André Villas-Boas deu as boas-vindas a André Silva - Foto: FC Porto
André Villas-Boas deu as boas-vindas a André Silva - Foto: FC Porto

André Silva volta a casa: os craques que também regressaram ao FC Porto (com galeria)

De Vítor Baía a Pepe, passando por Lucho, Quaresma ou Thiago Silva, o FC Porto habituou-se a receber de volta quem parte – quase sempre para somar títulos, liderança e reforçar o ADN dos dragões

O regresso de André Silva, nove anos depois de ter explodido no FC Porto, iniciando no Milan uma carreira internacional que o levou ainda a competir por Sevilha, Eintracht Frankfurt, RB Leipzig, Real Sociedad, Werder Bremen e Elche, alinhou-se com a necessidade que os dragões sinalizaram de ter uma referência de área forte, capaz de dar a Farioli uma solução mais consistente do que Moffi para uma época em que a Champions andará de mãos dadas com a Liga.

O internacional português traz, por outro lado, um atrativo extra: a ligação umbilical aos azuis e brancos e a facilidade em sintonizar-se com o espírito e ADN da família portista, aspeto que Francesco Farioli, mesmo sendo italiano, valorizou e explorou desde o primeiro dia em que assumiu o comando da equipa. Num grupo jovem e com muitas estreias, Farioli e a estrutura diretiva perceberam que era necessário injetar essa identidade e reforçar o elo com a cidade e os adeptos.

De Baía e Quaresma a André Silva: alguns dos jogadores que regressaram ao FC Porto

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Olhando para trás, ao longo deste século, o FC Porto foi construindo uma espécie de galeria de regressos. Os casos mais recentes, já sob a gestão de André Villas-Boas, foram Thiago Silva e Fábio Vieira, com desfechos distintos e enquadramentos diferentes. O central chegou do Fluminense em janeiro para ser peça importante na estabilidade da defesa e coroou esse meio ano com a conquista do título nacional, antes de sair. O criativo chegou cedido pelo Arsenal e foi apanhado pela agitação de uma época de mudança que também custou o lugar a Vítor Bruno e Martín Anselmi.

Baía e Jorge Costa: liderança

Mas quem parte leva normalmente um pedaço de FC Porto no coração e, ainda que nem todos regressem, ao longo dos anos multiplicaram-se os exemplos de quem reencontrou na Invicta um Porto seguro. Vítor Baía foi um desses casos. Transferido para o Barcelona, voltou em 1998/1999, com Fernando Santos, acabando por ser o guarda‑redes do grande FC Porto de Mourinho, somando campeonatos, taças, Taça UEFA e Liga dos Campeões até pendurar as luvas em 2006/07.

Depois do n.º 99, Jorge Costa seguiu um caminho semelhante: após a passagem pelo Charlton, uma espécie de exílio forçado pelo grave desentendimento com o então treinador portista, Octávio Machado, regressou em 2001/2002 para reclamar a braçadeira de volta e abrilhantar o currículo com troféus europeus e nacionais. Simultaneamente, o Bicho foi a voz que o balneário precisava para elevar a alma e amarrar-se aos valores do FC Porto.

Rui Barros e Lucho: referências

Ainda que com um impacto competitivo mais discreto na segunda passagem, Rui Barros encaixa no mesmo padrão. Numa fase mais adiantada de carreira, no início dos anos 2000, ainda acrescenta títulos e reforça a ligação ao clube, que depois se prolonga nas funções de treinador-adjunto durante muitos anos, técnico dos “bês” e prospector.

Mais tarde, Lucho González protagoniza um dos regressos mais simbólicos e desenhados do período recente. Saiu para o Marselha em 2009 e regressou em 2011/2012, a meio da época, voltando a pegar na braçadeira e a ganhar campeonatos e supertaças numa equipa em transição. A segunda passagem confirmou‑o como grande referência do clube, ao ponto de ter voltado já na era AVB como adjunto de Farioli e com papel muito importante no trabalho ‘invisível’ no Olival.

Quaresma e Pepe: fogo e gelo

Pouco depois de El Comandante, em 2013/2014, é a vez de Ricardo Quaresma voltar aos azuis e brancos, para onde se mudara primeiro em 2004/05, depois de um ano no Barcelona e quase uma vida no Sporting. Jogou com regularidade, ajudando o FC Porto a celebrar mais títulos, enquanto entusiasmava as bancadas com o seu estilo muito singular e a famosa trivela.

O caso de Pepe leva esta lógica do regresso a uma casa querida a outro nível. Do Marítimo para o FC Porto, o central escreve a sua história na equipa até sair, em pleno estágio nos Países Baixos, com destino ao Real Madrid, em 2007. A ligação aos merengues foi longa e só em 2018/2019, já veterano, volta a atravessar a porta do Dragão como jogador a quem estava reservado um lugar especial na equipa de Sérgio Conceição, antecipando já o adeus de Militão. Tornou-se de novo patrão da defesa e do balneário. Nessa segunda etapa soma mais campeonatos e Taças de Portugal, sustenta uma das defesas mais consistentes do campeonato e, mesmo com 40 anos, mostrou, para quem tinha dúvidas, que regressara para competir, não para fazer número nem vender camisolas.

Nesse domínio, o FC Porto raramente abre a porta a um regresso apenas pela nostalgia ou para alavancar a parte comercial. Quem volta, volta para competir, para ganhar e para reforçar o ADN do clube – e é isso que o universo portista pede (ou exige) a André Silva.

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