mil euros em variáveis). Esta opção é obrigatória se o avançado disputar 60% dos minutos pela formação francesa — o que já alcançou — e se o Auxerre se mantiver na Ligue 1, o que ainda não é certo, dado que está em zona de play-off, a cinco pontos do 15.º lugar.

Relativamente a Iván Jaime, o CF Montréal detém uma opção de compra de 80% do passe. O valor era de 5 milhões de euros se a opção fosse exercida até 31 de janeiro, o que não aconteceu. Passa a ser de 5,5 milhões se for exercida até ao próximo dia 31 de maio. Contudo, a compra será obrigatória se o espanhol fizer 60% dos jogos com pelo menos 45 minutos até junho. Uma lesão atrasou-o um pouco, mas o criativo vem sendo utilizado com alguma regularidade.

Veja na galeria os jogadores cedidos pelo FC Porto

Galeria de imagens 10 Fotos

O bolo maior é o de Stephen Eustáquio, figura central no Los Angeles FC. A sua transferência definitiva, por 6,7 milhões de euros (7,25 milhões de dólares), é vista como viável, até pelo excelente arranque no clube antes de se lesionar. O problema físico numa perna, motivado por um choque contra um árbitro e uma terapia que não correu bem, ainda não está resolvido, e Eustáquio aproveitou a pausa das seleções para se tratar e preparar o seu regresso.

Também do outro lado do Atlântico, mas no Brasil, o jovem Tomás Pérez começa a afirmar-se gradualmente no Atlético Mineiro, clube que detém uma opção de compra de 80% do passe por 5 milhões de euros, válida até maio, que aumenta para 5,5 milhões após esse período. Também Samuel Portugal e Ángel Alarcón podem juntar cerca de 4 milhões adicionais se as suas opções forem acionadas. O guarda-redes brasileiro, que não somou qualquer minuto nos portistas após ser contratado ao Portimonense, em setembro de 2022, é titular e acumula, até ao momento, 21 partidas no Al-Akhdoud.

Quem está feliz no Utrecht é Alarcón, que, na falta de minutos no FC Porto, mudou-se em janeiro passado para o emblema dos Países Baixos, onde tem causado furor, ajudando a equipa a abandonar os últimos lugares da classificação. Com três golos e duas assistências em apenas nove jogos, o extremo dificilmente deixará de ser transferido, até porque o preço é convidativo: 2 milhões de euros por 50% do passe. O FC Porto salvaguardou a possibilidade de recomprar 40% desses 50% (ou seja, a maioria dos direitos) por 3 milhões de euros. Antes de partir, Alarcón renovou contrato com os azuis e brancos por mais um ano, prolongando o vínculo até 30 de junho de 2028.

Um caso diferente: Vasco Sousa

Vasco Sousa também foi emprestado ao Moreirense, esta época, com opção de compra fixada em 8 milhões de euros. Contudo, o médio não foi bafejado pela sorte, tendo sido sujeito a uma intervenção cirúrgica a uma fratura do perónio da perna direita, a 15 de dezembro. O pós-operatório foi um pesadelo, devido a um vírus hospitalar. Voltou ao Olival após 39 dias de internamento e 21 idas ao bloco operatório e, por isso, esfumou-se a hipótese — ainda que remota, pelos valores envolvidos — de gerar receita para o FC Porto.

Trio sem opção

O grupo formado por Dennis Konney (Gondomar), Veron (Nacional) e Kotaro Nagata (Oliveirense) entra numa linha diferente. Nos respetivos empréstimos não foi incluída qualquer opção de compra. O ativo mais valioso, mesmo tendo caído vertiginosamente desde que foi adquirido ao Palmeiras por 10,2 milhões de euros, é Veron. Sucessivamente emprestado a Cruzeiro, Santos e Juventude, nenhum destes clubes avançou para a compra do passe. Voltou a Portugal para tentar valorizar-se no Nacional. Com contrato até 2027, a SAD terá urgência em atenuar as perdas neste verão.

André Franco rendeu €640 mil

Entre todos os casos, o dinheiro da venda de um dos cedidos já entrou nas contas: André Franco foi transferido em definitivo para o Chicago Fire por 640 mil euros fixos, mais variáveis por atingir. Além do encaixe, o negócio permitiu libertar peso na folha salarial — uma vitória dupla para a SAD azul e branca, mas também para o jogador, que, mesmo tendo sofrido uma grave lesão (rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito), conquistou a confiança do treinador e dos dirigentes do clube da MLS.