Kai Havertz marcou o golo que deixa o Arsenal isolado no comando da Premier League - FOTO:Imago
Kai Havertz marcou o golo que deixa o Arsenal isolado no comando da Premier League - FOTO:Imago

Arsenal ganha em Anfield 14 anos depois

Liverpool chegou a ser sufocante depois de estar em desvantagem, mas o campeão soube resistir e valeu o golo de Kai Havertz para beneficiar do desaire do Manchester City e isolar-se na liderança

Catorze anos depois da última vitória no mítico Anfield — quando Arsène Wenger ainda comandava a equipa de Londres e o Mikel Arteta, o atual treinador, ainda jogava —, o Arsenal voltou a vencer na casa do Liverpool. O fantasma evaporou-se.

Se era preciso recuar a 2 de setembro de 2012 para encontrarmos uma vitória do Arsenal em Anfield, com golos de Podolski e Cazorla, o primeiro passa para acabar com o fantasma foi o golo madrugador de Kai Havertz, superiormente servido por Declan Rice, que soube romper pela direita e fazer um cruzamento perfeito.

Mas este foi triunfo arrancado a ferros, já que o Liverpool reagiu rapidamente e teve momentos em que sufocou o campeão, empurrando-o para junto da sua área, segurando aquele que tem sido o resultado predileto da era Arteta no clube londrino: 1-0. Foi a 33.ª vitória pela margem mínima do treinador basco, que finalmente sorriu em Anfield.

Voltemos ao início do jogo. Havia que aproveitar o deslize do Manchester City frente ao Brighton e o Arsenal agarrou-a com a mestria de Declan Rice, o que aconteceu porque a equipa de Arteta entrou com personalidade, a querer mandar no jogo e a pressionar alto.

O golo, porém, despertou o Liverpool e transformou o jogo num autêntico teste de sobrevivência aos visitantes. Empurrado pelas bancadas e orquestrado por Florian Wirtz, o Liverpool de Andoni Iraola assumiu as rédeas da partida e instalou uma pressão asfixiante sobre o último terço londrino.

Foram minutos de domínio claro do Liverpool, com a defensiva do Arsenal, liderada por Gabriel Magalhães e Konsa, teve de multiplicar cortes providenciais.

Apesar do domínio avassalador e da capacidade de sufocar o Arsenal, o melhor que o Liverpool conseguiu foi, na cobrança exímia de um livre direto à entrada da área de Florian Wirtz fazer a bola embater com estrondo na barra da baliza defendida por David Raya.

Logo a seguir, Alexis Mac Allister, em posição privilegiada no coração da área, desperdiçou de cabeça o golo do empate e no melhor período da equipa da casa parecia que a bola não queria mesmo entrar.

No início do segundo tempo, o guião não mudou muito. O Liverpool continuou a empurrar os londrinos para o seu meio-campo, acumulando cruzamentos venenosos e tentativas exteriores através de Isak e Kerkez, mas esbarrou invariavelmente na coesão do bloco defensivo e na segurança de Raya entre os postes.

Depois, Arteta soube cerrar fileiras, refrescou o miolo com Lewis-Skelly e lançou Viktor Gyokeres e Mikel Merino nos minutos finais para aliviar a pressão e prender a bola na frente. E aí mudou o cariz do jogo: subiu o Arsenal, que passou a gerir com mais posse de bola e saídas rápidas para o contra.ataque.

Quando o apito final soou após longos minutos de compensação, Anfield calou-se, enquanto Arteta saboreava o que nunca tinha conseguido fazer. Mais do que quebrar um enguiço de 14 anos, o Arsenal resistiu à tempestade, provou a têmpera de candidato e assumiu a liderança solitária da Premier League com a solidez e o pragmatismo que definem as equipas campeãs.

Já o Liverpool deixou claro que ainda não é um sério candidato ao título, mas que o futebol da equipa está agora uns furos acima do que tinha conseguido num passado mais ou menos próximo.

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