Alonso: «Já não tenho a adrenalina que sentia ao pilotar um carro de F1»
Fernando Alonso assegurou a sua permanência na Aston Martin, pondo fim a especulações sobre o seu futuro, apesar de ter 44 anos e estar em final de contrato. «Eu tenho contrato, não me vou embora», afirmou o piloto espanhol de forma categórica durante a conferência de imprensa oficial da FIA, esta quinta-feira, antes do Grande Prémio da Hungria deste fim de semana.
Apesar de garantir a sua ligação à equipa de Silverstone, o bicampeão mundial deixou em aberto se continuará ao volante, admitindo a possibilidade de assumir um papel de embaixador ou outra função ligada à marca britânica. A sua continuidade na Fórmula 1 como piloto dependerá do prazer que retira da competição.
«Estou tranquilo, sinto-me rápido e motivado. Mas tenho de desfrutar do que faço», explicou Alonso, confessando que a experiência nas corridas da Grã-Bretanha e da Bélgica «não foi divertida de ver nem de pilotar». O piloto esclareceu que as suas críticas não são dirigidas à equipa, mas sim ao estado atual da categoria rainha do automobilismo. «Já não tenho a adrenalina que sentíamos ao pilotar um carro de F1. Não é algo que se deva perguntar à equipa, é algo da Fórmula 1. E tenho de pôr isso em cima da mesa», acrescentou.
Melhorias e otimismo para o futuro
A Aston Martin chega a Hungaroring, circuito onde Alonso conquistou a sua primeira vitória em 2003, com um pacote de melhorias significativo. O piloto mostra-se «otimista» com as novidades, embora mantenha uma abordagem pragmática. «Não muda o foco dos fins de semana, pois vamos maximizar o que existir em cada Grande Prémio. Estamos aqui para ganhar corridas e lutar por títulos, mas não começámos a temporada assim nem vamos lá chegar», afirmou.
O processo de evolução será longo. «Será o primeiro pacote e haverá mais. Haverá circuitos complicados como se viu em Spa, onde o carro que nos precedia tirava 2,1 segundos e não há pacote no mundo que compense isso. Mas acreditamos que na Hungria poderemos melhorar, pois é um circuito que talvez nos seja mais benéfico», analisou o espanhol.
Mike Krack, engenheiro-chefe da equipa, partilhou do sentimento, sublinhando que o objetivo era «voltar a competir», algo que não estava a acontecer.
Confiança no projeto com Newey e Honda
Independentemente dos desafios imediatos, Alonso mantém total confiança no projeto a longo prazo da Aston Martin, que contará com Adrian Newey e a Honda. «Sabemos que, mais cedo ou mais tarde, os problemas serão resolvidos. Teremos o melhor carro que Adrian Newey trará. Também não duvido da Honda», declarou, reconhecendo que o início foi difícil. «Começámos com o pé esquerdo, passámos pelo processo e trabalhamos juntos. A questão é saber quanto tempo levará...», atirou.
O piloto admitiu que existiram «opiniões diferentes» no passado sobre as sensações do carro, num debate que envolveu pilotos, a fábrica e os dados. No entanto, elogiou a capacidade de Newey para ouvir todas as partes. «Ele ouve toda a gente. Tanto os pilotos como os dados, pois a F1 é um desporto que muda a cada volta», disse.
O Grande Prémio da Hungria será o primeiro teste para as novas atualizações. «Aqui quero ver o primeiro passo com o pacote e o seu entendimento nas próximas corridas. De momento, saberemos se a direção do carro é a correta e se desbloqueamos parte do rendimento», concluiu.