Benfica admite bloquear venda das ações a fundo americano
O Benfica avalia bloquear a entrada do investidor norte-americano Tim Leiweke no capital da SAD encarnada. Em causa, segundo avançou esta terça-feira a agência Bloomberg, estão as participações do empresário noutros emblemas eurpeus.
Representantes do clube, de acordo com a Bloomberg, já comunicaram à equipa de Leiweke que poderá ser acionado o Artigo 13.º dos estatutos da sociedade anónima, que confere à Direção o direito de veto sobre qualquer aquisição de capital superior a dois por cento. Este mecanismo pode ser acionado sempre que se considere que o investidor em causa possui interesses concorrentes que possam colidir com a integridade ou a independência do clube.
Na alínea a) do ponto 3 desse artigo, pode ler-se: «Aquisição, direta ou indireta, de ações representativas de mais de 2% (dois por cento) do capital social da Sociedade por uma entidade concorrente, devendo um eventual posterior reforço da posição acionista, de forma direta ou indireta, ser sujeito ao mesmo processo de aprovação caso as ações a adquirir representem mais de 2% (dois por cento) do capital social da Sociedade.»
Benfica já recorreu a este artigo em 2021 para chumbar as pretensões do também norte-americano John Textor, que pretendia adquirir 25 por cento da SAD. Em 2021, Textor detinha cerca de 40 por cento do Crystal Palace.
O plano de Tim Leiweke passava por adquirir a percentagem de 16,4 por cento que está nas mãos de José António dos Santos, maior acionista privado da Benfica SAD. A operação seria conduzida através do seu fundo de investimento, o Entrepreneur Equity Partners, cujo foco estratégico passa precisamente por construir uma rede de participações minoritárias no futebol europeu
No entanto, foram os passos mais recentes do empresário acenderam os alertas na Luz. Leiweke — antigo CEO do gigante Oak View Group LLC — investiu recentemente nos italianos do Veneza, assumindo o cargo de copresidente do comité de operações, enquanto a sua filha, Francesca Bodie, foi nomeada presidente do clube italiano.
Esta política de multiclubes é vista com enorme desconfiança pela estrutura da Benfica SAD. Segundo as fontes da Bloomberg, há o receio de que a estratégia do fundo norte-americano possa comprometer a autonomia e a independência do clube.