Bastaram cinco dedinhos para vingar um cotovelo (crónica)
Um, dois, três, quatro, cinco… golos que pareciam que nunca mais acabavam, na tarde deste domingo, no Estádio Cidade de Barcelos.
Na realidade, o Gil Vicente até meteu a bola sete vezes dentro da baliza do Famalicão, mas os primeiros dois - Murilo (2') e Carlos Eduardo (35') - não contaram, porque os referidos atletas estavam fora de jogo.
O golo a contar surgiu apenas aos 44', num lance que mudou em definitivo a partida. Tudo começou com Mathias de Amorim a agredir Santi García dentro da área do Famalicão, com o cotovelo, sem qualquer intenção enquadrada no âmbito da prática desportiva... já que a bola estava longe dos dois jogadores. Anzhony Rodrigues não perdoou, expulsou-o e assinalou castigo máximo. Murilo, na conversão, fez o 1-0.
É, todavia, injusto reduzir a justificação da vantagem gilista ao lance supramencionado. Isto porque, já antes da expulsão e do penálti, os comandados de César Peixoto eram a melhor equipa no jogo, tendo produzido várias oportunidades de perigo junto à baliza adversária, ao contrário do Famalicão, que apareceu sempre muito desinspirado ,quando se propunha a sair para o ataque.
Depois de um final de primeiro tempo dramático, com o gesto do médio Mathias a ser o protagonista, o Gil Vicente confirmou, praticamente no início do segundo, o Buatu de que a dor de cotovelo não combina com o Amor(im)... O central angolano ampliou, então, a vantagem para 2-0, de cabeça, aos 53', na sequência de um cruzamento teleguiado de Luís Esteves, para o coração da área, após um canto batida à maneira curta.
Apesar da vantagem de dois golos, os galos não recolheram à capoeira e foram à procura de mais, por clara indicação de César Peixoto. Com um Famalicão completamente desnorteado, o terceiro chegou por Gustavo Varela, à passagem do minuto 80. O ponta de lança recebeu um belo passe vertical de Espigares, depois virou-se de frente para os defesas, entrou na área com a bola controlada e fez o terceiro.
Os último dez minutos foram de verdadeiro pesadelo para a turma de Hugo Oliveira, com Gustavo Varela a bisar aos 84', respondendo a um cruzamento de Joelson, e Santi García a cumprir a vingança aos 90', com um remate na raiva, de pé esquerdo, dentro de área.
A turma de Barcelos chega aos 34 pontos e volta a recuperar o 4.º lugar, embora o SC Braga (33 pontos) tenha um jogo a menos (a ser cumprido esta segunda-feira, na Vila das Aves). Famalicão permanece com 29 pontos, à espreita dos lugares europeus.
As notas dos jogadores do Gil Vicente (4x2x3x1): Lucão (5); Zé Carlos (6), Buatu (7), Elimbi (6) e Konan (6); Cáseres (6) e Santi García (8); Murilo (7), Luís Esteves (7) e Tidjany Touré (6); Carlos Eduardo (5); Espigares (5), Zé Carlos Ferreira (6), Gustavo Varela (8), Joelson Fernandes (6) e Hevertton (5)
As notas dos jogadores do Famalicão (4x2x3x1): Carevic (5); Gustavo Garcia (4), Ibrahima Ba (4), Justin de Haas (5) e Pedro Bondo (4); Mathias de Amorim (3) e Tom van de Looi (5); Gil Dias (4), Gustavo Sá (5) e Sorriso (4); Elisor (4); Marcos Peña (4), Joujou (5), Abubakar (4), Mamageishvili (-) e Pedro Santos (-)
César Peixoto, treinador do Gil Vicente
«Fomos sempre a melhor equipa, mesmo quando o jogo estava onze para onze. Sabíamos que ia ser um difícil, mas tivemos a capacidade para o tornar fácil. Pedi aos jogadores para irem à procura de golos. Podia haver tendência para relaxar, mas foram competitivos até ao fim.»
Hugo Oliveira, treinador do Famalicão
«Antes da expulsão, houve um jogo equilibrado, muito tático e sem muita criação. Mas o futebol é como a vida: nem sempre vai estar sol. Depois da expulsão, entregámos o jogo e isso não pode ser. Mesmo quando estávamos com dez, devíamos ter criado caminhos para dar a volta.»