Aston Martin arrisca fiasco em Melbourne: sem baterias de substituição para o GP da Austrália
A Aston Martin enfrenta um início de temporada de Fórmula 1 repleto de dificuldades, com a equipa a revelar esta sexta-feira que não dispõe de baterias de substituição para o Grande Prémio da Austrália, a corrida inaugural que se realiza este domingo, 8 de março.
Este problema agrava uma situação já delicada para a equipa britânica. Adrian Newey, engenheiro da Aston Martin, confirmou a escassez de um componente vital, admitindo que a equipa está numa posição vulnerável antes mesmo do arranque da competição com os pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll.
«Estamos com falta de baterias. Restam-nos apenas duas, as que estão nos carros. Se perdermos uma, isso irá obviamente causar um grande problema. Por isso, temos de ter muito cuidado com a forma como utilizamos as baterias», detalhou Newey em conferência de imprensa.
Os contratempos para a equipa de Silverstone não se ficam por aqui. Para além da ausência forçada de Fernando Alonso na primeira sessão de treinos livres - devido a um problema com a unidade de potência -, a Aston Martin debate-se com um problema ainda mais grave: as vibrações excessivas provocadas pelo novo motor Honda, que ameaçam a integridade física dos seus pilotos.
Difícil para Alonso
Newey alongou-se um pouco mais com a situação de Alonso, de 44 anos. «O Fernando é um dos verdadeiros grandes. A sua capacidade, o seu talento, a sua competência global… na verdade, deveria ter conquistado muito mais do que os dois campeonatos que tem no seu nome e as várias vitórias em corridas. A sua visão continua muito boa. As reacções — ele tem muito orgulho no facto de ter sido o piloto com o arranque mais rápido no ano passado, em tempo de reacção. Portanto, é uma pessoa incrível. Tentámos controlar as nossas expectativas porque sabíamos que este ia ser um ano difícil, um ano de construção. Começámos muito tarde e com um calendário muito apertado no desenvolvimento do chassis, mas sabíamos que isso significava que, na primeira metade da época, conseguiríamos recuperar terreno e teríamos preferido muito não ter a distracção que isto agora causou. Para o Fernando, neste momento, é um lugar mental difícil em que se encontrar», explicou.
Na quinta-feira, Newey já tinha alertado para a gravidade da situação, explicando que as vibrações poderiam forçar os pilotos a abandonar a corrida prematuramente. «A unidade de potência (o motor) é a fonte das vibrações, é ela que as amplifica. (...) Estas vibrações causam alguns problemas de fiabilidade que temos de corrigir. Mas o problema muito mais significativo é que estas vibrações acabam por se transmitir até aos dedos do piloto», explicou o engenheiro.
O impacto nos pilotos é alarmante. «O Fernando estima que não consegue fazer mais de 25 voltas consecutivas antes de arriscar danos permanentes nas mãos. O Lance, por sua vez, pensa que não consegue ultrapassar as 15 voltas antes de atingir esse limiar», acrescentou Newey, sublinhando a necessidade de uma abordagem cautelosa na corrida.
«Teremos, portanto, de limitar muito o número de voltas que faremos em corrida até identificarmos a fonte das vibrações e melhorarmos a situação na sua origem», concluiu.
Depois de testes dececionantes em Barcelona e no Bahrein, a Aston Martin, que era apontada como uma das possíveis surpresas de 2026 com a chegada de Newey — figura-chave nos seis títulos de construtores da Red Bull —, entra na nova temporada mergulhada em incertezas e com a confiança em baixo.