Benfica e o caso Schjelderup
O futebol é um desporto excecional, vivido tanto fora dos relvados como dentro das quatro linhas. As emoções, os julgamentos apressados sobre quem é bom ou mau jogador e as certezas absolutas que se formam em segundos fazem parte da sua magia e das suas contradições.
Essa paixão poderia ser apenas romântica, não fosse o impacto real que tem nas carreiras e na confiança dos jogadores.
As opiniões pouco fundamentadas chegam maioritariamente das bancadas e dos analistas que não conhecem todos os dados. Mas também os profissionais, dentro dos clubes, erram e tomam decisões das quais acabam por se arrepender.
Essa natureza humana e imprevisível serve para ilustrar o trajeto de Andreas Schjelderup, um dos casos mais interessantes recentes do Benfica.
O jovem extremo norueguês, que já foi rotulado de tudo — desde demasiado verde para se afirmar, emprestado que não voltaria, provável dispensa, até estrela em ascensão —, é hoje fundamental no futebol ofensivo encarnado e brilha também pela seleção da Noruega.
Aos 21 anos — Schjelderup chegou ao Benfica com 18, vindo da Dinamarca, onde liderava a lista dos goleadores mais jovens dos campeonatos europeus —, como tantos outros jogadores jovens, enfrentou o desafio da adaptação: nova língua, novos métodos e uma pressão muito superior à que conhecia. Estas transições jamais são lineares.
Cada jogador tem o seu tempo e a sua sorte para se afirmar. É precisamente aí que o papel de quem os orienta, dos treinadores e das estruturas dos clubes, se torna tão decisivo quanto o talento que trazem nos pés.
Reconhecer quem é realmente bom, além do ruído da opinião pública e das respostas imediatas, é uma capacidade rara e valiosa.
O caso de Schjelderup no Benfica é apenas um entre muitos, e em muitos clubes, mas mostra como o tempo, a paciência e a leitura certa do contexto podem transformar um jovem promissor num jogador determinante. Nem todos chegarão ao topo, mas é essencial que haja quem lhes limpe do caminho as pedras. Ter alguém nos clubes que perceba isso é tanto ou mais fundamental que contratar um bom jogador.