Santi García (à direita) ganhou e Murilo (à esquerda) converteu o penálti que deu início à goleada gilista  - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA
Santi García (à direita) ganhou e Murilo (à esquerda) converteu o penálti que deu início à goleada gilista - Foto: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Bastaram cinco dedinhos para vingar um cotovelo (crónica)

Mathias de Amorim mudou o curso do jogo ao ser expulso, depois de dar uma cotovelada a Santi García. O espanhol vingou-se com um golo, mas, antes, já Murilo, Buatu e Gustavo Varela (2) tinham 'faturado'. Galos golearam e 'cantaram' quarto lugar

Um, dois, três, quatro, cinco… golos que pareciam que nunca mais acabavam, na tarde deste domingo, no Estádio Cidade de Barcelos.

Na realidade, o Gil Vicente até meteu a bola sete vezes dentro da baliza do Famalicão, mas os primeiros dois - Murilo (2') e Carlos Eduardo (35') - não contaram, porque os referidos atletas estavam fora de jogo.

O golo a contar surgiu apenas aos 44', num lance que mudou em definitivo a partida. Tudo começou com Mathias de Amorim a agredir Santi García dentro da área do Famalicão, com o cotovelo, sem qualquer intenção enquadrada no âmbito da prática desportiva... já que a bola estava longe dos dois jogadores. Anzhony Rodrigues não perdoou, expulsou-o e assinalou castigo máximo. Murilo, na conversão, fez o 1-0.

É, todavia, injusto reduzir a justificação da vantagem gilista ao lance supramencionado. Isto porque, já antes da expulsão e do penálti, os comandados de César Peixoto eram a melhor equipa no jogo, tendo produzido várias oportunidades de perigo junto à baliza adversária, ao contrário do Famalicão, que apareceu sempre muito desinspirado ,quando se propunha a sair para o ataque.

Depois de um final de primeiro tempo dramático, com o gesto do médio Mathias a ser o protagonista, o Gil Vicente confirmou, praticamente no início do segundo, o Buatu de que a dor de cotovelo não combina com o Amor(im)... O central angolano ampliou, então, a vantagem para 2-0, de cabeça, aos 53', na sequência de um cruzamento teleguiado de Luís Esteves, para o coração da área, após um canto batida à maneira curta.

Apesar da vantagem de dois golos, os galos não recolheram à capoeira e foram à procura de mais, por clara indicação de César Peixoto. Com um Famalicão completamente desnorteado, o terceiro chegou por Gustavo Varela, à passagem do minuto 80. O ponta de lança recebeu um belo passe vertical de Espigares, depois virou-se de frente para os defesas, entrou na área com a bola controlada e fez o terceiro.

Os último dez minutos foram de verdadeiro pesadelo para a turma de Hugo Oliveira, com Gustavo Varela a bisar aos 84', respondendo a um cruzamento de Joelson, e Santi García a cumprir a vingança aos 90', com um remate na raiva, de pé esquerdo, dentro de área.

A turma de Barcelos chega aos 34 pontos e volta a recuperar o 4.º lugar, embora o SC Braga (33 pontos) tenha um jogo a menos (a ser cumprido esta segunda-feira, na Vila das Aves). Famalicão permanece com 29 pontos, à espreita dos lugares europeus.

O melhor em campo: Gustavo Varela
Depois de três jogos seguidos a titular, para cumprir a ingrata tarefa de fazer esquecer Pablo (que saiu para o West Ham), Gustavo Varela foi relegado para o banco. O ponta de lança não tinha feito abanar as redes nos últimos jogos e, desta vez, César Peixoto apostou em Carlos Eduardo. O português acabou por entrar pelo brasileiro a quase 20 minutos do fim e respondeu da melhor maneira com dois golos.

As notas dos jogadores do Gil Vicente (4x2x3x1): Lucão (5); Zé Carlos (6), Buatu (7), Elimbi (6) e Konan (6); Cáseres (6) e Santi García (8); Murilo (7), Luís Esteves (7) e Tidjany Touré (6); Carlos Eduardo (5); Espigares (5), Zé Carlos Ferreira (6), Gustavo Varela (8), Joelson Fernandes (6) e Hevertton (5)

A figura do Famalicão: Justin de Haas
Foi protagonista da única grande oportunidade dos famalicenses no jogo (apenas aos 89'!). Num livre frontal à baliza, o central esquerdino acertou no poste, depois de um excelente remate, a fazer passar a bola por fora da barreira. No plano defensivo, foi dos mais lutadores da sua equipa - o que não deu, ainda assim, para evitar nem os golos, nem o poderio gilista.

As notas dos jogadores do Famalicão (4x2x3x1): Carevic (5); Gustavo Garcia (4), Ibrahima Ba (4), Justin de Haas (5) e Pedro Bondo (4); Mathias de Amorim (3) e Tom van de Looi (5); Gil Dias (4), Gustavo Sá (5) e Sorriso (4); Elisor (4); Marcos Peña (4), Joujou (5), Abubakar (4), Mamageishvili (-) e Pedro Santos (-)

César Peixoto, treinador do Gil Vicente

«Fomos sempre a melhor equipa, mesmo quando o jogo estava onze para onze. Sabíamos que ia ser um difícil, mas tivemos a capacidade para o tornar fácil. Pedi aos jogadores para irem à procura de golos. Podia haver tendência para relaxar, mas foram competitivos até ao fim.»

Hugo Oliveira, treinador do Famalicão

«Antes da expulsão, houve um jogo equilibrado, muito tático e sem muita criação. Mas o futebol é como a vida: nem sempre vai estar sol. Depois da expulsão, entregámos o jogo e isso não pode ser. Mesmo quando estávamos com dez, devíamos ter criado caminhos para dar a volta.»