Assalto a Bednarek, 'bocas' a Varandas, próxima época e Aves SAD: tudo o que disse Farioli
Depois da conquista do 31.º título nacional, o FC Porto prepara já a visita ao terreno do já despromovido Aves SAD. Francesco Farioli fez a antevisão ao encontro com os avenses, na sala de Imprensa do Centro de Treinos e Formação Desportiva Jorge Costa, no Olival.
— Com o objetivo principal concluído, o FC Porto tem aqui a possibilidade de igualar o recorde de pontos obtidos no campeonato — são 91. É algo que também ambicionam nesta fase final?
— Penso que, claro, há dois jogos para jogar e há o desejo total de tentar fazer o melhor possível. Obviamente, para atingir essa quantidade de pontos, vamos precisar de duas vitórias e vamos tentar ir, com certeza, atrás destes dois resultados. Mas, mais uma vez, foco no jogo de amanhã, com uma equipa que no último período está numa tendência bastante positiva; vêm de três empates e uma vitória no último jogo, por isso, com certeza, estão numa tendência positiva e temos de estar preparados. Fora é sempre difícil. Claro que vamos ter muitos adeptos, como habitualmente, mas temos de estar realmente bem preparados para esse jogo.
— Esta manhã fica marcada por uma notícia assustadora: o Jan Bednarek teve um assalto à sua própria casa, deparou-se inclusivamente com os assaltantes. Ele, no entanto, esteve aqui, falou com ele? Está disponível? Como é que neste momento está a situação?
— Sim, é claro que este é um assunto pessoal. Penso que o Jan esteve aqui esta manhã, teve o treino com a equipa, por isso ele estava bem, claro, com as dificuldades depois de uma certa noite. Mas penso que a resposta que o clube, a polícia e todos deram para o apoiar foi a que queríamos. Por isso, para o Jan, como disse, ele esteve com os companheiros e teve uma sessão completa connosco.
— Relativamente ao que aí vem agora, porque neste momento já começa a abrir a época de notícias de mercado. E o Froholdt está nas manchetes, nos títulos dos jornais, das rádios, das televisões. Garantias é difícil dar, acredito, mas que feeling tem daquilo que vai falando com o Froholdt? Ele está com vontade de ficar mais um tempo no FC Porto consigo?
— Sobre o Victor, penso que, em primeiro lugar, de um lado, o crédito é dele pelo nível de atenção que obteve devido ao seu desempenho, à consistência que teve e, especialmente, à evolução que teve desde que chegou até agora. A maturidade que provou em cada jogo, por isso penso que isto diz muito. Não é o único jogador que, claro, teve uma progressão fantástica durante a temporada, mas penso que as suas palavras depois do jogo de sábado à noite foram muito claras sobre onde quer estar na próxima época, como se sente aqui no Porto. E, por outro lado, há, digamos, um desejo e intenção claros do clube de seguir no caminho certo, de tentar manter os nossos melhores jogadores aqui, para construir em cima deste grupo. Porque, claro, o que fizemos — falámos várias vezes sobre a época de reconstrução — estávamos numa época de reconstrução, tivemos, claro, uma conquista fantástica para celebrar, mas agora já é tempo, na nossa mente, de pensar que há dois jogos que precisam de ser jogados. E estes dois jogos estão um bocado num, digamos, num estado híbrido entre terminar esta época e também ser já, de alguma forma, uma preparação para a próxima. Por um lado, em termos do espírito, do compromisso e do nível de desempenho que quero ver; por outro lado, poderá ser uma oportunidade para verificar alguns jogadores. Como sabem, desde o início da época usamos muito uma rotação bastante forte entre os jogadores, todos se sentiram envolvidos, todos com a condição física correta. Por isso, nos próximos dois jogos, também poderá ser que alguns jogadores alternem entre eles para ver em que ponto estão. E, por outro lado, há o trabalho que já estamos a fazer há várias semanas com o clube sobre a visão a longo prazo do clube, os jogadores que queremos trazer, reuniões de scouting... Segunda-feira terei um dia bastante importante com o clube para analisar os nomes, o perfil e avançar e começar a abordar realmente as coisas da forma que queremos. Por isso, penso que aqui, sabem, jogamos sábado, sábado à noite, domingo e depois estendi por um par de dias também para os jogadores, como aqui na sessão de treino, um bocado de tempo para todos digerirem a conquista que obtivemos. Mas agora é tempo de voltar ao trabalho, é tempo de começar a entregar novamente desempenhos de topo em campo e, por outro lado, como vos disse, há uma grande organização que está a trabalhar para chegar pronta ao mercado, para fazer as escolhas certas e para ter uma equipa adequada para a próxima época para competir nas diferentes competições onde vamos estar envolvidos.
