MUITÍSSIMO se deseja que SC Braga, hoje iniciando caminho na Liga Europa, e Benfica, na próxima 3.ª feira enfrentando inferno turco para aguentar magra vantagem obtida na Luz, não confirmem, tão prematuramente, haver ainda maior aceleração na quebra de qualidade das nossas equipas de clube em competições internacionais. Oxalá!

Rio Ave logo à primeira eliminado, e por modestíssimos polacos, foi soma e segue na rotina europeia dos nossos clubes, do SC Braga para baixo. Rio Ave como, por exemplo, noutros anos, V. Guimarães ou Marítimo. E até o Sporting de há 2 anos, nem para a Liga Europa conseguindo passar, e o Benfica da época passada, batendo recorde de desastre, com 6 derrotas e só um golo marcado na fase de grupos da Champions. Um futebolzinho que se vinca também no plano nacional - desde logo assim: no anterior campeonato, distância de pontos entre o 4.º (SC Braga) e o 5.º (Rio Ave) impressionantemente brutal!; e vencedor da Taça de Portugal (inesperadíssimo Aves) esbanjando direta entrada na Liga Europa por ter sido financeiramente incapaz de se inscrever! (ninguém muito se incomodou com esta pura vergonha para toda a estrutura das nossas competições!!! Filha de calamitoso desnível financeiro, cuja resolução prossegue eternamente adiada).

Qualidade dos nossos treinadores vai crescendo, e muito. Mas torna-se-lhe impossível superar a perda de qualidade nos jogadores de que dispõem. Mesmo os nossos maiores clubes não resistem à saída, num ápice!, dos mais valiosos jovens jogadores (exemplos às catadupas!). E, nas aquisições, nível em notório declínio. Não foi há um século que o FC Porto teve Falcao, Hulk, James Rodríguez, Alex Sandro, Danilo…; e que o Benfica teve Aimar, Ramires, Garay, David Luiz, Witsel, Matic, Oblak…; e que o Sporting, muito mais limitadinho, teve João Mário, Slimani… (também por aqui se percebe prolongadíssimo jejum sportinguista…). Agora, saíram de Portugal Rui Patrício, William Carvalho, Gelson, Marcano, Ricardo Pereira, Dalot, Reyes… - veremos se resistem Rúben Dias, Alex Telles, Herrera, Marega, Jonas… E os sinais dados pelas contrapartidas vão deixando a desejar…

MAREGA/JONAS. Escrevo sem conhecer o desfecho destas súbitas novelas. A de Marega terá de terminar hoje - se rumo a Inglaterra… A de Jonas poderá prolongar-se mais uns dias. Dificílima a situação portista: recusar, por questão de princípio, €30 milhões?! Certeza: ambos são importantíssimos nas suas atuais equipas.

Marega, potente e explosivo como nenhum outro, pilar do futebol musculado que ergueu o FC Porto a campeão. A par de Herrera - de muito perto seguidos por Marcano e Alex Telles - chaves mestras do título excelentemente construído por Sérgio Conceição. Já agora: levei anos a mostrar estupefação por exacerbados críticos de Herrera não perceberem porquê os treinadores iam passando e Herrera lhes era imprescindível...

Saída de Marega seria forte revés no impetuoso estilo portista. Ainda por cima com Soares em baixa clínica para 2 ou 3 meses. No entanto, o FC Porto ainda tem mais 2 pontas de lança: Aboubakar e André Pereira, jovem muito promissor (repito-me: transferência, em definitivo, Gonçalo Paciência, sobretudo se, como dizem, por meros €3 milhões, parece estranhíssimo, para não dizer inconcebível!).

AINDA mais grave do que o vislumbre portista de perder Marega seria, para o Benfica, ficar sem Jonas. Mesmo aos seus 34 anos e com crónicas mazelas físicas. Porque pura classe consistente ficaria resumida a Salvio, também ele resistindo a graves lesões em série.

Há pouco tempo escrevi sobre duplo dilema Jonas. Sair ou continuar. E, em função disso, 4-3-3 ou dois pontas de lança. Com Jonas, faria pouco sentido atirar para o banco o investimento em Ferreyra e Castillo (logo, Jonas e um deles: 4-4-2). Sem Jonas, indiscutível: 4-3-3 que vem da 2.ª metade da época anterior - e que se tem mantido, quiçá por quase ausência do grande goleador nos últimos 4 anos. Acima de tudo: que podem valer Ferreyra e Castillo? Até agora, muitíssimo pouco… Evidentemente por isso, o 4-3-3 benfiquista, senhor da virtude de mais segurança na recuperação e no controlo da bola, tem apresentado este problemão: sem vigor - estrutura atlética e velocidade - para colocar mais unidades na grande-área; nela, ou de longe, escasseiam remates - e ganhar bolas por alto… só quando Jardel lá vai. Castillo bate-se com generosidade, Ferreyra, até ver, nem isso. Jonas avoluma saudades.