Festa dos jogadores do Arouca após o golo de Iván Barbero, que deu vitória com o Marítimo — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Festa dos jogadores do Arouca após o golo de Iván Barbero, que deu vitória com o Marítimo — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Barbero puxou da tesoura e cortou invencibilidade ao leão do Almirante (crónica)

Ponta de lança (leva três golos em quatro jogos) devolveu o sorriso ao Arouca, que respondeu da melhor forma ao desaire diante do FC Porto. Madeirenses não seguraram vantagem e somaram a primeira derrota na prova

Tudo tem um fim. Mas, muitas vezes, é importante perceber que esse fim pode ser apenas um... intervalo. Falamos do Marítimo e da invencibilidade... que caiu. Os insulares tinham somado duas vitórias — Casa Pia (1-0) e Famalicão (2-1) — e um empate — Académico de Viseu (2-2) — nas três primeiras jornadas deste campeonato, mas ao quarto encontro surgiu o deslize.

E a entrada em jogo do leão do Almirante provou (se é que era mesmo necessário) que a equipa respira saúde, tranquilidade, mas, e acima de tudo, qualidade. Com e sem bola. E foi logo aos 5 minutos que surgiu o mote, dado por Martin Tejón (que craque!): remate em arco, pleno de intenção, com a bola a tirar tinta ao poste esquerdo.

Mas se o Marítimo anda bem, o Arouca está... ainda melhor. Os lobos tinham batido Vitória de Guimarães (1-0) e Moreirense (4-0), sendo que a derrota (0-2) no reduto do FC Porto não beliscou minimamente a extraordinária entrada em cena dos amarelos nesta Liga.

Foi, pois, sem surpresa que os da casa, depois de equilibrarem, começaram a somar situações de finalização, mas Nais Djouahra (11'), Espen van Ee (12'), Taichi Fukui e Pablo Gozálbez (ambos aos 14') e Iván Barbero (15') não tiveram arte para desfeitear Alfonso Pastor.

A contenda estava de parada e resposta e da Pérola do Atlântico surgiam mais ameaças: Martin Tejón viu Arruabarrena negar-lhe o golo com uma excelente intervenção (17') e Rodrigo Andrade teve na barra a principal inimiga (23'). No entanto, e pouco depois, houve mesmo festa verde-rubra. Raphael Guzzo bateu um canto à esquerda, Taichi Fukui desviou de cabeça, ao primeiro poste, com a bola a sobrar para... Martin Tejón, que, com um remate forte e colocado fez o primeiro da (bela) tarde na Serra.

Bryan Limbombe não foi astuto o suficiente para aumentar a vantagem dos visitantes (35') e como um mal nunca vem só... eis que os arouquenses chegaram ao empate: assistência de Alfonso Trezza e remate prensado de Espen van Ee, que traiu Alfonso Pastor (44').

Depois de uma primeira parte com muitos lances de espetacularidade, eis que a etapa complementar foi mais dividida, mas sempre com sinal mais dos lobos. Foi sem grande surpresa que o anfiteatro da Serra da Freita voltou a explodir de alegria, quando Iván Barbero (três golos em quatro jornadas) teve cabeça para corresponder ao excelente cruzamento de Pablo Gozálbez e completar a reviravolta (55').

Até final, houve intenções do Marítimo, mas muita maturidade do Arouca. É caso para dizer que Barbero puxou da tesoura e cortou a invencibilidade dos madeirenses.

O melhor em campo: Iván Barbero (Arouca)

Até nem foi a tarde mais profícua do ponta de lança, que apareceu mais em lances associativos do que propriamente de finalização, em virtude dos duelos táticos travados entre a defensiva madeirense e o ataque arouquense, mas quando a redondinha lhe chegou a preceito... não perdoou: ao cruzamento milimétrico de Pablo Gozálbez respondeu Barbero com cabeça para selar a vitória.

A figura: Martín Tejón (Marítimo)

Para bem da qualidade do jogo ofensivo dos insulares, seria de todo interessante que a administração presidida por Carlos André Gomes conseguisse fechar a porta da saída ao criativo espanhol até final do mercado. O número 10 nas costas não é apenas simbólico. É mesmo a melhor expressão da magia que o jogador formado no Valência coloca em quase todas as suas ações. Belo remate para o golo insular.

As notas dos jogadores do Arouca:

As notas dos jogadores do Marítimo:

Vasco Seabra (treinador do Arouca):

Merecemos vencer. Depois do golo do Marítimo tivemos cinco minutos inquietos, mas voltámos para cima e empatámos justamente. Na segunda parte, entrámos muito bem e foi justo passarmos para a frente. Temos de seguir neste caminho.

Mitchell van der Gaag (treinador do Marítimo):

A equipa fez muita coisa boa. Tivemos momentos difíceis, mas lutámos e nunca desistimos. Tentámos o empate e o Arouca fez tudo para defender o resultado, o que é normal. Perder não deu muito jeito... Jogámos melhor do que no último jogo.

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