— Duas questões: primeiro sobre Bednarek, se esta vontade de vir treinar e de estar disponível para jogar mostra mais uma vez a personalidade forte que o jogador tem mostrado ao longo de toda a época, se é uma personalidade à Porto. E a segunda questão: há jogadores do seu plantel que ainda não foram campeões em campo — falo de João Costa e de Tiago Silva. Poderá ainda haver oportunidade para os dois pisarem o campo?
— O Jan não precisa de mostrar nada sobre o tipo de líder e homem que é. Esta manhã, como vos disse, ele esteve aqui, treinou e agora cabe-me a mim tomar a decisão se o faço jogar ou não. E, por outro lado, disse-vos: estamos numa situação em que eu gostaria de dar a todos o que eles merecem, mas há uma prioridade, e a prioridade é ganhar jogos. Por isso, todas as decisões que vou tomar são primeiro para ganhar jogos e depois... como disse, o que fizemos não é agora para mudar dois ou três jogadores só porque o trabalho está feito. Fizemos isto desde o início da época, neste grupo todos já provaram, digamos, o nível de compromisso e impacto que tiveram nestes 52 — com o jogo de amanhã 53 — jogos, se não estou em erro. Por isso, sim, esta é a parte principal. Pode ser que talvez um ou dois jogadores jovens tenham alguns minutos, mas a prioridade agora é absolutamente o jogo de amanhã e tentar fazer tudo para obter os resultados que queremos.
— Que sensações obteve da festa de campeão, que recordações guarda dessa noite e também se está ansioso por experimentar a ida aos Aliados. E se já há alguma definição em relação ao Moffi?
— Em relação à celebração, disse-vos que, para mim pessoalmente, tive um bocado de dificuldade em realizar porque, claro, estávamos bastante focados no jogo e só quando fomos para fora com os nossos adeptos é que realizei que algo realmente bom aconteceu. E foi o momento de ter, sim, uma celebração adequada e um momento onde realmente conectamos e partilhamos com os nossos adeptos uma conquista realmente importante. Dei aos jogadores tempo suficiente para digerirem a emoção, para voltarem aqui e reconstruírem uma certa condição. Mas já vos disse, já passaram três dias, já estamos de volta ao 'modo gás total', absolutamente focados, sem saltar nada do que está na nossa rotina normal porque, como vos disse, agora já começamos a definir o padrão para a próxima época. Não pode ser que uma conquista faça o nosso estômago já estar cheio com as coisas certas. Por isso, o que quero ver amanhã é uma equipa que vai para o campo com a mesma fome, com o mesmo desejo e com a mesma atitude que tivemos em todos os outros jogos. E, como vos disse, é um jogo para mim também para fazer algumas avaliações extra sobre jogadores e também o nível de profissionalismo que queremos e que vamos precisar para terminar agora e continuar na próxima época. E a segunda parte sobre o mercado: como sabem, há um par de jogadores que estão aqui por empréstimo, um par de jogadores que vão terminar o contrato. Por isso, como podem imaginar, há discussões, conversas diretamente com os jogadores, com os seus agentes e também com os seus clubes para compreender a situação, possíveis condições para fazermos avaliações. Penso que a realidade de tudo o que estes jogadores fizeram é que todos trouxeram uma peça ou ajudaram com uma peça para alcançar o que queríamos e, nesta parte, há muita gratidão do meu lado pelo nível de profissionalismo que eles puseram e o nível de contribuição que deram à equipa. E também uma ligação pessoal com todos eles. Por isso, agora estamos numa situação onde, claro, nos estamos a aproximar de algumas decisões, mas nada vai ser decidido antes do fim do campeonato porque, como podem imaginar, agora o foco para todos nós ainda é o campeonato e tentar obter o máximo de pontos nos próximos dois jogos.
— Prpic não joga desde dezembro do ano passado, penso que é o jogador de campo com um hiato tão grande desde a última utilização. Porquê caiu das opções e qual será o papel dele para a próxima temporada, tendo em conta que, com as chegadas do Thiago Silva e a recuperação do Nehuén Pérez, o espaço fica reduzido?
