João Brandão, treinador do FC Porto B - Foto: FC PORTO
João Brandão, treinador do FC Porto B - Foto: FC PORTO

A reflexão do treinador do FC Porto B: «Esta nova geração tem muita pressa»

João Brandão considera que os jogadores jovens «vivem pouco o hoje», alimentando-se muito de «expectativas». É «fundamental» criar no plantel dos 'bês' «um cenário semelhante ao da equipa principal», defende

O treinador da equipa B do FC Porto, João Brandão, defende que a mentalidade vencedora é essencial na formação de atletas no clube azul e branco, sublinhando os valores que considera «inegociáveis» para quem representa os dragões.

Em conversa no 351.º episódio do podcast The Pitch Invaders, da Footure, o técnico destacou a importância de replicar na equipa secundária a exigência do plantel principal. «É fundamental criarmos um ambiente e um cenário que seja muito próximo daquilo que é a equipa A», afirmou, acrescentando que isso só é possível se «existir a exigência de ganhar». Para Brandão, valores como «resiliência, a forma como nos superamos diariamente e a forma como sabemos que temos de fazer o dobro dos outros para ter o mesmo resultado» são cruciais.

O treinador elogiou ainda o impacto criado pela Direção liderada por André Villas-Boas. «Acima de tudo, o presidente trouxe uma visão. Além dessa visão, o presidente trouxe aquilo que é uma organização e uma estrutura que permite que os jogadores tenham todas as condições para desenvolver o seu jogo», declarou, apontando os sucessos da última época como prova do trabalho realizado: «Os resultados estão à vista, na última época conseguimos que todas as equipas de futebol do FC Porto fossem vencedoras.»

João Brandão abordou também as particularidades de competir na Liga 2 com uma equipa B, um contexto que considera distinto e desafiador. «Competimos num campeonato profissional e podemos descer de divisão. É o mesmo que imaginarmos uma equipa de sub-20 a competir na Série B do Brasil», explicou.

Sobre o percurso pessoal, o técnico revelou uma ligação umbilical ao clube. «A minha paixão pelo futebol e pelo FC Porto vem de berço, literalmente», confessou, recordando que o pai trabalhou 50 anos no futebol e que ele próprio respira «o balneário desde muito novo». Consciente de que não tinha «muito jeito para a prática do jogo», canalizou a sua paixão para a carreira de treinador, que iniciou aos 20 anos.

Questionado sobre as qualidades que procura num jogador, Brandão foi claro: «Paixão e competência são fundamentais». No entanto, alertou para as características da nova geração de futebolistas, que, segundo ele, «tem muita pressa e vive muito das expetativas, do amanhã, valorizam pouco o hoje». O papel do treinador, defende, é «fazer perceber o contexto e a realidade», inspirando confiança e envolvendo os jovens no processo para que compreendam o propósito do seu trabalho.

A estratégia passa por incutir valores como a resiliência e a superação, preparando os jovens para as adversidades que encontram pela primeira vez na equipa B. Este patamar é visto como um cenário de elevada exigência, onde o coletivo prevalece. «A equipa está sempre em primeiro lugar», sublinha-se, reforçando os valores do clube.

O perfil de jogador «à Porto»

Definem-se como «valores inegociáveis» para quem representa o FC Porto a resiliência e a consciência de que «temos de fazer o dobro dos outros para ter o mesmo resultado». O orgulho de representar o clube, a cidade e a região Norte é um pilar fundamental. O objetivo é formar atletas com capacidade mental e física para serem protagonistas, que joguem sempre para ganhar, independentemente do adversário.

«Temos feito crescer os nossos jogadores para um jogo mais agressivo, mais vertiginoso e sem deixar respirar os adversários».

Aposta na juventude e desafios

A diminuição da média de idades no plantel da equipa B é uma consequência direta da nova visão estratégica. Com um mercado «cada vez mais agressivo», a equipa secundária tornou-se um espaço de prospeção para jovens talentos de 16 e 17 anos, que ali encontram «o contexto ideal e o tempo necessário para conseguirem render futuramente na equipa A».

Reconhece-se, no entanto, que esta aposta acarreta «dores de crescimento na capacidade competitiva da equipa». Contudo, a direção mantém-se firme na sua visão, especialmente «nas derrotas e nos momentos em que se colocam dúvidas sobre este projeto».

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