Amarante regressa à Liga 2, quase 40 anos depois
Martim Duarte, Rafael Flores, Obama Ribeiro, João Filipe, Lawrence Adeniyi, Samuel Vivas, Feliciano Mendes, Diogo Nascimento, Eduardo Aguiar, Rui Pedro, Diogo Vila, Emmanuel Iroanya, Harruna Iddriss, Gonçalo Sousa, Marcelo Cunha, Tiago Antunes, Fernando Almeida, Faissal Zangré, Daniel Rodrigues, Afonso Meireles, Hélder Pedro, Tiago Ventura, Roger Almeida, Moisés Conceição, Jordan Saint-Louis, Rúben Silva, Arome Idache - são estes os nomes que, orientados por Alex Costa, conseguiram voltar a pôr o Amarante da Liga 2, pela primeira vez desde a temporada 1988/89.
Em bom rigor, o Amarante nunca esteve na Liga 2 como, atualmente, a conhecemos. Isto porque na época supramencionada, a segunda divisão era dividida em três zonas - norte, centro e sul -, com o vencedor de cada uma a subir à Liga. O atual formato foi apenas adotado em 1990/91.
Focando agora no jogo de hoje com a União de Santarém, em que os alvinegros só precisavam de pontuar para regressar ao segundo escalão: a primeira oportunidade do encontro até foi dos escalabitanos, com Gonçalo Teixeira (2’) a aparecer disparado pela direita, tendo feito um remate cruzado que passou a poucos centímetros do poste direito da baliza.
No entanto, logo se percebeu qual seria a toada mais natural do encontro, com um Amarante galvanizado pelos seus adeptos, numa bonita comunhão - daquelas de domingo à tarde que qualquer adepto ama, ainda por cima debaixo de um sol radiante, contra as previsões meteorológicas para a cidade amarantina. Os anfitriões fizeram, de seguida, as primeiras aproximações.
Aos 17’, os unionistas voltariam a ameaçar - e em dose dupla. Primeiro foi Gonçalo Teixeira a rematar, com o esférico a esbarrar num defesa. Na recarga, Gonçalo Águas fez um remate muito potente, de fora de área, com Martim Duarte a ser chamado para uma grande intervenção. Aos 35’, num livre de longa distância, Marco Grilo voltou a pôr o guardião amarantino à prova
A etapa complementar trouxe um céu mais acinzentado, mas, em contraste, o jogo teve, irremediavelmente, de abrir. Aos 55’, surgiu mesmo a primeira grande oportunidade dos alvinegros. Tiago Ventura cruzou pela direita e Jordan Saint-Louis apareceu ao segundo poste para cabecear… ao ferro! 20 minutos depois, os da casa voltaram a ficar muito perto do golo. Desta vez, foi Jordan Saint-Louis (e pela esquerda), com João Filipe, à boca da baliza, a não conseguir acertar com o alvo.
Até que aos 83’... a efusividade de uma época rebentou, no Municipal de Amarante. Jordan Saint-Louis desmarcou Idache, que, a partir da esquerda, partiu tudo até entrar na área, para fazer o tão esperado golo, que confirmou a subida à Liga 2.
Outro objetivo à vista
Alex Costa assumiu o Amarante à 8.ª jornada da fase regular desta Liga 3, em outubro, quando a equipa estava em penúltimo lugar da Série A. No final do encontro, visivelmente emocionado, o mister expressou como foi difícil lograr esta subida: «O caminho não foi fácil. Estou muito orgulhoso dos meus jogadores. Isto é para eles. Foi merecido, pela forma como trabalhámos e pelo percurso que fizemos e não queremos ficar por aqui. Temos outro objetivo, que é sermos campeões, e já estamos a pensar no próximo jogo.»
Também com lágrimas nos olhos, o capitão João Filipe, um menino da terra (e com praticamente duas décadas de clube) afirmou que este é um «sonho que tinha desde miúdo». «Amarante está na segunda [divisão], porque merece, porque trabalhou e joga muito», acrescentou o central, de 26 anos.
«A equipa não começou bem, mas é de realçar a atitude que tivemos e o que fizemos, sobretudo, depois da chegada do mister Alex. Ajudou-nos muito e acreditou muito em nós», salientou o lateral-esquerdo, Rui Pedro.
«Tivemos um início muito complicado. O mister chegou e conseguiu entrar muito bem na cabeça dos jogadores. Fez-nos sempre acreditar que tínhamos qualidade e levou-nos a um futebol muito bonito. Toda a gente o admira muito aqui em Amarante», confirmou, por seu turno, Tiago Ventura.