— Sobre o Dominik, compreendo que para o mundo exterior talvez tenha sido complicado ver a progressão e esta evolução porque, como disse, desde dezembro ele não jogou mais. Claro que com o mercado de janeiro e a chegada do Tiago, penso que ganhámos, digamos, uma dinâmica diferente entre os defesas-centrais. Como sabem, o Jan teve a maioria dos minutos — jogou quase todos os jogos desde janeiro até agora — e depois tivemos entre o Tiago e o Jan, e também algumas vezes o Pablo, gerimos para completar a linha defensiva e a dupla de centrais. Sobre o Dominik, penso que ele teve... se recuarmos ao início da época e, provavelmente, à sua expectativa antes de vir, penso que ele assinaria com tudo para jogar os 600, 700 minutos que jogou esta época. Na realidade, claro, o facto de ele ter tido tantos minutos no início da época e nada na segunda parte pode parecer um desequilíbrio entre os dois, mas na realidade, quando tens a dupla de centrais da seleção nacional da Polónia e uma lenda como o Tiago Silva, não é fácil às vezes conseguir certos minutos. Por isso, isto não vai de todo contra ele ou contra o facto de ele não ter melhorado. Não, para mim é completamente diferente. Penso que ele teve uma progressão muito forte, ele teve apenas um momento, penso que no final do mercado, onde desligou um bocado da ligação com o dia-a-dia, mas penso que ele sempre se provou, honestamente, num padrão muito elevado e, mesmo que não tenha jogado desde janeiro até ao final do ano, penso que ele realmente nos ajudou a manter o nível da sessão de treino ao nível mais alto, a realmente elevar os padrões em cada sessão de treino, especialmente na sessão 'match day +1' que é sempre para nós uma sessão de treino muito importante. E este nível de compromisso em termos dos exercícios com bola, quando se tratava de adicionar algum trabalho físico extra para manter a condição de uma certa forma, ele sempre se provou ao mais alto nível. E penso que o facto de ele ser tão bem reconhecido pelos outros companheiros de equipa, e especialmente pelos jogadores seniores, penso que diz muito sobre o seu papel no grupo. E, como disse, agora penso que é um bom momento para fazer algumas avaliações, para analisar e, com a calma certa, chegar ao fim do ano e decidir o que fazer para o melhor do clube, para o seu desenvolvimento pessoal. Mas, como disse, com o Dominik estou realmente ligado profissionalmente e do ponto de vista humano, e estou realmente grato pelo que ele fez nesta época connosco.
— Houve jogadores que mandaram indiretas para outros clubes na festa, para dirigentes de outros clubes. Indiretas essas que muitas vezes dão origem a suspensões, a castigos por parte da Liga. Pergunto-lhe se para a próxima festa se vai pedir um maior controlo aos jogadores, até para evitar esses castigos. E uma segunda questão: já falámos sobre possíveis saídas, falamos agora sobre entradas. Eu sei que o Francesco é um treinador cauteloso, gosta muito de falar do presente e do próximo jogo, eu pergunto-lhe se gostaria de ver posições a serem reforçadas na próxima época e se já teve alguma conversa com o Presidente sobre possíveis reforços?
— No primeiro assunto: a próxima grande celebração vai ser daqui a 10 dias, por isso temos tempo suficiente para preparar. Já disse várias vezes que a logística e todas as outras coisas são parte de... não é o meu negócio. Por outro lado, penso que, num momento de felicidade, a emoção às vezes sobe um bocado demais. Algumas coisas, penso que foram apenas um bocado acima das minhas coisas pessoais e outras, penso que fazem parte de... no desporto há alguém que está a ganhar, alguém que está a perder, e penso que pelo peso da época, de alguma forma, algumas coisas também nos fazem rir de uma forma razoável. Na outra parte, sobre o planeamento da próxima época, já vos disse: penso que desde que começámos, em julho da época passada, sempre tive uma colaboração muito clara e aberta com o clube — claro, principalmente com o presidente, mas com toda a estrutura, com o departamento de scouting. Estamos a ter, durante a época já tivemos bastantes reuniões e momentos para fazer, digamos, uma avaliação da nossa equipa, porque no fim é de onde tudo começa: o que temos nas mãos, o feeling e as necessidades que poderíamos ter. E, por outro lado, o que o mercado nos poderia trazer para a mesa. E penso que o exemplo de janeiro foi muito bom porque, como sabem, fizemos duas operações no início do mercado, que foram dois alvos que tínhamos muito claros e depois, esperando um bocado pelas oportunidades certas, fomos para o Seko e o Terem, que no fim creio que ambos desempenharam um papel bastante importante. Porque, claro, com a lesão do Samu mais tarde, e o impacto do Seko e a oportunidade também de dar alguns minutos de descanso ao