Bednarek e o segredo do sucesso do FC Porto: «Equipa confia plenamente nas ideias de Farioli»
Bednarek não esconde o fascínio pelos primeiros meses a viver a realidade azul e branca. Em declarações ao site oficial da Federação Polaca de Futebol, numa conversa que reuniu o trio de polacos do plantel portista, o jogador revelou detalhes curiosos sobre os métodos de trabalho de Francesco Farioli e confessou ter sido surpreendido pela cultura de exigência vivida na Invicta.
Antes de analisar questões táticas, Bednarek fez questão de sublinhar a paixão dos adeptos e o respeito do clube pelo seu passado. «Não tinha noção, antes de vir, da 'religião' que o clube é para os locais. Eles vivem isto intensamente», começou por dizer, destacando a mística que se respira no clube.
Os sucessos com o Mourinho, a Champions... o clube cuida muito da história
«Os sucessos com o Mourinho, a Champions... o clube cuida muito da história. Quando chegamos ao estádio, passamos por aquele túnel com as fotos das lendas. Queremos um dia estar lá, a segurar um troféu. O centro de treinos também tem o nome do Jorge Costa, o que mostra o cuidado com as pessoas que serviram o clube», destaca.
O grande foco da intervenção de Bednarek foi, contudo, no trabalho desenvolvido por Francesco Farioli. O internacional polaco desvendou alguns dos automatismos implementados pelo treinador, que explicam a solidez defensiva da equipa esta temporada.
«Há muitos detalhes, o treinador foca-se muito nisso. Para mim, foi novo tratar a saída de bola como um lance de bola parada. É interessante», revelou. A explicação para os poucos golos sofridos reside, segundo o central, na solidariedade da equipa: «Os nossos jogadores ofensivos têm muitas tarefas defensivas, por isso sofremos poucos golos. É mais difícil bater 11 jogadores do que sete ou oito.»
Há muitos detalhes, o treinador foca-se muito nisso. Para mim, foi novo tratar a saída de bola como um lance de bola parada. É interessante
Curiosamente, o foco nos treinos não é prioritariamente defensivo. «No treino, talvez 30% seja defesa e 70% ataque, mas o sistema exige muita atenção às interdependências. Os automatismos já estão a aparecer», explicou.
Sobre a preparação dos jogos, Bednarek mostrou-se maravilhado com a precisão da informação passada aos jogadores: «O treinador mostra-nos animações táticas num ecrã tátil e depois, no jogo, acontece exatamente igual. É incrível. A equipa confia plenamente nas ideias dele.»
A sua contratação teve a ver muito com o seu espírito de liderança, revela o internacional polaco: «Eles fizeram o research deles, sabiam o que eu podia dar. Tento ajudar toda a gente, falo alto, dou indicações. No início da época não nos focámos em promessas de troféus, mas em trabalhar no duro para mostrar aos adeptos que somos uma boa equipa. Temos uma mistura de juventude e experiência. mostrámos que somos uma equipa que aguenta a pressão.»
'Convidar' a pressão e a meta das bolas paradas
No que toca à estratégia de jogo, o defesa explicou que o FC Porto se sente confortável quando os adversários sobem no terreno. «No início da época as equipas pressionavam-nos mais, e para nós é mais fácil assim, porque encontramos espaços. Tentamos 'convidar' a pressão para depois explorar o espaço livre. Se o adversário está fechado, temos de jogar longo ou circular mais», analisou.
Questionado sobre o que a equipa ainda precisa de afinar, o central apontou ao comportamento no último terço. «Às vezes falta paciência, queremos resolver a jogada depressa demais. Como defesa, se um avançado faz um movimento e não recebe, à segunda ou terceira vez a minha concentração pode baixar. Temos de ter essa calma para cansar o adversário», alertou, sublinhando que o plantel tem «muita qualidade na frente para finalizar melhor.»
Às vezes falta paciência, queremos resolver a jogada depressa demais. Como defesa, se um avançado faz um movimento e não recebe, à segunda ou terceira vez a minha concentração pode baixar. Temos de ter essa calma para cansar o adversário
As bolas paradas, no entanto, já são uma arma oleada no laboratório do Olival, havendo «umas 15 variantes ofensivas» trabalhadas afincadamente. «Dedicamos muito tempo a isso e dá resultados. Em Inglaterra diziam que 25% dos golos vinham de bolas paradas. Nós estamos com 23% esta época. Temos de melhorar para chegar aos 25%», concluiu, entre risos.
Em Inglaterra diziam que 25% dos golos vinham de bolas paradas. Nós estamos com 23% esta época. Temos de melhorar para chegar aos 25%
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