André Silva leva sete golos em 22 jogos pelo Elche em 2025/26
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André Silva: «Provavelmente perdi com tantas mudanças»

Avançado do Elche fez um balanço do percurso da carreira e relembrou frustração após o Europeu de 2021. O internacional português falou do «processo duro e de desfrutação ao mesmo tempo» e garantiu que continuará a «dar o melhor»

André Silva, avançado de 30 anos do Elche, fez, em entrevista a A BOLA, um balanço da carreira, na qual já passou por oito clubes. Desde o ano goleador no Eintracht Frankfurt aos tempos mais atribulados no Leipzig, o internacional português afirmou que não gosta de falar em arrependimentos, mesmo não escondendo a frustração no momento da saída de Frankfurt, afirmando que, após o Euro 2020, sentiu que quis «subir rápido ou estar em patamares maiores, sem escolher com muita consciência ou muita clareza».

— No início disse que tinha passado por oito clubes. Sente que ganhou mais com esta mudança constante ou sente que perdeu pela falta de estabilidade?

— A nível futebolístico, provavelmente perdi. Agora perguntas-me: se perdeste, qual foi a razão pela qual escolheste esse caminho? A resposta a isso é que o futebol depende de muitas coisas. Há muitas coisas na minha carreira que desconhecia, que não controlava e fui dando o meu melhor. Oportunidades foram surgindo, oportunidades foram fechando. Uma das coisas que provavelmente teve impacto foi eu ter saído do FC Porto com uma ligação tão grande. Foi difícil encontrar esse sentimento novamente e isso pôs-me numa situação mais desafiante. O mais importante nas mudanças foi a adaptação e a demonstração constante das minhas capacidades, fosse qual fosse o contexto. Isso deu-me bastante confiança e permitiu-me também crescer a nível futebolístico e indivídual.

— De todas estas experiências, qual é aquela que destaca como sendo a mais positiva?

— Por aquilo que se vê, pelos números, provavelmente a altura do Eintracht Frankfurt. Mas é verdade que no FC Porto também tive números grandes, sempre estive na Seleção. Foram sítios onde desfrutei bastante, onde senti também bastante confiança e carinho dos adeptos, do clube. Agora no Elche estou a sentir essa chama outra vez. Os contextos são sempre diferentes. O mais importante agora para mim é voltar a sentir essa chama, voltar a sentir essa estabilidade e desfrutar do que o futebol tem para oferecer.

— Há algum arrependimento pela mudança para o Leipzig? Em termos de números, como referia, houve uma grande diferença. Há algum arrependimento?

— Onde há arrependimento, penso que há uma grande aprendizagem. Não gosto de chamar arrependimento. Tomamos as melhores escolhas que podemos ou que pensamos que devemos tomar. As escolhas permitem ou desfrutar ou errar. Nesse caso, acho que foi uma escolha desafiante, que me permitiu crescer bastante e saber exatamente o que eu precisava, o que eu queria e o que é que me fez também fazer essa escolha, que foi tomada num momento de um pouco de frustração.

— Frustração?

— Sim, foi na altura do Europeu, em 2021. Foi o momento em que tive provavelmente a minha melhor época a nível de números, no Frankfurt, fui o quarto na Bota de Ouro Europeia. Chegar à seleção, a um Europeu, com expectativas tão altas por aquilo que apresentei e não ter muito tempo… admito que me criou uma certa frustração interior que me fez querer subir rápido ou estar em patamares maiores, sem escolher com muita consciência ou muita clareza. É muito importante termos clareza das escolhas, mas isso permitiu-me ter hoje mais clareza e mais consciência do que é que eu preciso e do que é que eu quero para mim.

— Aos 30 anos, que análise faz da carreira?

— Tinha de ser exatamente como foi para me mostrar exatamente como sou, aquilo que quero ser, o que preciso e o que é realmente importante para mim. Mostrei a raça e a luta que sempre demonstrei e a capacidade de me adaptar em situações desafiantes, demonstrei a mim mesmo que ainda estava à procura do meu caminho e isso permite-me ver o que me preenche, o que é que me realiza por dentro. A verdade é que as escolhas que fizemos no passado nos limitam ou nos dão outras escolhas, outras oportunidades, que fechámos na altura. Foi um processo duro e de desfrutação ao mesmo tempo, foi um processo bonito, de crescimento e evolução. É isso que continua a inspirar-me e a motivar-me, pelo facto de conseguir estar na mesma área, no futebol, e ver momentos diferentes e conseguir sempre encontrar uma janela para desfrutar e para dar o melhor de mim. É disso que precisamos todos, de dar o melhor de nós e continuar a acreditar que há mais por aprender e por dar.