Victor, viram claramente a evolução e como as coisas correram para todos. Por isso, agora estamos num momento onde todas as boas emoções e boas vibes do campeonato, de alguma forma, têm de ser postas de lado e precisamos de estar novamente com a mente fria para fazer uma análise clara do nosso plantel, as áreas onde acreditamos que temos de melhorar. Ir caso a caso porque, mais uma vez, há posições onde de certeza vamos precisar de fazer algo — penso que na frente é claramente uma situação onde, enquanto esperamos pelo Samu, há situações que precisam de ser avaliadas, há a opção do Terem... por isso há diferentes situações que precisam de ser analisadas. Fora disto, claro, também precisamos de ouvir alguns jogadores para compreender, claro, o seu desejo de continuar ou não connosco, situação de empréstimos, situação de jogadores a terminar contrato. Por isso, como podem imaginar, as próximas semanas vão ser bastante ocupadas, mas já estamos a trabalhar a "gás total" em todos os diferentes assuntos porque, já disse, agora cada momento desde domingo à noite vai ser... quanto mais esforço e qualidade vamos trazer para a rotina diária, isso vai ajudar-nos a construir a próxima época. Estes são momentos em que podes ganhar ou podes perder e aqui ninguém quer perder tempo. Por isso, a estrutura do clube já está a trabalhar arduamente. Na segunda-feira terei uma longa reunião com o scouting lá, por isso aqui todos estão realmente alinhados sobre para onde queremos ir, a ambição que temos e o desejo de continuar a melhorar-nos. Porque, mais uma vez, o futebol é assim: vivemos no presente e, de alguma forma, embora estejamos a falhar uma celebração, como todos vós já mencionaram, nos Aliados, na realidade, na nossa mente, já estamos a pensar no próximo passo e na próxima época.
— Do ponto de vista pessoal este título tira um peso dos seus ombros, tendo em conta o facto de ter sido quase bombardeado com aquela questão da época passada do Ajax? Que outros sonhos é que tem para a carreira, a começar já pela próxima época?
— Nestes dias recebi imensas mensagens, chamadas, e a muitas dessas ainda tenho de responder porque o farei no final da época, quando terei um bocado mais de tempo livre para responder a todos. Mas, claro, em algumas chamadas com pessoas que me são realmente próximas, todos me perguntam qual é a principal diferença entre a época passada e este ano. Na realidade, penso que — e disse isto também antes da conferência de imprensa do outro dia — penso que o trabalho que entregamos como equipa técnica tem sido bastante semelhante. Claro, alguns ajustes, algumas mudanças, melhorias, qualidade da forma que quiserem, mas depois, numa época, há tantas pequenas coisas que fazem a diferença, que te podem ajudar a ficar mais perto ou a ficar mais longe do resultado, que no fim tudo é realmente... há sempre uma linha muito fina. Por isso, de fora, sabem, claro que gosto de estar ciente do que se está a passar e de qual é a narrativa que tentamos construir em volta. Eu estava muito frio na época passada quando tudo aconteceu, embora, claro, emocionalmente tenha sido um momento difícil, mas sei exatamente o porquê ou o que senti que poderíamos ter feito melhor, eu próprio em primeira pessoa ou a organização do outro lado. Mas, especialmente, conheço realmente bem o que tem sido feito a um nível de topo aqui no clube e esta é para mim a principal lição e a maior lição. Porque, no fim, para criar as condições para ganhar e para ser capaz de ser bem-sucedido, precisas de ter desde a cabeça — e claro, desde o homem mais alto no comando até ao último — todos a empurrar para o outro lado. E isto não é uma garantia de ganhar, isto cria as condições para ganhar. E na época passada passámos por dois mercados que foram catastróficos e penso que, na minha opinião, se me perguntarem qual foi o real milagre, foi na época passada trazer uma equipa naquele estado para competir até ao último momento. Esta época fizemos um bom trabalho, mas não fomos os únicos a fazer um bom trabalho. E disse várias vezes o quão grato estou ao clube, ao presidente, às pessoas que estão a trabalhar mais perto do presidente, ao Tiago e ao Henrique, que são as duas faces do clube que estão comigo todos os dias aqui no Olival, a tentarem trabalhar comigo em cada detalhe para pôr as coisas no sítio certo. Uma equipa técnica fantástica que está a trabalhar arduamente, todos os outros departamentos que, como vos disse, desde os chefes de departamento até às pessoas que estão a trabalhar lá, todos, para além de serem adeptos do Porto, são trabalhadores incríveis e, claro, ter um grupo de jogadores deste nível de compromisso. E quando pões todas as coisas juntas, sim, então tens as condições para estares mais perto da possibilidade de ser bem-sucedido.