Lassana Diarra com a camisola do Lokomotiv Moscovo, em duelo com Hulk (Zenit), em 2014
Lassana Diarra com a camisola do Lokomotiv Moscovo, em duelo com Hulk (Zenit), em 2014

Após longa batalha na Justiça, FIFA e Diarra chegam a acordo para encerrar litígio

Antigo internacional francês exigia indemnização de 65 milhões de euros

A FIFA e o antigo internacional francês Lassana Diarra alcançaram um «acordo global» para pôr fim ao litígio entre as duas partes, no qual o ex-jogador exigia uma indemnização de 65 milhões de euros. A informação foi avançada pela agência AFP.

O caso teve origem numa decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), de 4 de outubro de 2024, que considerou ilegais algumas regras da FIFA relativas às transferências entre clubes. O tribunal, acionado pelo próprio Diarra, determinou que essas normas eram «contrárias» ao direito da União Europeia e podiam «entravar a livre circulação» dos futebolistas profissionais, abalando o sistema de transferências.

Na sequência desta decisão, o antigo médio, que conta com 34 internacionalizações pela França e passagens por clubes como Arsenal, Chelsea, Real Madrid, Marselha e PSG, recorreu à justiça belga para fazer valer o acórdão do TJUE, reclamando uma avultada indemnização à FIFA e à Federação Belga.

Contactada pela AFP, a FIFA confirmou o entendimento. «Na sequência do acordo global a que chegaram, Lassana Diarra e a FIFA puseram fim a todos os processos judiciais que os opunham», declarou o organismo, acrescentando que «não reconhece qualquer culpa e não realizou qualquer pagamento de indemnização». Por sua vez, os advogados de Diarra optaram por não fazer comentários nesta fase.

A saída conturbada do Lokomotiv Moscovo

A origem da disputa remonta a 2014 e à saída conturbada de Diarra do Lokomotiv Moscovo. O jogador abandonou o clube russo após uma redução drástica do seu salário, mas o Lokomotiv considerou a rescisão abusiva e exigiu-lhe uma compensação de 20 milhões de euros, valor posteriormente reduzido para 10,5 milhões.

Como consequência, o Charleroi, da Bélgica, que pretendia contratar o médio francês, acabou por recuar no negócio por receio de ter de assumir parte dessa penalização, em conformidade com os regulamentos da FIFA que foram posteriormente analisados pelo TJUE.

Recorde-se que, após a decisão do tribunal, conhecida como «acórdão Diarra», a FIFA procedeu a ajustes na sua regulamentação sobre transferências. Paralelamente, a fundação Justice for Players lançou uma ação coletiva, à qual se juntaram vários sindicatos de futebolistas, incluindo o francês (UNFP), com o objetivo de promover maior justiça no sistema de transferências.

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