Ríos abre o coração: das ruas de Medellín aos sonhos concretizados
Richard Ríos fez uma viagem no tempo, dos primeiros pontapés nas ruas de Medellín, aos grandes palcos do futebol europeu. Abriu o coração para falar das dificuldades em triunfar, dos obstáculos que ultrapassou, dos sacrifícios que fez até concretizar os sonhos.
Numa conversa com um dos patrocinadores dele, o médio colombiano de 26 anos do Benfica partilhou a experiência de vida.
— Como era jogar nas ruas de Medellín?
— Sentimo-nos como se estivéssemos no meio de 60 ou 70 mil pessoas, porque é uma pressão impressionante e não queremos perder. Na rua, dizer que ganhámos aos do outro bairro é a honra que está em jogo e isso é o mais importante. Quando ganhávamos, até ao próximo jogo, éramos os melhores do mundo. Claro que tenho saudades do futsal. Mais do que do futsal, sinto saudades do bairro.
— O que é que o futsal te ensinou que faz a diferença em campo?
— O mais importante é ter sempre a bola o mais afastada possível do adversário. Depois, pisar a bola e alguma magia que aprendemos na rua.
— Como foi a passagem das ruas para os campos?
— Com 18 anos, sentia um pouco de frustração por não estar no meio do futebol. O meu pai levava-me sempre a muitos clubes, mas nada acontecia. Pratiquei futsal até aos 18 anos. Queimei o último cartucho e aqui estou. Resultou.
— O que significa estar a viver os sonhos?
—Havia menos pessoas no bairro, mas sentia-se mais a pressão, talvez por ser o lugar onde nascemos e crescemos. E agora, estar nos maiores estádios, nos mais bonitos e com mais história, em vez de sentir pressão, sentimos mais felicidade. Enche-me de orgulho ver que todos os meus sonhos se tornaram realidade.
— O que torna alguém grande?
— Em primeiro lugar, é saber o que queremos na vida. Não vais chegar a lado nenhum se não tiveres um destino. Depois, o trabalho e os sacrifícios que fazemos para concretizar os sonhos. Nunca deixei de lutar, sempre trabalhei e deixei muitas coisas para trás para concretizar os meus sonhos.