Barbero puxou da tesoura e cortou invencibilidade ao leão do Almirante (crónica)
Tudo tem um fim. Mas, muitas vezes, é importante perceber que esse fim pode ser apenas um... intervalo. Falamos do Marítimo e da invencibilidade... que caiu. Os insulares tinham somado duas vitórias — Casa Pia (1-0) e Famalicão (2-1) — e um empate — Académico de Viseu (2-2) — nas três primeiras jornadas deste campeonato, mas ao quarto encontro surgiu o deslize.
E a entrada em jogo do leão do Almirante provou (se é que era mesmo necessário) que a equipa respira saúde, tranquilidade, mas, e acima de tudo, qualidade. Com e sem bola. E foi logo aos 5 minutos que surgiu o mote, dado por Martin Tejón (que craque!): remate em arco, pleno de intenção, com a bola a tirar tinta ao poste esquerdo.
Mas se o Marítimo anda bem, o Arouca está... ainda melhor. Os lobos tinham batido Vitória de Guimarães (1-0) e Moreirense (4-0), sendo que a derrota (0-2) no reduto do FC Porto não beliscou minimamente a extraordinária entrada em cena dos amarelos nesta Liga.
Foi, pois, sem surpresa que os da casa, depois de equilibrarem, começaram a somar situações de finalização, mas Nais Djouahra (11'), Espen van Ee (12'), Taichi Fukui e Pablo Gozálbez (ambos aos 14') e Iván Barbero (15') não tiveram arte para desfeitear Alfonso Pastor.
A contenda estava de parada e resposta e da Pérola do Atlântico surgiam mais ameaças: Martin Tejón viu Arruabarrena negar-lhe o golo com uma excelente intervenção (17') e Rodrigo Andrade teve na barra a principal inimiga (23'). No entanto, e pouco depois, houve mesmo festa verde-rubra. Raphael Guzzo bateu um canto à esquerda, Taichi Fukui desviou de cabeça, ao primeiro poste, com a bola a sobrar para... Martin Tejón, que, com um remate forte e colocado fez o primeiro da (bela) tarde na Serra.
Bryan Limbombe não foi astuto o suficiente para aumentar a vantagem dos visitantes (35') e como um mal nunca vem só... eis que os arouquenses chegaram ao empate: assistência de Alfonso Trezza e remate prensado de Espen van Ee, que traiu Alfonso Pastor (44').
Depois de uma primeira parte com muitos lances de espetacularidade, eis que a etapa complementar foi mais dividida, mas sempre com sinal mais dos lobos. Foi sem grande surpresa que o anfiteatro da Serra da Freita voltou a explodir de alegria, quando Iván Barbero (três golos em quatro jornadas) teve cabeça para corresponder ao excelente cruzamento de Pablo Gozálbez e completar a reviravolta (55').
Até final, houve intenções do Marítimo, mas muita maturidade do Arouca. É caso para dizer que Barbero puxou da tesoura e cortou a invencibilidade dos madeirenses.
Até nem foi a tarde mais profícua do ponta de lança, que apareceu mais em lances associativos do que propriamente de finalização, em virtude dos duelos táticos travados entre a defensiva madeirense e o ataque arouquense, mas quando a redondinha lhe chegou a preceito... não perdoou: ao cruzamento milimétrico de Pablo Gozálbez respondeu Barbero com cabeça para selar a vitória.
Para bem da qualidade do jogo ofensivo dos insulares, seria de todo interessante que a administração presidida por Carlos André Gomes conseguisse fechar a porta da saída ao criativo espanhol até final do mercado. O número 10 nas costas não é apenas simbólico. É mesmo a melhor expressão da magia que o jogador formado no Valência coloca em quase todas as suas ações. Belo remate para o golo insular.
As notas dos jogadores do Arouca:
Arruabarrena (6), Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (5), Jose Fontán (5), Orest Lebedenko (6), Espen van Ee (7), Taichi Fukui (6), Alfonso Trezza (6), Pablo Gozálbez (7), Nais Djouahra (6), Iván Barbero (7), Brian Mansilla (5), Dylan Nandín (5), Mateo Flores (5), Pedro Santos (—) e Mario Climent (—).
As notas dos jogadores do Marítimo:
Alfonso Pastor (6), Igor Julião (5), Rafael Fernandes (5), Romain Correia (5), Paulo Henrique (6), Rodrigo Andrade (6), Danilovic (5), Bryan Limbombe (5), Raphael Guzzo (6), Martin Tejón (7), Adrian Butzke (5), Samy Bamba (5), Israel Ayuma (5), Maurice Boakye (5) e Nilton Varela (—).
Vasco Seabra (treinador do Arouca):
Merecemos vencer. Depois do golo do Marítimo tivemos cinco minutos inquietos, mas voltámos para cima e empatámos justamente. Na segunda parte, entrámos muito bem e foi justo passarmos para a frente. Temos de seguir neste caminho.
Mitchell van der Gaag (treinador do Marítimo):
A equipa fez muita coisa boa. Tivemos momentos difíceis, mas lutámos e nunca desistimos. Tentámos o empate e o Arouca fez tudo para defender o resultado, o que é normal. Perder não deu muito jeito... Jogámos melhor do que no último jogo.