Arouca amarga despedida caseira e estraga recordes do Gil Vicente (crónica)
Noventa minutos não podem apagar uma época de grande nível. Mas a derrota do Gil Vicente frente ao Arouca (3-1), na penúltima jornada, e no último desafio em casa, vai doer bastante aos barcelenses.
A despedida em grande que a equipa queria dar aos adeptos no final de uma época de vários recordes esteve longe de ser uma realidade. O quinto lugar fica um pouco mais longe, apesar de não ser impossível, ao contrário do melhor registo defensivo da história do clube na Liga e do maior número de vitórias em casa, ambos alcançados na época 1999/2000.
E tudo porque a consistência que marcou a época dos galos, e que César Peixoto sublinhou várias vezes na antevisão à partida, teve um golpe duro, aplicado por um Arouca de grande nível e que vive o melhor momento nesta reta final da temporada.
O Arouca foi melhor do início ao fim, foi mais perigoso, mais autoritário e até parecia que era a equipa que ainda lutava por algo em termos classificativos.
Com as emoções do jogo guardadas para a segunda parte, depois de 45 minutos aborrecidos, ainda que com sinal mais positivo para o Arouca, o jogo em Barcelos viveu 10 minutos de loucura entre os 60 e os 70 minutos.
Recorrendo a uma arma que tantos frutos tem dado ao Gil Vicente, o Arouca inaugurou o marcador aos 61’, na sequência de um… lançamento lateral longo. Javi Sánchez desviou ao primeiro poste e Bas Kuipers mergulhou para fazer o 1-0.
A resposta do Gil, que até então tinha mostrado muito pouco em termos ofensivos surgiu de imediato, com um grande golo de Luís Esteves, com um remate à entrada da área, após trabalho de Gustavo Varela na área, de costas para a baliza.
Sem tempo para respirar, a contrarresposta do Arouca não demorou e Barbero devolveu os arouquenses à vantagem depois de ter sido lançado com um belo passe de Gozálbez para as costas da defesa gilista, que o avançado espanhol aproveitou para fazer o 2-1.
A vantagem deixou a equipa de Vasco Seabra ainda mais confortável e a tranquilidade chegou ao minuto 82 com mais um belo golo, desta feita de Fukui, também de fora da área, para fixar o resultado.
O triunfo permite à equipa subir ao 10.º lugar, enquanto o Gil Vicente fica de calculadora na mão para alcançar o desejado 5.º lugar. Para lá chegar, a equipa de César Peixoto tem de ganhar em Alvalade e esperar que o Famalicão perca com o Alverca. E depois é preciso ficar a torcer por um triunfo do Sporting na final da Taça de Portugal, para tirar o Torreense do caminho e assegurar a última vaga europeia.
Quase não se dá por ele, mas a importância de Fukui no jogo do Arouca é fulcral. Em Barcelos, o médio japonês foi o motor que deu andamento à equipa. É difícil lembrar um passe falhado do jogador de 21 anos que passou pela formação do Bayern Munique. Coroou a exibição com um belo golo, num remate colocado depois de ter calvalgado uns metros até à entrada da área, e que selou o triunfo.
Notas dos jogadores do Arouca: Arruabarrena (5); Tiago Esgaio (6), Javi Sánchez (6), Fontán (6) e Kuipers (6); Fukui (7) e Van Ee (6); Trezza (7), Gonzálbez (7) e Djouahra (6); Barbero (6); Mateo Flores (6), Dylan Nandín (6), Mansilla (-) e José Silva (-).
À semelhança do que aconteceu com toda a equipa, não fez o melhor jogo da época. Mas continuou a ser o mais esclarecido e quem tentou agitar o marasmo ofensivo dos gilistas e ligar o jogo. O golo que marcou imediatamente após o Arouca ter feito o 1-0 foi o melhor que se viu numa equipa que ainda sonha com o apuramento europeu.
Notas dos jogadores do Gil Vicente: Dani Figueira (5); Zé Carlos (5), Elimbi (4), Buatu (5) e Konan (5); Zé Carlos Ferreira (5) e Santi (5); Murilo (6), Luís Esteves (6) e Agustín (5); Gustavo Varela (5); Cáseres (5), Carlos Eduardo (-), Joelson (5), Héctor (5) e Martín Fernández (5).
César Peixoto, treinador do Gil Vicente
Eu assumi que queríamos e íamos lutar por ir à Europa e até ao último jogo estamos nessa luta. Era importante e este grupo de jogadores, todo o clube e estrutura, mereciam. Depois, o que vai acontecer não sei. Sei que vamos ter um jogo difícil pela frente, o Arouca também seria supostamente mais fácil e tornou-se difícil. No futebol tudo é possível, não estou minimamente preocupado com o próximo jogo, estou sim em perceber o que não correu tão bem neste jogo.
Vasco Seabra, treinador do Arouca
O jogo demonstra porque somos a sexta equipa com mais pontos conquistados, temos 25 pontos, na segunda volta, e representa o valor individual e coletivo da equipa. Estamos orgulhosos por termos conseguido alcançar o objetivo que traçámos, que era fazer mais pontos do que na época anterior e conseguimo-lo aqui. Agora, queremos manter esta ambição e qualidade de jogo que evidenciámos.