Benfica: revolta alimenta reação
José Mourinho e Rui Costa foram os porta-vozes da revolta do Benfica depois do empate com o Famalicão (2-2) — treinador e presidente, respetivamente, de forma irónica e objetiva, dispararam contra o árbitro Gustavo Correia, mas também já olharam para o próximo desafio com o SC Braga, na Luz. O objetivo é transformar em combustível toda a revolta que domina os jogadores.
O plantel dos encarnados gozou folga no domingo e regressa esta segunda-feira ao trabalho — já, seguramente, com a cabeça mais limpa depois do que se passou em Famalicão.
Mourinho, que falou apenas à Sport TV, numa declaração durante a entrevista rápida, considerou que o que se passou no Minho «diz muita coisa sobre o que foi o campeonato» e prometeu «fazer o milagre de ficar em segundo lugar à frente do Sporting».
Rui Costa, por sua vez, partilhou «indignação» pela arbitragem, argumentando que «ninguém tem o direito de decidir quem ganha campeonatos ou vai à Champions, sem ser jogadores ou treinadores em campo». Para não deixar dúvidas, acusou Gustavo Correia: «O que este árbitro, este senhor, fez aqui foi tentar que o Benfica não vá à Champions. [...] Este senhor veio aqui prejudicar o Benfica.» O presidente dos encarnados confirmou que a equipa se sente «injustiçada».
Será, como tal, sobre esse sentimento de injustiça que Mourinho começará a trabalhar hoje, canalizando-o para a obrigação de reagir. Em causa está a qualificação para as eliminatórias de acesso à fase de liga da Champions — não sendo troféu, é importantíssimo financeiramente e terá consequências sérias na preparação da nova época, ou seja, na construção do plantel.
No Seixal ou nos gabinetes da SAD, a visita a Famalicão foi encarada como decisiva para o Benfica conseguir esse objetivo. E o empate, não obstante tudo o que se passou com a arbitragem, foi um choque, sobretudo porque recupera os receios da possibilidade de perda do segundo lugar. Isso está a ser levado muito a sério, tem sido motivo de muitas discussões na SAD.